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"O trato digestório é um segundo coração"

por: Juliana Bencke
Data: 11/07/2018 | 10:30

Evitar uma internação hospitalar nem sempre é possível. Mas, garantir uma recuperação mais rápida pode estar ao alcance de todos, por meio de hábitos diários de alimentação saudável. "O histórico do paciente influencia muito na recuperação", afirma a nutricionista Silvia Zappani, do Hospital São Sebastião Mártir (HSSM).

Foto: Juliana Bencke / Folha do Mate Silvia participou, no mês passado, do Congresso Internacional de Nutrição, Exercício e Saúde, em São Paulo
Silvia participou, no mês passado, do Congresso Internacional de Nutrição, Exercício e Saúde, em São Paulo

Especialista em Nutrição Clínica e Intensiva e em Doenças Crônicas e Obesidade, ela explica que, fatores como uso frequente de álcool e tabagismo, aliados a uma alimentação gordurosa e com produtos industrializados, dificultam a recuperação do organismo. "Todos os órgãos têm que estar bem para que o organismo tenha uma boa resposta ao tratamento."

Além de prevenir doenças como diabetes e hipertensão arterial, que também interferem o processo de recuperação de outras patologias, uma alimentação equilibrada garante a integridade do trato digestório - formado por estômago e intestinos, além da boca, da faringe, do esôfago, do reto e do ânus.

Uma alimentação saudável não é comprar produtos caros, dieth ou light, ou se alimentar só de grãos. É consumir frutas e legumes da época, evitar alimentos industrializados, com conservantes e corantes", Silvia Zappani, nutricionista.

"O trato digestório é um segundo coração. Se não estiver funcionando bem, todo o resto não funciona, por que a maior parte de tudo o que a gente consome passa por ele", explica Silvia, ao observar que pessoas têm a parte digestória saudável, conseguem absorver tanto a medicação quanto os nutrientes dos alimentos na quantidade certa. "Às vezes, quem não tem trato digestório saudável precisa ser alimentado por sonda ou via parenteral, diretamente na corrente sanguínea", comenta.

Outro aspecto destacado pela profissional é que a falta de nutrientes faz com que ocorra falta de oxigenação nos tecidos. "O cuidado de ter uma alimentação saudável desde a gestação e nos primeiros meses de vida pode evitar que se tenha falência ou complicação dos órgãos na fase adulta", destaca.

Prevenção

Para a nutricionista do Hospital São Sebastião Mártir, adotar uma alimentação saudável exige consciência sobre a importância de comer adequadamente - tanto para viver mais tempo quanto para ter mais qualidade de vida. "Na maioria das vezes, opta-se pelo mais cômodo e mais prático, mas esse prático pode custar caro, no futuro."

Silvia percebe que, ao mesmo tempo em que a sociedade evoluiu, com o passar do tempo, perdeu costumes e hábitos que garantiam uma vida com mais qualidade. Entre eles, estão aspectos como preparar as próprias refeições, preferir produtos naturais e concentrar-se no alimento que está sendo consumido.

"Muitas vezes, as pessoas comem enquanto mexem no celular. Pouco tempo depois, já não conseguem se lembrar do que comeram e qual era o sabor. Isso acontece porque, no momento da mastigação, o alimento não estava sendo degustado e não foi assimilado. Além disso, outro problema é que, assim, come-se mais do que o necessário, sem se dar conta", observa.

Dicas de alimentação

- Hidratar-se, consumindo líquidos e, especialmente, água pura.
- Evitar alimentos de 'pacote' - industrializados e com conservantes.
- Consumir alimentos naturais, priorizando frutas e verduras da época.
- Fazer as refeições sentado à mesa, prestando atenção aos alimentos que estão sendo consumidos.
- Se não houver possibilidade de cozinhar diariamente, aproveitar o fim de semana para preparar refeições caseiras e congelar, para que possam ser consumidas, durante a semana. O mesmo vale para o pão caseiro, cujas fatias podem ser descongeladas na hora de consumir.
*Dicas da nutricionista Silva Zappani.

Fique atento

A nutricionista Silvia Zappani também lembra que não é indicado que as pessoas adotem dietas 'milagrosas', cortem certos alimentos das refeições ou comecem a tomar vitaminas, sem orientação médica.

Segundo ela, ingerir um polivitamínico sem saber o nível de vitaminas do organismo pode causar uma sobrecarga. "O corpo não consegue metabolizar esse excesso de vitaminas, o sistema renal fica afetado e isso desencadeia patologias", esclarece.

Outro aspecto que merece atenção, segundo a profissional, é o quanto a alimentação diária está atrelada à questão emocional. "Precisamos comer quando temos fome, para nutrir o corpo, para poder caminhar, poder manter nossos órgãos funcionando, não para comemorar, gratificar-se de algo ou compensar uma frustração", lembra. "Essa é uma questão cultural, que toda a sociedade faz e continuamos replicando sem nem pensar no que estamos fazendo."