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Similar, original ou genérico. Qual medicamento você leva?

por: Kethlin Meurer
Data: 21/04/2017 | 07:30
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Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateMaria conta que no caso dos antibióticos, ela compra apenas medicamentos originais, enquanto os demais opta pelos genéricos em função do preço
Maria conta que no caso dos antibióticos, ela compra apenas medicamentos originais, enquanto os demais opta pelos genéricos em função do preço

Existem três tipos de medicamentos, similar, original ou genérico e mesmo com o nome do remédio especificado na receita médica, em determinadas situações os farmacêuticos perguntam qual a preferência do paciente. Conforme verificado pela reportagem, há quem opta pelo genérico, por ser mais barato, enquanto isso, tem gente que apenas compra o original, por considerar mais confiável. Contudo, essa troca de medicamentos tem sido motivo de preocupação por parte dos médicos.

A aposentada Maria de Lourdes Pereira, 58 anos, por exemplo, comenta que sempre quando vai à farmácia é questionada a respeito de qual remédio prefere e responde que antibióticos compra apenas originais, enquanto os demais medicamentos comprados são genéricos em função do preço. Já Dona Lony Bruch, 69 anos, conta que não abre mão dos originais. 'Eu acho mais seguro o original e tem médicos que não aceitam o genérico. Não falam por que, mas não aceitam', comenta.

Lony ressalta que na hora de adquirir o medicamento, não olha para o preço, mas sim, qualidade. 'Com saúde não se brinca e, por isso,

temos que comprar o melhor', complementa.

PREOCUPAÇÃO
Segundo a presidente da Associação Médica de Venâncio Aires, Sheila Calleari Marquetto, existe uma lei da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que permite a troca entre os medicamentos similares, genéricos e os de referência (originais) e os farmacêuticos não estão errados ao fazerem isso. Contudo, segundo ela, o problema está no fato de vivermos em um país onde existe uma fragilidade na monitorização e fiscalização desses medicamentos, ou seja, embora precisem ter a mesma eficácia, nem sempre os genéricos e similares possuem a composição que deveriam, o que faz alguns não surtirem o mesmo efeito que um medicamento de referência. 'A Anvisa deveria fiscalizar e monitorar de uma forma melhor, porque na prática nós vemos que os medicamentos não têm o mesmo efeito e não são iguais como deveriam', explica.

Na opinião de Sheila, o paciente deveria solicitar exatamente o medicamento que está prescrito na receita médica. Segundo ela, caso haja o interesse de comprar outro remédio, o indicado é primeiro perguntar para o médico e verificar se a troca é possível.
Conforme a profissional, anos atrás era mais comum os médicos terem preferência por uma marca em função de parcerias. No entanto, isso tem se tornado menos frequente, até porque existe uma regulamentação da indústria farmacêutica que proíbe o fornecimento de algum benefício ao médico por prescrever uma medicação específica.

DIFERENÇAS
São poucas as pessoas que sabem de fato qual a diferença entre os três tipos de medicamentos mencionados. Assim como Sheila, a professora do curso de Farmácia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Chana de Medeiros da Silva, garante que existe a lei da intercambialidade que possibilita o farmacêutico trocar medicamentos, desde que seja cumprido o especificado em lei.

Conforme a profissional, a legislação define o que é um medicamento de referência, genérico e similar, porque existem uma série de critérios para verificar se o remédio é equivalente ao de referência.