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Força-tarefa pela saúde

Preocupado com baixos índices de cobertura vacinal, Ministério da Saúde pretende aumentar exigência de carteirinha de vacinação em empresas e escolas

por: Juliana Bencke e Rosana Wessling
Data: 07/04/2019 | 07:00
Fenachim

A perda recente do status de país livre do sarampo acendeu o sinal vermelho no Brasil para um assunto que parecia superado. 'Quando a população não procura se imunizar, o país corre o risco de reintroduzir uma doença que já estava erradicada. É uma brecha para voltar o surto', alerta a enfermeira Carla Lili Muller, coordenadora do setor de Imunizações de Venâncio Aires.
A preocupação não diz respeito apenas ao sarampo. Nos últimos anos, campanhas de vacinação de diversas doenças têm registrado adesão menor o que o recomendado. Em meio aos baixos índices de cobertura vacinal, o Ministério da Saúde projeta estratégias com o auxílio de empresas e demais instituições, para ampliar os índices de imunização.
Em um projeto de lei que deve ser enviado ao Congresso, o Governo pretende sugerir que entrevistas de admissão e exames periódicos passem a analisar, também, a atualização da carteira de vacinação, bem como prever que as vacinas sejam cobradas nas escolas e no serviço militar.

Foto: Juliana Bencke / Folha do MateVacinação contra a gripe começa neste mês e inclui grupos de risco como idosos, bebês e gestantes
Vacinação contra a gripe começa neste mês e inclui grupos de risco como idosos, bebês e gestantes


Para a coordenadora do setor de Imunizações do município, o incentivo de empresas e estabelecimentos de ensino, que já ocorre em Venâncio Aires, garante uma contribuição importante para a prevenção. 'A gente percebe um aumento na procura pelas vacinas quando a empresa contrata e pede que o cartão de vacina do funcionário esteja em dia. Isso também acontece na hora de matricular o filho na escola', comenta Carla.
A Continental Tobaccos Alliance S/A(CTA) está entre as empresas que orientam os funcionários sobre a questão, no momento do exame admissional. De acordo com a supervisora de Medicina do Trabalho da empresa, enfermeira Karine Maria Sehn, embora a carteirinha de vacinação não seja um documento obrigatório para a efetivação, há estímulo para que o trabalhador esteja com as doses atualizadas.
'É considerável o número de pessoas que não ligam para as campanhas de vacinação ou que deixam de se vacinar. Assim como alguns possuem mais de um cartão de vacinação e outras nem sabem onde colocaram. Mas, muitos trazem consigo o cartão de vacinação para ser conferido e após atualizam', destaca.


'Quando não se tem casos da doença, as pessoas acham que não precisam se imunizar. Mas, só está tudo bem porque no ano anterior muitos se imunizaram. Outro fator que interfere são as fake news. As pessoas leem muitas coisas na internet, sem verificar a informação, e assim se formam os boatos.'
CARLA LILI MÜLLER
Coordenadora do setor de Imunizações

EXEMPLO
A moradora de Linha Travessa, Vania Fabriel Lord da Rosa, 32 anos sabe muito bem da importância de manter a carteira de vacinação em dia. Há poucos dias, levou a filha Giovanna Lord da Rosa, de 1 ano e três meses, para atualizar o documento. Giovanna recebeu a dose da pólio, além de outras três vacinas. 'Precisamos proteger nossos filhos e a gente também. Já temos muitas doenças que foram erradicadas e que não podemos deixar voltar', considera.

Foto: Rosana Wessling / Folha do MateAndiara mantém atualizadas as vacinas da filha Antonella, de 5 meses
Andiara mantém atualizadas as vacinas da filha Antonella, de 5 meses


Andiara Cristine Maria de Sá, 34 anos também acredita ser de fundamental importância a preocupação com a vacinação. Por conta disso, mantém em dia as vacinas da filha Antonella de Sá Oliveira, de 5 meses. 'Sempre procuro manter em dia os nossos cartões da vacinação. É uma proteção. É melhor se precaver para depois não precisar tratar doenças.'

Foto: Rosana Wessling / Folha do MateVania é técnica em Enfermagem e garante a preocupação com a vacinação. A filha Giovanna está imunizada
Vania é técnica em Enfermagem e garante a preocupação com a vacinação. A filha Giovanna está imunizada

 

 


'O grande risco é o retorno de doenças que estavam controladas'
A médica infectologista Sandra Knudsen explica que as vacinas agem estimulando o organismo a produzir anticorpos contra certas doenças. 'Assim, se e quando entrarmos em contato com estes microrganismos, já teremos defesas contra essas enfermidades', esclarece.
De acordo com a médica, existem calendários vacinais recomendados para vários grupos e várias faixas etárias, não apenas para crianças e adolescentes. Entre os grupos, elas cita idosos, adultos, trabalhadores, pacientes portadores de certas doenças crônicas e gestantes. 'É importante seguir estas recomendações, pois cada vacina tem indicações e contraindicações.'

Folha do Mate: Nos últimos anos, o país tem registrado baixos índices de vacinação. Quais os riscos que essa baixa cobertura vacinal representa para a população?
Sandra Knudsen: Com certeza, as vacinas são um dos grandes avanços da ciência, pois previnem doenças. O grande risco da baixa adesão às vacinas é o retorno de doenças que já estavam controladas. Infelizmente, ainda ocorrem manifestações graves e até morte por doenças que poderiam ter sido evitadas se a vacinação tivesse sido realizada.

Folha do Mate: Na sua opinião, o que levou as pessoas a deixarem de se vacinar?
Sandra: Infelizmente, existem muitas manifestações contrárias às vacinas que "viralizaram" nas redes sociais e algumas pessoas acabam influenciadas por elas. A população tem memória curta e se esquece da catástrofe que várias doenças causavam no passado, como a varíola e a poliomielite, por exemplo.

Folha do Mate: O que podemos fazer para mudar essa realidade?
Sandra: Informação é o mais importante. O melhor conselho que posso dar é que as pessoas conversem e se aconselhem com seus médicos de confiança sobre as vacinas recomendadas para sua situação e faixa etária.


Alerta aos adolescentes
A enfermeira Carla Lili Müller afirma que, em geral, o calendário de vacina dos adolescentes é o que mais apresenta ausências, em Venâncio Aires. Ela comenta que, antes, a criança fazia a imunização até os 4 anos e só voltava a se preocupar com as vacinas depois de adulta.
Entretanto, desde 2014, outras vacinas entraram no cronograma dos adolescentes, como a HPV e a meningocócica C. 'Até hoje a procura pela imunização é baixa. Exemplo disso é que apenas 28,55% dos adolescentes se imunizaram contra a meningocócica C, em 2018, número que preocupa e alerta o setor de Imunizações de Venâncio Aires', ressalta.
Com relação aos adultos, há quatro tipos de vacinas que integram o calendário de imunizações: antitetânica, hepatite B, tríplice viral e febre amarela.


Atendimento aos sábados
Dois sábados por mês a sala de vacinação do posto de saúde Central está aberta ao público das 8h às 12h. 'No primeiro sábado que abrimos em janeiro, foram pouquíssimas pessoas que nos procuraram. Agora já chegamos na média de 70 doses aplicadas, em uma única manhã, é um horário alternativo, que facilita e tem demanda', comenta a coordenadora do setor de Imunizações, Carla Lili Müller. Em abril, a sala de vacinação estará recebendo a comunidade nas manhãs dos sábados, dia 13 e 27.