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Desde o início do ano, 15 casos confirmados de leptospirose em Venâncio Aires

No ano passado, Vigilância Epidemiológica registrou um óbito e 29 casos de pessoas com a doença transmitida pela urina de roedores

por: Juliana Bencke
Data: 14/04/2019 | 19:30

Do começo do ano até agora, 15 casos de leptospirose já foram confirmados pela Vigilância Epidemiológica de Venâncio Aires, que atende, também, os municípios de Mato Leitão, Passo do Sobrado e Vale Verde. Outros 14 casos notificados tiveram resultado negativo e dois seguem em análise.

Nos últimos dois anos, foram mais de 60 casos de leptospirose e três óbitos registrados no município. De acordo com a técnica em Enfermagem da Vigilância Epidemiológica, Cristiane de Jesus Ferreira, em geral, os picos ocorrem no verão, com contaminações em arroios ou açudes, e no inverno, em épocas de enchente e alagamentos, quando a água espalha a urina de roedores contaminada com a bactéria leptospira.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateChances de contágio são maiores quando há inundações, enxurradas e lama
Chances de contágio são maiores quando há inundações, enxurradas e lama

'A maioria dos casos são no interior', comenta Cristiane, referindo-se ao fato de galpões com estocagem de grãos aumentarem os riscos de proliferação dos roedores. Segundo ela, a orientação é que, sempre forem trabalhar, os agricultores utilizem calçado fechado e luvas. 'O contato da pele com um local onde o rato urinou pode fazer com que a pessoa se contamine. Cortes, feridas e até mesmo rachaduras nos pés facilitam a contaminação.'

A técnica em Enfermagem lembra, ainda, que lixo e entulhos também podem ser meios de contaminação. De acordo com a profissional da Vigilância Epidemiológica, na maioria das vezes, o diagnóstico da leptospirose demora para ocorrer, pois os sintomas iniciais se confundem com os de um resfriado: dor no corpo, mal estar e dor de cabeça. 'É muito importante que seja realizado o tratamento, se não, pode ocorrer falência dos órgãos, com hemorragia do fígado e dos rins, e levar a óbito', alerta.

Casos de leptospirose

2016 - 22
2017 - 34 (dois óbitos) 
2018 - 29 (um óbito)
2019* - 15 (até 11 de abril. Dois casos seguem em análise)

Entenda

- A leptospirose é uma doença infecciosa febril transmitida pelo contato com a urina de animais infectados, principalmente roedores, pela bactéria leptospira. A contaminação pode ocorrer em qualquer época do ano, mas as chances de contágio são maiores quando há inundações, enxurradas e lama. Se houver algum ferimento ou arranhão, a bactéria penetra com mais facilidade no organismo.

- Entre as formas de evitar a proliferação da doença estão manter os alimentos guardados em recipientes bem fechados, manter a cozinha limpa sem restos de alimentos, retirar as sobras de alimentos ou ração de animais domésticos antes do anoitecer, manter o terreno limpo e evitar entulhos e acúmulo de objetos nos quintais ajudam a evitar a presença de roedores.

- A doença pode levar até 30 dias para se desenvolver, mas, geralmente, os sintomas começam entre o sétimo e o 14º dia após a exposição. Quem teve contato com água potencialmente contaminada e apresentar febre, dor de cabeça, dor no corpo (principalmente nas panturrilhas), vômitos e pele amarelada (em casos mais graves), deve procurar um serviço de saúde.

Fonte: Secretaria Estadual de Saúde.