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Atendimentos superam em 16% a capacidade da UPA

por: Juliana Bencke
Data: 09/08/2018 | 09:00

Com crescimento de 5% no número de atendimentos, comparado ao mesmo período do ano passado, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Venâncio Aires realizou 5.389 consultas, em julho. O número, impulsionado por resfriados e doenças respiratórias típicas de inverno, representa uma média de 174 pessoas atendidas por dia - 16% a mais do que o limite do estabelecimento de saúde. 

Foto: Juliana Bencke / Folha do Mate Em julho, 5.389 mil pessoas passaram pela Unidade de Pronto Atendimento - uma média de 174 pacientes por dia, quando o previsto são 150 consultas
Em julho, 5.389 mil pessoas passaram pela Unidade de Pronto Atendimento

'Levando em conta a área física e os profissionais, nossa capacidade instalada é para atender 150 pessoas por dia', explica o superintendente administrativo da UPA, Rodrigo da Silva. De acordo com ele, ao mesmo tempo em que denota a qualidade do atendimento, a procura elevada pelos serviços preocupa, a longo prazo. 

Silva observa que, desde a inauguração da UPA, há quatro anos, o número de pessoas que recorre ao serviço tem aumentando exponencialmente. O período entre março e agosto é o que mais concentra os atendimentos. 

'Até então, temos conseguido manter a qualidade, inclusive, com readequações à realidade financeira e uma equipe menor do que a do início. No entanto, a situação nos preocupa, por que vai chegar um ponto em que não será mais possível atender a demanda sem perder a qualidade, o que significará mais tempo de espera para os pacientes', comenta o superintendente administrativo. 'Queremos atender bem e com resolutividade', pontua. 

Foto: Juliana Bencke / Folha do MateMaior movimento concentra-se entre as 7h e as 19h. Todos os pacientes passam por triagem da equipe de enfermagem, antes da consulta médica
Pacientes passam por triagem da equipe de enfermagem, antes da consulta médica

Segundo ele, em geral, o maior movimento ocorre entre as 7h e as 19h, sendo que, em dias mais frios, a demanda se concentra no fim da manhã e ao longo da tarde. Para Silva, esse é um ponto que torna a situação complexa.

'Se o movimento fosse constante, diluído ao longo do dia, não teria tanto problema, pois temos dois médicos 24 horas, mas ele fica concentrado em algumas horas, o que dificulta para a equipe de profissionais e para os pacientes que ficam esperando.' 

Para o superintendente, é necessário que as pessoas se conscientizem sobre quando utilizar o serviço da UPA - considerado intermediário, entre unidades básicas de saúde e hospital. Atualmente, 88% dos pacientes atendidos pela UPA têm classificação de risco verde ou azul - sem urgência ou emergência. 'São situações que poderiam ser resolvidas, em um primeiro momento, em postos de saúde', enfatiza.

>> Localizada no bairro Cruzeiro, a UPA é administrada pelo Hospital São Sebastião Mártir e tem cerca de 60 funcionários, além de 35 médicos.

>> 228 foi o máximo de atendimentos realizados, em um dia, pela UPA, neste ano. O pico foi registrado em 23 de julho, e ficou 52% acima da capacidade de 150 consultas diárias da unidade.

>> 23% das consultas de julho foram pediátricas, de crianças de até 12 anos.

Hospital: menos atendimentos, mais complexidade

Desde que foi implantada em Venâncio Aires, a UPA é considerada principal alternativa para 'desafogar' o pronto-atendimento do Hospital São Sebastião Mártir (HSSM), possibilitando que a casa de saúde priorize casos mais graves. 

Estatísticas dos serviços confirmam a situação. Os 5.389 atendimentos da UPA em julho representam mais que o dobro dos 2.607 realizados no plantão do hospital, no mesmo período. Segundo o administrador do HSSM, Jonas Kunrath, em comparação a julho do ano passado, também houve redução de cerca de 4% na quantidade de pessoas atendidas no pronto atendimento hospitalar. 

Ele pondera, porém, que, com base nos relatórios das classificações de risco emitidas na triagem dos pacientes, o número de pessoas atendidas e classificadas como 'vermelho' ou 'amarelo' - urgências e emergências - sofreu um aumento significativo. Em julho deste ano, foram 381 pacientes de casos mais graves - 17% a mais do que no mesmo mês de 2017.

'Isso contribui para justificar os frequentes picos de superlotação do pronto atendimento do hospital e o apelo para que as pessoas busquem atendimento inicialmente nas unidades básicas e UPA, uma vez que os atendimentos de urgência e emergência são mais complexos, demandam mais disponibilidade das equipes envolvidas no foco de salvar a vida', explica Kunrath.

Ele salienta, ainda, que grande parte desses pacientes permanece internada no pronto atendimento, aguardando liberação de leitos, devido à ocupação das unidades de internação. 'Isso vem a ampliar a demanda da equipe assistencial, pois estes pacientes, em sua grande maioria, demandam cuidados especiais.'