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Alunos autistas da Apae participam de atividades de equoterapia

por: Débora Kist
Data: 03/04/2019 | 09:00
Foto: Débora Kist / Folha do MateKairon, 8 anos: risos e conversas sobre o cavalo
Kairon, 8 anos: risos e conversas sobre o cavalo

Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, informam que existe, hoje, um caso de autismo a cada 110 pessoas. Se assim for, é possível estimar que o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, tenha quase dois milhões de autistas.

Uma pequena parcela dessa população está em Venâncio Aires, mas nem por isso menos importante aos olhos da assistência necessária. Dessa forma, nesse 2 de abril (ontem), quando se comemorou o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma atividade de interação também foi realizada no município e reuniu crianças autistas, seus pais e professores.

Na sede campestre da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), os sete alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de uma turma específica, participaram de sessões de equoterapia. Eles tiveram acompanhamento da fisioterapeuta Olga Bohn Martins, do Instituto Lado a Lado, de Cruzeiro do Sul.

Segundo a profissional, o uso do cavalo no tratamento de pessoas autistas traz benefícios físicos, emocionais e pedagógicos. 'Na afetividade, na interação social e sensorial. Mesmo que algumas crianças não falem, o contato visual também faz parte da linguagem. O passo do cavalo estimula ao tato e a manutenção do equilíbrio. Isso ajuda as crianças a compreenderem o próprio corpo', explica.

Ainda conforma Olga, das cerca de 50 pessoas atendidas pelo Instituto Lado a Lado atualmente, na região, 30% são de casos de autismo.

'Melhorou 100%'

Viviane da Silva tem dois filhos autistas: Estevan, 10 anos, e Henrique, 7. Ambos estudam na Apae de Venâncio Aires e a mãe garante: 'melhorou 100%'. Ela conta que o mais velho lê e escreve, tanto que já foi matriculado no 2º ano da Escola Benno Breunig. 'O Estevan fala muito bem, está indo na escola regular também. Todos esses anos na Apae foram fundamentais para a melhora dele. Tem gente, aliás, que tem preconceito com a Apae, mas a assistência que temos lá é 10.' Os filhos de Viviane frequentam a Apae desde os dois anos de idade.

Quem também destacou o trabalho da associação foi Jeniffer Zvirtes. Ela é mãe do Kairon, 8 anos, que vai na Apae todas as manhãs. 'Antes ele não conversava, agora fala com a gente, pede as coisas. Também era muito agitado, ninguém podia chegar perto. É outra criança agora. É muito importante a dedicação e a paciência que as 'profes' têm com eles.'

Jeniffer mencionou ainda a importância do diagnóstico precoce. 'O Kairon melhorou bastante, talvez se tivesse ido antes, estaria ainda melhor. Mas eu mesma ignorava completamente o que é autismo. Só descobrimos quando ele tinha 4 anos, porque demorou para falar. Depois que a fonoaudióloga encaminhou para um neurologista, em Porto Alegre, tivemos a certeza.'

Foto: Débora Kist / Folha do MateEstevan frequenta a Apae, mas desde o início do ano, também está na escola regular
Estevan frequenta a Apae, mas desde o início do ano, também está na escola regular

ASSISTÊNCIA

Estevan, Henrique e Kairon estão entre os sete alunos de uma turma específica para autistas, que começou em fevereiro, na Apae de Venâncio Aires. Eles participam de atividades pedagógicas e de estímulo à autonomia, trabalho realizado pelas professoras Paula Cristina Fernandes e Rockjajana Griesang. 'É maravilhosa a oportunidade de ver essa melhora. E a gente melhora também, porque aprendemos e somos surpreendidos todos os dias', destaca Paula, ao ver um dos alunos sobre o cavalo. 'Ele vive se 'escondendo' e agora está lá, puxando o cavalo e até montando.'

A diretora pedagógica da Apae, Grazieli Winkelmann, também comemora os resultados. 'Percebemos logo a melhora e quanto mais cedo o diagnóstico, melhor. E isso passa pela educação infantil, onde as professoras de Emeis têm dado informações e contribuído muito para que as crianças tenham o devido encaminhamento.'