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Programa de Segurança Alimentar apreende mercadorias em Vale Verde

por: Claudio Froemming
Data: 29/03/2018 | 17:13
Foto: Claudio Froemming / MP/divulgaçãoFiscalização apreendeu produtos em três estabelecimentos comerciais
Fiscalização apreendeu produtos em três estabelecimentos comerciais

Na manhã da quarta-feira, 28, três estabelecimentos do município foram fiscalizados durante uma ação da Força-Tarefa do Programa Segurança Alimentar. Conforme informações publicadas no site do Ministério Público do Rio Grande do Sul, cerca de uma tonelada de alimentos considerados impróprios ao consumo foi inutilizada. As apreensões se concentraram em alimentos sem procedência, com prazo de validade vencido, alguns armazenados de forma irregular e falhas nas questões relativas à higiene.
Em um dos estabelecimentos o proprietário foi preso por crime contra as relações de consumo, sendo conduzido à DP de Santa cruz do Sul, onde foi liberado após pagar fiança. Participaram da ação o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco - Segurança Alimentar), Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, o secretário de diligências de General Câmara, representantes da Delegacia do Consumidor da Polícia Civil, uma representante da Vigilância Sanitária Municipal de Vale Verde, do Procon e das Secretarias Estaduais da Agricultura e da Saúde.
PREFEITURA
A prefeitura de Vale Verde disse que está encaminhando uma comissão que irá cuidar de assuntos relativos ao Selo de Inspeção Sanitária (SIM) e da organização de agroindústrias, que venham a possibilitar a comercialização de produtos da agricultura familiar.
EMATER
Conforme o engenheiro agrônomo da Emater do município, João Antonio Leal da Silva a entidade também está trabalhando no apoio à criação de agroindústrias, para que os produtores possam vender seus produtos dentro das exigências da lei. 'Quem já tem o selo do SIM precisa fazer algumas adequações, e quem não tem, terá que se enquadrar', explicou ele.
INDIGNAÇÃO
Moradores de Vale Verde estão indignados com a ação que consideram exagerada. A proprietária de um estabelecimento comercial do município, Paula Kist, disse que compra produtos destes estabelecimentos e que nunca teve problemas. 'Nesse país tudo é muito contraditório, pois apreenderam salsicha fora do prazo de validade, mas produzir e vender um alimento tão prejudicial á saúde como a salsicha pode. A JBS vende carne com papelão, enquanto que a carne daqui é excelente e com preço mais acessível, sendo que clientes de diversas cidades do Estado compram aqui, justamente por serem de animais produzidos por pequenas propriedades, e não de grandes confinamentos e frigoríficos", justificou Paula.
Afirmou que o mel produzido em Vale Verde é excelente e vendido com rótulo e acompanhado pela Emater, mas que mesmo assim foi apreendido. Também citou os ovos dos produtores rurais que foram recolhidos. 'Então só nos resta os ovos de granja, que são cheios de hormônios e com pouquíssimos nutrientes', desabafou a empresária. Ela concluiu dizendo que entende que existem leis a serem seguidas, mas que há muita incoerência, e que por isso, o empreendedorismo não acontece de verdade, pois são pesos e medidas sem harmonia.
O agricultor e metalúrgico Waldir dos Santos Carvalho, morador de Porto Alegre e que tem uma propriedade em Vale Verde, disse que uma vez por mês vai ao município comprar carne nos açougues e nos outros estabelecimentos fiscalizados, e que nunca teve problemas com falta de higiene ou de conservação dos produtos. 'Gosto de comprar alimentos da colônia e acho que é um exagero a cobrança da lei com relação à comercialização de alguns em específico. Que eu saiba nunca houve um caso de intoxicação por exemplo, por consumo de carnes ou embutidos comprados em Vale Verde, e por isso vou continuar comprando', disse Carvalho.
O veterinário porto-alegrense Airton da Rosa dos Santos, que também é produtor rural em Vale Verde também compartilha da mesma opinião. 'Eu compro carne e vários produtos coloniais no município e afirmo que vou continuar consumindo, pois são de qualidade e nunca tive nenhum tipo de problema', defendeu ele.