fechar

Pássaros que dormem em antena telefônica incomodam moradores

por: Claudio Froemming
Data: 10/02/2018 | 11:41
Foto: Claudio Froemming / Folha do MateCuricacas indo dormir na antena
Curicacas indo dormir na antena
Foto: Claudio Froemming / Folha do MateBando de curicacas, que atualmente está em menor número, vêm causando problemas para os moradores mais próximos da antena onde elas dormem
Bando de curicacas, que atualmente está em menor número, vêm causando problemas para os moradores mais próximos da antena onde elas dormem
Foto: Claudio Froemming / Folha do MateCuricacas dormem em antena telefônica que fica entre residências no centro de Vale Verde
Curicacas dormem em antena telefônica que fica entre residências no centro de Vale Verde

Na Avenida Assis Brasil, centro de Vale Verde, tem uma antena pertencente a uma companhia telefônica, a qual possui 88 metros de altura, e que há aproximadamente três anos, passou a receber a visita de um bando de pássaros conhecidos como curicacas, os quais adotaram a torre como dormitório.
No início todos achavam bonito e curioso, pois não é comum que aves silvestres escolham a parte urbana da cidade para dormir. Porém para alguns que residem ao lado da antena, a presença das aves passou a ser um incômodo, por conta das suas fezes principalmente. O morador Milton Muller relata que ao chegarem para dormir à noite e ao saírem pela manhã, os pássaros defecam em sua casa, nas calçadas e inclusive sobre seu carro. Afirmou que outro problema seria as pulgas, e por isso, ele quer a retirada dos animais do local.
Seu vizinho Silvio Zinn também quer uma providência e reclama das mesmas coisas, sendo que reforça ainda que o mau cheiro passou a ser um problema, e que se preocupa também com a possibilidade de doenças. 'As aves já deixaram o local algumas vezes, mas retornaram, e a quantidade das aves também oscila', explica o morador.
O biólogo e mestre em tecnologia ambiental de Santa Cruz do Sul, Nilmar Azevedo de Melo, destaca que não é normal que estas aves procurem centros urbanos, mas que provavelmente elas se sentiram seguras na antena telefônica. As aves vão para a cidade em busca de comida e abrigo, já que o habitat natural delas foi degradado. Estas aves estão associadas a áreas úmidas, próximo a rios, arroios e banhados, porém a drenagem e alteração destes recursos hídricos pela atividade agrícola e parcelamento de solos para fins residências, vem reduzindo constantemente o habitat natural da fauna silvestre, afirmou Melo.
Ressaltou que é difícil retirar as aves do local sem infringir em crime ambiental, e que por isso, o ideal seria aguardar a mudança de local do bando por conta própria, o que pode acontecer a curto ou longo prazo. O biólogo entende as reclamações dos moradores, mas aponta um benefício das aves, que prestam um serviço para a comunidade, pois comem ratos e cobras, o que resulta em um controle destes animais. Destaca também que a ocorrência de pulgas, não está associada com a presença das curicacas.
O Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura ainda não havia sido notificada pelo problema, mas afirmou que irá estudar e pesquisar se há uma forma de impedir os pássaros de dormirem no local sem prejudicá-los.
SOBRE A CURICACA
Este animal alimenta-se durante o dia e também ao pôr-do-sol. Tem alimentação variada, composta por centopeias, aranhas, insetos adultos e larvas, entre outros invertebrados, podendo predar ainda pequenos lagartos, ratos, caramujos, anfíbios e pequenas serpentes, e até mesmo aves menores. Seu bico, longo e curvo, é adaptado para extrair larvas de besouros e outros insetos da terra fofa. É um dos poucos predadores que não se incomodam com as toxinas liberadas pelo sapo (Bufo granulosus), por isso este anfíbio pode fazer parte de sua dieta.
O macho costuma ser um pouco maior que a fêmea, atingindo 69 centímetros de comprimento e cerca de 143 centímetros de envergadura. Distinguível pela coloração clara, asas largas e bico longo e curvo. Costuma pôr de dois a quatro ovos, em ninhos de gravetos nas árvores ou mesmo grandes rochas nos campos.
Os ninhos formam colônias numerosas durante o período de reprodução. Habita campos secos, alagados e pastagens. Presente em grande parte do Brasil onde haja vegetação aberta e lagoas, campos em solos pantanosos ou periodicamente alagados, como na Ilha de Marajó (Pará), Pantanal e Ceará. Encontrada também no Paraguai, norte de Argentina, norte de Uruguai e parte da Bolívia.