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Sindicatos querem intensificar mobilização contrária à Reforma da Previdência

por: Débora Kist
Data: 08/03/2019 | 08:00
Foto: Débora Kist / Folha do MateRepresentantes de quatro sindicatos estiveram reunidos com o deputado Heitor Schuch
Representantes de quatro sindicatos estiveram reunidos com o deputado Heitor Schuch

Uma semana após a primeira reunião entre representantes de alguns sindicatos de Venâncio Aires, contrários à Reforma da Previdência, as reivindicações locais devem ficar mais próximas de Brasília. A primeira tentativa de 'ecoar' na capital federal será através das mãos do deputado federal Heitor Schuch (PSB), que esteve no município nesta quinta-feira, 7, durante encontro no Sindicato do Fumo, Alimentação e Afins.

O parlamentar recebeu um documento onde os sindicatos do Fumo, do Calçado e Vestuário, dos Metalúrgicos e dos Trabalhadores Rurais - presentes no encontro - pontuaram aquilo que consideram as maiores perdas para as classes trabalhadoras. Entre elas, o abono do PIS (Programa de Integração Social). Atualmente, ele é pago a quem tem vencimentos de até dois salários mínimos, mas passará a ser de direito de quem ganha até um salário mínimo.

'Isso vai atingir 95% dos trabalhadores do calçado, por exemplo', destacou o presidente do Sindicato do Calçado e Vestuário, João Émerson Dutra de Campos. Segundo ele, são cerca de 1.700 trabalhadores do setor em Venâncio Aires e Mato Leitão, municípios abrangidos pelo sindicato. No caso dos metalúrgicos, segundo o presidente do sindicato, Adolfo Celoni da Rosa, são 80%.

Além do abono do PIS, outra reclamação é sobre o aumento da idade mínima para aposentadorias e o salário-família, que passará a ser benefício de quem recebe até um salário mínimo, no máximo.

TENTATIVA

Schuch ouviu as reivindicações, mas foi categórico: para certas demandas, será necessário ampliar a mobilização. 'Para mim, é muito fácil entender isso aqui, pois sou da oposição e também vejo que haverá muitos prejuízos. Eu sei o que tenho que fazer, mas é importante que aqui vocês [sindicatos] também continuem tentando e se mobilizando.'
O deputado afirmou que levará o assunto aos colegas da Câmara e também para o senador gaúcho Paulo Paim (PT), coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social.

Embora não escondessem uma preocupação geral durante a reunião, os representantes dos sindicatos falaram em continuidade das mobilizações. 'Vamos tentar e continuar. Vamos explicar isso para os trabalhadores, dos prejuízos que estão por vir', mencionou Rogério Siqueira, presidente do Sindicato do Fumo, Alimentação e Afins.

Parte da mobilização vai passar por uma ida nas empresas, quando será entregue um material informativo com as principais pautas da reivindicação. O roteiro e como esse 'corpo a corpo' será feito deve ser definido nos próximos dias. A ideia é intensificar a mobilização até o dia 22 de março, quando está previsto um ato nacional de luta contra a Reforma da Previdência na capital federal.

COMITÊ

Representantes dos sindicatos dos Servidores Públicos Municipais e Construção Civil e Mobiliário foram convidados para participar das ações propostas pelo, agora retomado, Comitê Suprassindical, mas não participaram da reunião de ontem. Assim, segundo Rogério Siqueira, 'oficialmente' o comitê é composto pelos sindicatos do Fumo, do Calçado e Vestuário, dos Metalúrgicos e dos Trabalhadores Rurais. Esses quatro representam quase 19 mil trabalhadores.

No dia 18 de março, o líderes sindicais do município devem ocupar a tribuna da Câmara de Vereadores de Venâncio Aires para falar do assunto. O pedido foi protocolado pela vereadora Sandra Wagner (PSB), que também representa o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR).