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Caso Marder: Juíza começa a ouvir os quatro réus

Salão do júri está lotado

por: Alvaro Pegoraro
Data: 03/05/2019 | 09:13  Atualizado: 03/05/2019 | 12:12
Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateDepoimento do Antônio, que confessou ter dado os golpes de faca em Júlio Marder
Depoimento do Antônio, que confessou ter dado os golpes de faca em Júlio Marder

Depois de ouvir as quatro testemunhas, a juíza Márcia Wrasse começou a ouvir os quatro réus acusados pela morte do bancário Júlio Assmann Marder. Ele foi morto a facadas, no fim da noite do dia 26 de outubro de 2017, dentro da casa onde vivia com a companheira, Salete de Azevedo, 46 anos, localizada próximo ao estádio Edmundo Feix, no bairro Aviação.

O primeiro réu a depôr é o mecânico Antônio Oestreich que confessou a autoria do crime, mas disse que não foi conforme o noticiado. Falou de problemas com compra e venda de cavalos, negócios que tinha com Júlio Marder. Disse que na noite do crime estava no centro da cidade e conversou com Marder. Contou que tinha ingerido bebidas alcoólicas e cheirado cocaína. Depois saíram, deram umas voltas e foram até a casa dele. Oestreich disse que foi orientado a ficar na sala, enquanto ele buscaria parte do dinheiro que lhe devia, por conta dos 'briques' com cavalos. Porém, disse que Marder voltou armado e ele tentou se defender. Brigaram, retirou a faca da vítima e desferiu alguns golpes.

Relatou que no dia do crime não viu Márcia e Salete. Depois das facadas, disse que ficou desesperado e pegou a Captiva, que estava na rua, para ir embora. Garantiu que só pegou a caminhonete para fugir e negou que tenha vendido os celulares de Marder e Salete. Sobre a mudança no teor do depoimento que prestou na Delegacia de Polícia, mencionou que foi orientado pelos policiais a dar aquele depoimento. Disse à juíza Márcia Wrasse que o seu vício nas drogas contribuiu para aquele resultado.

O segundo a depôr no Fórum de Venâncio Aires, é Marcos Figueiró. Ele relatou que Márcia e Salete eram amigas e mencionou que conheceu Oestreich porque sabia que ele era um bom mecânico. Negou qualquer envolvimento no crime. Sobre a acusação de ter ido resgatar o mecânico em Linha Coronel Brito, onde a Captiva foi abandonada, negou tudo.

A terceira a depôr é Márcia. Ela confirmou que era amiga de Salete e que no dia do fato almoçaram juntas e à noite foi à casa da amiga, colocou o seu carro, um KA, na garagem e permaneceu lá por cerca de uma hora. Sobre o envolvimento no crime, negou.

A quarta a ser ouvida é Salete, companheira de Marder na época dos fatos. Sobre a denúncia de ter participação no crime, negou tudo. Disse que morava com ele há um ano e oito meses e que na noite do crime, Marder saiu para ir a uma janta. Referiu que ele voltou por volta da meia-noite e deixou o carro do lado de fora. Ela abriu a porta para ele e lembra que ele falou que ia tomar mais uma bebida. Depois, lembra de ter ouvido o companheiro dizer que sairia novamente e voltou a dormir. "E quando acordei, por volta das 6h30min, abri a porta e vi o corpo dele", disse à juíza Márcia Wrasse. Então correu até a Brigada Militar e falou sobre o crime.

A companheira disse que ficou surpresa ao saber que era acusada de ter planejado o crime para receber um seguro de vida. Declarou que depois de abrir a porta da casa para Marder, foi dormir e não escutou mais nada, só acordando por volta das 6h30min. Sobre o crime, disse não saber porque está sendo acusada de envolvimento no fato. Reafirmando que estava sonolenta, pois tinha tomado remédios.

Finalizado o depoimeento de Salete, juíza deu intervalo de uma hora para almoço.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateRéus e seus defensores do crime, praticado em 2017
Réus aguardaram o julgamento presos

A defesa dos réus será feita pelos advogados Ezequiel Vetoretti (Salete), Jean Severo (Antônio) e Luiz Bretana (Márcia e Figueiró).

DEPOIMENTOS DAS TESTEMUNHAS

As testemunhas do caso foram ouvidas na manhã desta sexta-feira em uma sessão presidida pela juíza Márcia Wrasse e que tem na acusação o promotor Pedro Rui da Fontoura Porto. 

O primeiro a depôr é o escrivão João Luís Wagner. Ele foi o responsável pelo inquérito e fez um esclarecimento sobre o caso. Disse que o depoimento mais importante foi o do mecânico Antônio Oestreich. Ele referiu que foi levado até a casa de Marder por Márcia e que se escondeu, ficando à espera da vítima. Quando o bancário entrou, eles brigaram e Oestreich o esfaqueou.

O segundo a depôr foi um aposentado de 70 anos, vizinho de Marder. Ele disse que chegou em casa por volta das 21h30min e viu que tinha um carro na garagem da casa do bancário, que era um Ford KA. Ele jantou e foi dormir. Pela manhã, soube do crime e foi questionado se tinha visto o carro que era usado por Marder (uma GM Cativa), tendo respondido que não.

A terceira a depôr foi a filha de Márcia. A jovem de 28 anos disse que no dia do fato a Salete almoçou com ela e sua mãe, mas não notou nada anormal. À noite ela jantou com a mãe e garantiu que Márcia não saiu mais de casa.