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Temperatura freia consumo de pinhão e preço ainda se mantém estável

por: Edemar Etges
Data: 16/05/2018 | 07:52
Fape
Foto: Edemar Etges / Folha do MateAlexandre Wink estimativa que vai colher 300 quilos de pinhão este ano, mesma quantia da safra passada.
Alexandre Wink estima que vai colher 300 quilos de pinhão este ano, mesma quantia da safra passada.

Mesmo sem a majoração dos preços no início desta safra em relação aos praticados no ano passado, o consumo do pinhão ainda está bastante freado e isto ocorre em função do calor fora época que ocorreu nas últimas semanas. A tendência, segundo as expectativas dos comerciantes, é que este quadro mude a partir da chegada do frio, que faz aumentar o consumo e, se isto se confirmar, os preços também serão majorados.
E, conforme levantamento efetuado nos mercados e fruteiras locais, em sua quase totalidade, todo o pinhão comercializado em Venâncio Aires é trazido de fora do município, basicamente da região serrana do estado - municípios como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Farroupilha, e da Ceasa de Porto Alegre, que por sua vez traz a fruta dos estados de Santa Catarina - que registra uma produção 20% superior em relação à safra passada e do Paraná, que igualmente registra uma safra cheia.

PRODUTORES

Enquanto os produtores de outros estados registram uma safra cheia, alguns de Venâncio Aires estão colhendo uma safra igual a do ano passado, alguns, menor, e, outros, não estão colhendo nada, como é o caso de Gilnei Kreibich, morador de Linha Maria Madalena. Ele conta que este ano, se quiser comer algum pinhão, precisa comprar nos mercados da cidade ou de produtores da região serrana do município. Contando com mais de 50 matrizes produtivas, Alexandre Wink, morador de Linha Cachoeira, está entre os produtores do município que estão colhendo pinhão e, pelo rendimento das matrizes, ele acredita que vá colher em torno de 300 quilos, a mesma quantia da safra passada. O pinhão é um agregador de renda e Wink não vende para os mercados e fruteiras da cidade pois tem os clientes fixos que compram na propriedade. Toda produção é extrativista e ele sobe nas árvores para efetuar a colheita das pinhas - não ajunta do chão pois, como as matrizes estão localizadas no potreio, o gado come as frutas, e depois de colhidas, ele as guarda em sacos plásticos no galpão até ´explodirem`, ou seja, soltarem as frutas, quando então efetua a debulha. Este ano, observa Wink, a qualidade do pinhão não é tão boa e têm muitas pinhas falhas, que não produzem nada pois as frutas não se formaram.
A redução na produção é confirmada por Moisés Wink, também morador de Linha Cachoeira e irmão de Alexandre. Mesmo contando com uma grande quantidade de matrizes, ele não colhe pinhão para vender e apenas ajunta para o consumo próprio da família. Um dos problemas para a baixa produtividade das matrizes de Moisés é que elas se encontram plantadas muito adensadas e com pouco espaço para produzirem frutas. O plantio adensado é efetuado pela gralha, uma ave bastante comum naquela região e que enterra os pinhões. 'Quando as gralhas começam a cantar, é sinal de que o pinhão está pronto para ser colhido', observa Alexandre.

R$ 6
é o preço praticado pelos produtores do município que vendem o pinhão nas propriedades.

R$ 6,50 a R$ 9
é o preço do quilo do pinhão comercializado nos mercados e fruteiras de Venâncio Aires.

R$ 15 a R$ 18
foi o preço pelo quilo praticado pelas fruteiras e mercados no final da safra de 2017.