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Quando o diagnóstico muda a trajetória profissional

por: Cassiane Rodrigues
Data: 07/04/2019 | 12:00

Um diagnóstico que mudou a vida completamente. No início, tirou o chão, gerou choro e angústia. Depois, a tristeza deu lugar a uma nova forma de ver a realidade, deu lugar a esperança de poder ajudar mais famílias que convivem com o autismo.

Ramone Ferreira Mohr, 35 anos, é casada com Odair Mohr. Eles são pais de Djonatan Arthur Mohr, 8 anos, que foi diagnosticado autista com 2 anos e meio. A mãe conta que procurou ajuda devido ao filho não desenvolver a fala e brincar de maneira diferente de outras crianças. 'Ele enfileirava todos os brinquedos e isso me chamou a atenção', conta. Além disso, ele não conseguia ficar muito tempo parado e ficava irritado com frequência. 'Na época eu não sabia que eram sinais de autismo e os pediatras não percebiam por a consulta ser rápida', relata.

Foi um médico de Monte Alverne que encaminhou Djonatan para atendimento com o neuropediatra Cristiano Freire, em Santa Cruz do Sul. 'Quando a gente recebe o laudo parece que cai o mundo. Dá uma angústia pelo médico dizer que é algo que não tem cura', conta.

Após o diagnóstico, Ramone começou a estudar sobre o autismo para poder entender melhor a doença. 'Eu chorava muito, cada consultório que eu chegava os profissionais me acolhiam porque eu não tinha para quem perguntar, tirar dúvidas. O início foi bem difícil', conta.

Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoPassado o susto da doença, Ramone estuda para aprender mais formas de estimular no desenvolvimento do filho
Passado o susto da doença, Ramone estuda para aprender mais formas de estimular o desenvolvimento do filho
Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoDjonatan, de 8 anos, tem autismo e frequenta a Apae e escola regular no turno oposto
Djonatan, de 8 anos, tem autismo e frequenta a Apae e escola regular no turno oposto

MUDANÇA PROFISSIONAL
Ramone trabalhava na lavoura de fumo quando recebeu o diagnóstico do filho. Ela conta que era muito difícil porque ele chorava bastante e não queria ficar com outras pessoas que não fosse ela.
'O Djonatan queria que eu ficasse com ele todo o tempo, então eu decidi voltar a estudar para poder ajudar ele'.

Em 2016, ela ingressou no curso de Pedagogia no Centro Universitário Uninter. Diz que foi muito válida a experiência pois pôde compreender melhor como era o desenvolvimento da criança, o tratamento na escola. 'Eu li que o autista tinha muita dificuldade para conseguir se alfabetizar. Então decidi voltar a estudar para poder ajudar meu filho e outras crianças.'

Com 4 anos ele começou a ser atendido na Apae Venâncio Aires. 'Ele foi melhorando e evoluindo, a gente vai vendo os resultados e incentivando ele', diz. Além do atendimento com profissionais, como psicopedagoga e terapeuta ocupacional, Djonatan frequenta diariamente a escola para ser alfabetizado. Ele também frequenta o turno oposto na Escola Trem da Alegria. 'Ele tá conseguindo aprender, se concentrar e já fala algumas palavras', afirma.

FUTURO
Hoje, Ramone trabalha no setor de licitação de uma empresa de material hospitalar. No final deste ano, deve concluir a licenciatura em Pedagogia e, posteriormente, a intenção é fazer pós-graduação em psicopedagogia e neuropedagogia. 'Quero trabalhar com criança especial, este é meu sonho', conta.

'Quero ajudar as famílias a entender que o autista é capaz, ele consegue, mas precisa ser estimulado diariamente.'
RAMONE FERREIRA MOHR
Estudante de Pedagogia

Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoRamone conclui neste ano a licenciatura em Pedagogia e a intenção é trabalhar com crianças especiais
Ramone conclui neste ano a licenciatura em Pedagogia e a intenção é trabalhar com crianças especiais

Esperança azul para familiares de autistas

Ramone foi convidada a dar um depoimento como mãe em um evento realizado na Uninter em 2017. Na ocasião, ela disse que queria formar uma associação para que os pais pudessem dar apoio uns aos outros. 'Eu queria que os pais que recebessem o diagnóstico tivessem um lugar para procurar ajuda', conta.

Eles montaram um grupo de mães no WhatsApp, onde trocavam ideias. 'Falei com a minha tutora e a Uninter disponibilizou uma sala para que pudéssemos nos reunir', lembra. Em abril do ano passado foi realizada a primeira reunião da Associação Esperança Azul. Hoje, mais de 70 pais e profissionais da área formam o grupo que se encontra mensalmente. 'Conseguimos dar acolhimento, trocar experiências e conseguimos muito apoio de profissionais', conta.

Ramone é presidente da associação, que desenvolveu diversas atividades em alusão a Semana de Conscientização do Autismo. Ontem, uma palestra com o autista Marcos Petry, que é escritor e músico, foi realizada na Câmara de Vereadores. Neste sábado, uma atividade de entrega de folders explicativos sobre o autismo deve ser realizada no Centro.