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Produtor intensifica colheita do aipim para aproveitar preço em alta

por: Edemar Etges
Data: 14/04/2019 | 07:00
Fenachim
Foto: Edemar Etges / Folha do Mate Casal Brandão diversifica a produção com aipim
Casal Brandão diversifica a produção com aipim

O cultivo do aipim é de grande relevância econômica para milhares de agricultores familiares. Se fala muito em diversificação e em Venâncio Aires, isto é uma realidade, pois centenas de famílias produzem a cultura consorciada com o milho e erva-mate, por exemplo. A grande maioria da produção tem por finalidade a comercialização para a Ceasa, agroindústrias familiares e mercado local, além da subsistência familiar e alimentação de animais.

Com uma área não muito significativa - em torno de 0,5 hectare - o casal Adriano e Janete Brandão, de Linha Herval, tem na produção de aipim uma das atividades de diversificação e acredita que nos próximos dias, vai encerrar a colheita. O casal está intensificando as vendas para aproveitar o preço que ainda está bom, mas que já baixou bastante desde o início da colheita - em torno de 50% - quando uma caixa de 25 quilos era comercializada por R$ 30 e que pode chegar a R$ 8 até o fim da safra. Brandão lembra que no fim da safra passada, o preço chegou a R$ 4,50. 'Por este valor não compensa produzir aipim, pois aí estamos pagando para trabalhar', frisa.

O casal estima colher em torno de 250 caixas, número bem inferior às 5,6 mil caixas que produzia há alguns em uma área de 12,5 hectares. Esta oscilação de preços foi um dos fatores que fez o casal Brandão reduzir a área de aipim e investir na soja, cuja produção é toda mecanizada, desde o plantio até a colheita. 'Além disso, já não temos mais idade para continuar investindo forte no aipim, cuja produção demanda muito esforço físico, principalmente na hora da colheita', observa. Brandão acrescenta que as vendas são para um intermediário que vem de outro município, que busca o produto na propriedade.

AGROINDÚSTRIAS

Enquanto a maior parte do aipim é comercializada in natura, outra é industrializada e vendida descascada e congelada pelas agroindústrias familiares. Uma delas é a de Flávio e Isolaine Mallmann, localizada em Linha Grão Pará Baixo. O casal produz entre 2,5 hectares e três hectares e 95% do que processa, é produção própria, adquirindo de terceiros somente o que falta. Tendo produção própria, afirma Mallmann, consegue aproveitar todo o pé, desde as folhas ate as raízes menores, que são utilizadas para o trato dos animais da propriedade.

Instalada em uma área de 80 metros quadrados, a Agroindústria Mallmann industrializa entre 20 a 22 toneladas de aipim por safra. A partir do mês de maio, começa a produzir para fazer estoque, pois a raiz está madura e servirá para atender as demandas na época da entressafra. As vendas ocorrem para os mercados locais e para os programas governamentais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e para o exército de Santa Cruz do Sul, via Cooperativa dos Produtores de Venâncio Aires (Cooprova). O empreendimento conta com duas câmeras frias e dois freezers, o que proporciona congelar oito mil quilos de aipim descascado.


'Quanto maior for a produção própria, maior serão o valor e o rendimento.'
FLÁVIO MALLMANN
Empreendedor familiar

Saiba mais

2 mil hectares é a área ocupada pela cultura em Venâncio Aires.

1,1 mil hectares é a quantidade plantada em escala comercial.

900 hectares é a área destinada à subsistência familiar e alimentação animal das propriedades.

5 é o número de agroindústrias familiares que comercializam aipim descascado e congelado.

20 toneladas é a produtividade anual por hectare quando o aipim está pronto na lavoura.

R$ 13 a R$ 15 é o valor que os produtores estão comercializando a caixa com 25 quilos.