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Preço do leite reage e deixa produtor otimista

por: Edemar Etges
Data: 16/02/2019 | 09:00
Foto: Edemar Etges / Folha do Mate Itamara e César Schwengber estão otimistas quanto ao futuro da atividade leiteira
Itamara e César Schwengber estão otimistas quanto ao futuro da atividade leiteira

Para não ficar na dependência do tabaco e agregar renda com uma outra cultura ou atividade, a produção de leite foi um sonho alimentado durante anos pelo casal César e Itamara Schwengber, morador do Corredor dos Scherer, na Estância Nova.

Quando adquiriu a atual propriedade, há 11 anos, esta contava somente com seis hectares e aos poucos, o casal foi adquirindo mais áreas, totalizando, hoje, 16 hectares.

Desde aquela época, Itamara desejava trabalhar com a produção de leite e há cinco anos, o anseio se tornou realidade, quando o casal iniciou na atividade leiteira. 'O tabaco nos proporciona renda apenas uns meses enquanto o leite nos garante uma renda mensal', afirma Schwengber, acentuando que quando iniciaram nesta atividade, reduziram a quantia de tabaco, que nesta safra somou 30 mil pés.

Além disso, observa o produtor, o tabaco tem um custo de produção muito elevado e exige a contratação de mão de obra de terceiros - que também é cara, enquanto o leite envolve somente a mão de obra do casal e o custo de produção é bem menor.

Ao falar do valor que recebe por litro, Schwengber salienta que ele reagiu neste verão, quando recebeu por R$ 1.04 por litro em janeiro. 'Se o preço praticado no verão passado quando recebemos somente R$ 0,86 pelo litro não tivesse sido majorado, com certeza hoje, estaríamos pagando para produzir e talvez não estivéssemos mais na atividade', frisa.

O casal é integrado a uma cooperativa que fornece a ração e as sementes para as pastagens e recolhe o leite a cada dois dias. O casal conta com um resfriador com capacidade para 520 litros e uma sala de ordenha que não é mecanizada.

Entre os projetos para o futuro, está a construção de um galpão para abrigar o plantel leiteiro e a sala de ordenha toda mecanizada. Quando iniciaram na produção de leite, César e Itamara não contraíram empréstimo e utilizaram somente recursos próprios, justamente para não terem dívidas para pagar. A alimentação das vacas é a base de ração, silagem e pastagens. Para a silagem, são cortados em torno de seis a sete hectares de milho safra e safrinha. Tendo silagem própria, observa Schwengber, reduz muito o custo de produção.

IMPORTAÇÃO

Nesta semana, o governo federal voltou atrás e anunciou que seguirá taxando o leite em pó importado da União Europeia. Na semana passada, a notícia do fim das taxações, a qual certamente provocaria uma avalanche de leite em pó no mercado nacional, fez com que as lideranças sindicais dos trabalhadores rurais, tanto no estado como no resto do país, se mobilizassem para reverter o quadro, isto é, taxar as compras de leite pelos importadores.

Schwengber afirma que acompanhou um pouco estas notícias e salienta que a medida vai favorecer os pequenos produtores de leite, principalmente no próximo verão, pois neste período sempre cai o consumo. 'Se as taxas de importação realmente fossem mantidas. Com certeza, ficaria muito difícil nos mantermos na atividade', salienta. Ele acrescenta que de agora em diante, os reflexos ainda não seriam tão sentidos pois começa a haver uma reação no preço e aumento no consumo.

Saiba mais

Grupo do Leite

Desde que foi criado, César e Itamara participam das reuniões e atividades do Grupo do Leite de Venâncio Aires. Foi durante as palestras que ele se interessou e fez o curso de inseminador artificial, o que também reduz os custos de produção. Na propriedade, o casal conta com a assistência técnica do engenheiro agrícola do escritório municipal da Emater/RS-Ascar Diego Barden dos Santos.