fechar

'Olhos da cidade' estão quase fechados

por: Alvaro Pegoraro
Data: 23/02/2019 | 10:00
Fenachim
Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateDas 20 câmeras instaladas na área central e rotas de fuga, menos da metade está funcionando
Das 20 câmeras instaladas na área central e rotas de fuga, menos da metade está funcionando

Pensado para ser os olhos da segurança pública de Venâncio Aires, o projeto do monitoramento eletrônico não está cumprindo o seu papel. Das 20 câmeras que foram instaladas na área central, vias de acesso e locais considerados rotas de fuga, menos da metade funciona. As que estão em condições são monitoradas por um servidor da reserva da Brigada Militar, mas as demais sucumbem à manutenção.

Equipamentos caros e de alta qualidade - o projeto inicial custou R$ 800 mil - , são capazes de identificar uma pessoa ou placa de veículo a uma distância de 800 metros. Se monitoradas, viram importantes aliadas no combate à criminalidade, no esclarecimento de situações diversas, como acidentes e infrações de trânsito, e servem como provas.

As imagens também podem ser usadas em outras situações. Ontem pela manhã, por exemplo, um cão de poucos meses de vida foi atropelado na área central da cidade, bem próximo de onde há uma câmera de monitoramento. O animal estava solto, brincando com seu dono - que é um artista de rua -, quando escapou e correu atrás de uma charrete, que passava pelo local, a esquina das ruas Tiradentes e Voluntários da Pátria.

Logo atrás da charrete seguia uma caminhonete, que passou sobre o animal e foi embora. O cãozinho foi socorrido, colocado sobre a calçada e acariciado por quem passava pelo local, mas agonizou até a morte. O dono do animal lamentou, mas descreve o fato como um acidente.

Já uma mulher que estava naquele cruzamento, disse que o motorista poderia ter evitado o atropelamento. "Ele viu o cachorro e não freou. Fiquei tão nervosa que nem consegui anotar a placa da caminhonete. Não sei como pode ter gente assim", desabafou. Se a câmera estive funcionando e sendo monitorada, o causador do atropelamento já estaria identificado.

Afora a falta de manutenção e a dificuldade em conseguir mais brigadianos da reserva para fazer o monitoramento da central, que funciona junto ao quartel da 3ª Companhia, a capitão Michele da Silva Vargas cita a falta de poda em algumas árvores. "As câmeras conseguem fazer um giro de 360 graus e são eficientes, mas há locais que a visibilidade fica encoberta por galhos e folhas", explica.

Falando da falta de manutenção, o que deixa mais da metade dos equipamentos desativados, a comandante da 3ª Cia citou um furto praticado no começo do mês, próximo à sinaleira existente no cruzamento das ruas Júlio de Castilhos e Voluntários da Pátria. "Se a câmera estivesse funcionando, certamente teríamos flagrado a ação", disse.

CONTRAPONTO
O coordenador do Departamento de Trânsito concorda que há algumas câmeras estragadas e disse que está sendo feito um levantamento para a contratação de uma empresa que fará a manutenção dos equipamentos. Dário Martins também revelou que estão sendo feitos estudos para a construção de um novo centro de videomonitoramento na Capital Nacional do Chimarrão.

Neste novo prédio, explicou, serão construídas salas adequadas e compatíveis com a função. "Estamos trabalhando com isso e já levamos esta possibilidade ao conhecimento da capitão Michele", observou Martins. O coordenador não deu mais detalhes deste projeto.

"Além da manutenção, é necessário uma poda correta nas árvores, pois há locais onde as folhas e galhos impedem a visibilidade, visto que as câmeras têm um alcance de 360 graus."

Michele da Silva Vargas
Cap., comandante da 3ª Cia