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Nasce uma mobilização para asfaltar a ERS-244

Lideranças políticas municipais, estaduais e federais se reúnem hoje para formar uma comissão e buscar apoio para a ligação asfáltica

por: Letícia Wacholz
Data: 25/02/2017 | 07:15
Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do Matepontes são a única lembrança de um sonho alimentado em 1998 que ainda não foi concretizado
Pontes são a única lembrança de um sonho alimentado em 1998 que ainda não foi concretizado

Uma reunião-almoço, neste sábado, vai reunir prefeitos da região e deputados estaduais e federais por um objetivo em comum: buscar apoio para viabilizar o recomeço das obras da ERS-244, rodovia que liga Venâncio Aires a Vale Verde. Este é mais um capítulo de uma mobilização que se arrasta há governos e já foi frente de trabalho de muitos políticos. Iniciada em setembro de 1998, a obra que deixou como legado cabeceiras de pontes abandonadas nunca foi concluída por falta de recursos e de um compromisso efetivo dos últimos governos gaúchos.

O encontro que será realizado no Parque do Chimarrão, a partir das 11h, tem como objetivo principal criar uma comissão pró-244 que vai liderar, com o apoio político de deputados estaduais e federais, um movimento em busca de recursos e emendas para viabilizar a obra de ligação asfáltica. A presença dos prefeitos de Venâncio Aires, Giovane Wickert (PSB); de Vale Verde, Carlos Gustavo Schuch (PMDB); de Passo do Sobrado, Hélio de Queiroz (PTB) e; de General Câmara, Helton Barreto (PP) está confirmada, assim como dos deputados estaduais Edson Brum (PMDB), Marcelo Moraes (PTB) e o federal, Heitor Schuch (PSB).

A reunião é organizada por Dário Martins, agente penitenciário aposentado, que foi vereador e secretário municipal. Embora faça parte do governo Giovane Wickert como coordenador da Defesa Civil e coordenador do Departamento de Trânsito, Martins afirma estar encabeçando o movimento como morador de Venâncio Aires e também de Vale Verde. 'Precisamos fazer alguma coisa por essa rodovia. Tenho um vínculo muito grande com Vale Verde e com as pessoas que sofrem com o deslocamento neste trajeto', observa.

Após a organização de uma comisão, a proposta é somar apoio, também, de empresas e dirigentes para mostrar a importância da ligação asfáltica para a região. Já o apoio dos deputados visa a articulação de emendas parlamentares e a construção de uma relação política mais próxima. 'Só quem pode abrir as portas do Governo são os deputados', frisa Martins.

Para ele, a obra significa mais do que apenas uma ligação entre municípios, mas o desenvolvimento e a qualidade de vida dos moradores. 'A população de Vale Verde e Passo do Sobrado tem em Venâncio a referência para muitos serviços, inclusive médico e hospitalar', acentua.

Além da rodovia ser uma alternativa para escoar a produção, a 244 pode contribuir para desafogar o trânsito na RSC-287 em direção à região metropolitana. A estrada inicia no entroncamento do trevo da RSC-287 com a 453, e tem 16,8 km de extensão até se encontrar com a RS-405, em Vale Verde, e seguir para General Câmara e BR-290, em direção à Capital ou para o porto de Rio Grande.

DÁLIA ALIMENTOS

Um dos argumentos para a importância da rodovia é o investimento que está projetado pela Dália Alimentos, em Vale Verde. A cooperativa de Encantado quer levar toda a produção de matrizes de corte, o que totalizaria seis granjas ocupando em torno de doze hectares cada uma. O negócio prevê investimento de R$ 16,5 milhões na primeira fase.


LINHA DO TEMPO

-Em 1980, no seu quarto governo o prefeito Alfredo Scherer (PMDB-1977/1982) começou a abrir a estrada com máquinas da Prefeitura em parceria com a Companhia Intermunicipal de Estradas Alimentadoras (Cíntea), autarquia do Governo do Estado, para encurtar a distância entre Passo do Sobrado e Vale Verde, com Venâncio Aires.

Foto: Reprodução / Arquivo Folha do Mate.
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-Em setembro de 1998, a De Boni Engenharia começava a construir a primeira de três pontes, com 110 metros. Outras duas pontes, de 80 e 20 também foram construídas para depois pavimentar a rodovia. Era o final do governo Antônio Brito (PMDB) -1995/1998.

-No governo Olívio Dutra (PT) -1999-2002- as obras não tiveram continuidade e nunca mais reiniciaram. Várias tentativas foram feitas. O político Leandro Haag foi uma das lideranças que se mobilizou no governo Yeda Crusius (PSDB-2007/2010) e depois, no governo Tarso, mas também sem êxito.