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Mobilização quer garantir tratamento de células-tronco na Tailândia para o pequeno Antony

por: Juliana Bencke
Data: 16/01/2019 | 07:00

Um menino de cabelos loiros, olhos castanhos e brilhantes têm mobilizado centenas de pessoas, em busca de um tratamento do outro lado do mundo. Nos últimos dias, a história de Antony Sackser de Mello, 3 anos e 10 meses, repercutiu nas redes sociais e ganhou as rodas de conversa no município.

Depois de uma encefalite viral que deixou lesões cerebrais e comprometeu o desenvolvimento do venâncio-airense, em 2017, a família iniciou, no fim do ano passado, uma campanha para arrecadar o valor suficiente para o tratamento com células-tronco, na Tailândia.

Foto: Juliana Bencke / Folha do MateAcompanhado da mãe, Juliana, Antony realiza sessões diárias de fisioterapia, além de outros tratamentos em busca da reabilitação
Acompanhado da mãe, Juliana, Antony realiza sessões diárias de fisioterapia, além de outros tratamentos em busca da reabilitação

'A aplicação de células-tronco na medula pode estimular o desenvolvimento dele. Conversamos com pessoas que realizaram esse tratamento e elas tiveram uma evolução muito grande', destaca a mãe, Juliana Andréia Sackser, 34 anos, que se dedica exclusivamente aos cuidados do filho, desde que convulsões, em 31 de maio de 2017, interromperam a vida normal da família.

Na época, Antony tinha 2 anos e 3 meses. 'Ele nasceu normal e se desenvolveu perfeitamente. Brincava, corria, desenhava, fazia de tudo', lembra Juliana. Na manhã de 31 de maio, a mãe foi chamada para a escola de Antony, pois o menino estava abatido. 'Levamos ele para a UPA e chegou vomitando e com desmaios.'

Em seguida, começou a ter crises de convulsão. 'Ele ficava com o olhar parado, os braços esticados e paralisados', lembra a mãe. Depois de dois dias internado no Hospital São Sebastião Mártir (HSSM), em Venâncio Aires, Antony foi transferido para o Hospital Santa Cruz (HSC), onde permaneceu por 23 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 'Ele chegou em coma e com uma lesão séria no cérebro. Os médicos não nos deram nenhuma esperança. Entregamos nas mãos de Deus e foram feitas muitas correntes de oração, em muitos lugares.'

No 21º dia de internação, contrariando as expectativas, Antony voltou a respirar, o que permitiu que fosse transferido, dois dias depois, para o Hospital de Clínicas, em Porto Alegre. Foram 53 dias de internação, diversos tratamentos, dezenas de exames, inclusive enviados para fora do país, e muitas dúvidas sobre o diagnóstico. 'Eram mais de 50 profissionais no caso dele e não se encontrava um diagnóstico. Por fim, a suspeita foi uma encefalite viral, uma infecção no cérebro. Como faltou oxigenação em alguns momentos, ele perdeu a coordenação motora, a lesão atingiu toda a parte da frente do cérebro', explica Juliana.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateOntem, Antony começou a realizar equoterapia
Ontem, Antony começou a realizar equoterapia, tratamento que utiliza o contato com o cavalo

Em busca de desenvolvimento

Foto: Arquivo pessoal / DivulgaçãoApós ajuda da comunidade, no ano passado, Antony pôde realizar tratamento na Ceneffi, em Porto Alegre
Após ajuda da comunidade, no ano passado, Antony pôde realizar tratamento na Ceneffi, em Porto Alegre

Para a mãe, Juliana Sackser, embora o caminho a percorrer ainda seja longo, em busca do desenvolvimento do filho, a evolução desde que voltou do Hospital de Clínicas, no fim de agosto de 2017, é muito grande. Antony já abre os olhos, já reage a estímulos como cócegas e faz movimentos involuntários com as mãos. Ontem, ele começou as sessões de equoterapia - terapia global realizada com o cavalo. Fora disso, realiza sessões diárias de fisioterapia, além de ter acompanhamento médico e fazer acupuntura.

 

'Ele voltou para casa imóvel. Os médicos disseram que ele iria apenas vegetar, mas isso não aconteceu. Estamos muito felizes com a evolução do Antony. Antes, ele não tinha nenhum estímulo facial e hoje já sorri', afirma Juliana.

Contente pelas evoluções do filho e com esperança de que o tratamento na Tailândia possa garantir que ele retome movimentos realizados por qualquer criança, a mãe se emociona ao ver o tamanho da mobilização em torno de Antony.

No ano passado, em 33 dias, a família arrecadou mais de R$ 49,5 mil para viabilizar tratamento de 5 meses, no Centro de Estudos e Fisioterapia para Funcionalidade e Integração (Ceneffi), em Porto Alegre. 'O custo é muito alto para nos mantermos lá. Meu marido trabalha e não tem como nos mudarmos para Porto Alegre', afirma Juliana, que pediu demissão para se dedicar aos cuidados de Antony.

Depois de conhecer a possibilidade de tratamento com células-tronco, Juliana, o marido Marcos Ismael de Mello, 39 anos, familiares e amigos lutam para conseguir levar Antony até o país asiático. O objetivo é arrecadar R$ 320 mil para custear dois protocolos de 30 dias, em um hospital tailandês. 'Ele não caminha, não segura a cabeça, não fala. Estamos sempre tentando alternativas para o desenvolvimento do nosso filho', detalha Juliana.

Saiba como ajudar

1 Uma campanha foi lançada no site Vakinha, por meio do qual é possível indicar um valor para ajudar e gerar um boleto ou realizar a doação via cartão de crédito.

2 Uma ação entre amigos busca arrecadar recursos para o tratamento de Antony. Cada número custa R$ 10 e os prêmios são um ar condicionado split de 9 mil BTUs, uma televisão de 32 polegadas Smart, uma luva de goleiro assinada pelo goleiro do Internacional e um kit de produtos Mary Kay. O sorteio ocorre em 6 de abril.

Foto: Arquivo pessoal / DivulgaçãoTerapias buscam desenvolver a coordenação motora do menino
Terapias buscam desenvolver a coordenação motora do menino

3 Uma galinhada será realizada no dia 9 de fevereiro, no bairro Macedo. A maioria dos ingredientes já foram doados, mas ainda é possível colaborar. Além disso, os cartões podem ser adquiridos com a mãe de Antony, pelo WhatsApp 99772 9441.

4 Também é possível ajudar com um depósito bancário na Caixa Econômica Federal: agência 0529, variações 001, conta corrente 000134109.