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Fumicultores iniciam semeio do tabaco da próxima safra

por: Edemar Etges
Data: 09/05/2019 | 07:00

Desde meados do mês de abril e com mais intensidade nesta semana, os fumicultores estão semeando o tabaco para a safra 2019/20. Com isso, a expectativa é do plantio definitivo a campo a partir da segunda quinzena do mês de junho, com mais intensidade nos meses de julho e agosto. Todo o sistema de produção das mudas é no sistema floating.

Com a estimativa de plantar um total de 100 mil mudas na próxima safra, o casal Pedro Erni e Valência Hoffmann, de forma conjunta com o filho Carlos Alexandre e a nora Kelim Hoffmann, encerraram o semeio nesta segunda-feira, 6. A quantia será a mesma da safra passada, quando colheram 1,2 mil arrobas. Conforme o comportamento do tempo e desenvolvimento das mudas nas bandejas, a expetativa é de efetuar o transplante definitivo a partir do dia 15 de julho. 'Antes disso, é muito cedo para plantar e as plantas não se desenvolvem a contento', resume Hoffmann.

O tabaco é a principal fonte de renda das famílias, que esperam que não ocorram incidências climáticas adversas, como temporais e granizo, pois o primeiro passo numa safra é conseguir colher todo o tabaco. E, após isso, esperam que as tabacaleiras comprem dentro da classe e paguem o preço justo pelo produto, pois o custo de produção é muito elevado. 'Os insumos são caros, a mão de obra igualmente é cara, pois no mínimo teremos de pagar R$ 10 a mais por dia para o diarista', frisa.

Foto: Edemar Etges / Folha do MateFamília Hoffmann concluiu na segunda-feira, 6, o semeio do tabaco da safra 2019/20
Família Hoffmann concluiu na segunda-feira, 6, o semeio do tabaco da safra 2019/20

REDUÇÃO

Uma preocupação das sete entidades representantes dos fumicultores em cada safra que começa, é com a manutenção ou até mesmo, a redução da quantia de tabaco a ser plantada. Segundo o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, nesta safra está havendo uma certa dificuldade na hora da comercialização pois as tabacaleiras estão constatando que a quantidade está acima do que foi inicialmente estimado. 'Sempre falamos nesta redução com base no consumo do cigarro tradicional que está caindo e ocorrendo o avanço do eletrônico', frisa.

Quanto ao cigarro eletrônico, Werner observa que duas questões precisam ser consideradas. A primeira é com relação à nicotina líquida que, segundo ele, não interessa para os produtores, pois não é sabido de onde provém o extrato, pois uma quantia é química e outra é extraída do tabaco.

O dirigente reforça que outro tipo de consumo de cigarro é o de tabaco aquecido. 'Este, sim, nos interessa, porque a gente sabe que tem tabaco em sua composição, porém, utiliza menos do que o cigarro tradicional. Trata-se de uma queda no consumo mundial em uma faixa dos 2%, 3%, e isto é mais fácil de administrar.'

O que realmente está preocupando as entidades é o aumento de produção de tabaco na África de modo geral, principalmente no Zimbabwe, que é grande produtor da variedade Virgínia e por isso, é concorrente do Brasil, pois produz um tabaco de qualidade e de menor preço. 'Por causa deste aumento de área na África, solicitamos aos produtores para que diminuam a área de plantio na safra que estão iniciando e se dediquem a produzir um produto de qualidade', destaca. Com isto, acentua Werner, os fumicultores terão um menor custo de produção em todas as fases da cultura e no final vai sobrar muito mais dinheiro.

Porém, para Pedro Hoffmann, reduzir a quantia que será plantada é complicado, pois como o tabaco é a principal fonte de renda da família, tem todas despesas da safra a serem pagas e sem falar que precisa manter a propriedade e um ano inteiro para viver da renda desta cultura. Além disso, a propriedade está estruturada para a fumicultura e trocar a matriz produtiva impactaria em muitos gastos.

'Se reduzirmos a área, tenho certeza que na próxima safra, na hora da comercialização, não vamos ter nenhum produtor triste com a compra que as tabacaleiras estão efetuando.'
BENÍCIO ALBANO WERNER
Presidente da Afubra

Entidades representativas

As sete entidades representantes dos fumicultores são: Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra); Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Fetag/RS); Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul); Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catariana (Fetaesc); Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc); Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e; Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado Paraná (Fetaep).