fechar

Em um ano, mais de 760 mil passageiros utilizaram o transporte coletivo urbano

por: Taís Fortes
Data: 10/08/2018 | 07:01

Uma das opções de deslocamento dentro da própria cidade é o transporte coletivo. Os urbanos, como muitos chamam, é a opção, muitas vezes, mais econômica e prática, principalmente, para quem precisa de transporte para ir ao trabalho, à escola ou a outros locais para realizar diversas atividades. Os ônibus levam, diariamente, centenas de pessoas de uma ponta à outra da cidade, com destaque para os safreiros das indústrias de tabaco.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateMaior número de passageiros do transporte coletivo urbano corresponde aos trabalhadores de tabacaleiras
Maior número de passageiros do transporte coletivo urbano corresponde aos trabalhadores de tabacaleiras

Neiva da Cruz de Azeredo, 51 anos, está na vigésima safra de trabalho na CTA. Diariamente, ela utiliza ônibus para se deslocar entre a casa, no bairro Gressler, e a empresa, no Distrito Industrial. 'Podia vir de bicicleta, mas como começo muito cedo, é muito perigoso. Prefiro vir de ônibus', diz ela, que pega o coletivo às 6h15min e inicia a rota para casa depois das 17h.

Assim como Neiva, a funcionária do setor de Recursos Humanos da mesma empresa, Neusa Pradella, 57 anos, aprova o transporte coletivo, embora utilize o serviço apenas eventualmente. 'A maioria dos trabalhadores vem de ônibus. As condições são boas', considera.

Para quem não utiliza o transporte coletivo, talvez a demanda passe despercebida. Mas, segundo o proprietário da Chimatur Transportes Coletivos, Adalberto Hamester, em 2017, 760.672 passageiros usaram o transporte coletivo para se deslocar pelas linhas da área urbana de Venâncio Aires. Deste total, 26,9% correspondem a funcionários de tabacaleiras e outros 24,19% a usuários com vale-transporte de diversas empresas. 

Também está incluso neste montante, o transporte de usuários considerados pagantes normais (22,33%), as gratuidades - deficientes e idosos acima de 65 anos - (17,12%) e os alunos da rede municipal (9,46 %). Do total de passageiros transportados no último ano no perímetro urbano de Venâncio, 60,55% correspondem a passageiros com vale-transporte de empresas, tabacaleiras e escolas. 

Ainda conforme Hamester, em média, 63.398 passageiros utilizaram, mensalmente, o transporte coletivo em Venâncio Aires, o que corresponde a cerca de 39.260 quilômetros rodados no perímetro urbano. Se pensar no fluxo diário, de segunda-feira a sexta-feira, foram transportados, em média, 2.881 pessoas pela área urbana do município, com uma média de 1.784 quilômetros. 'Dá para ir a Curitiba e voltar todos os dias', compara Hamester. 

Os roteiros com maior fluxo de passageiros são Coronel Brito, Centro, Santa Tecla; Santa Tecla, Centro, Coronel Brito; Bairro Gressler, Cidade Nova, Loteamento Bela Vista, trevo da Bela Vista, Altos da Aviação e Centro. Além destes pontos, as linhas passam por outros locais da cidade durante o trajeto.

Já os períodos com maior movimentação de passageiros são das 6h às 8h, das 10h30min às 14h e das 17h às 18h30min. Em média, são transportados 22 passageiros por horário. Hamester explica ainda que a partir de meados de dezembro até fevereiro, o número de passageiros diminui em cerca de 50%, em especial, por causa das férias coletivas de empresas e das escolas.

Desafios

Para Hamester o deslocamento dos ônibus pelos bairros de Venâncio Aires já melhorou muito com o asfaltamento das vias por onde os itinerários passam, mas ainda é necessário que haja uma infraestrutura melhor para o passageiro. 'Calçadas com paradas onde o passageiro possa esperar dignamente um ônibus', exemplifica. Para ele, os acostamentos, calçadas e paradas encontram-se precários nos bairros. Além disso, há poucos abrigos para os passageiros esperarem o transporte.

Ele ainda relata que hoje uma dificuldade encontrada na região central é que o ônibus leva muito tempo para se deslocar e também o fato de não existir um corredor exclusivo para estes veículos, como se tem em outros municípios. O empresário ainda cita a demora para conseguir atravessar a RSC-453 em horários de pico, em especial nos trevos da Battisti e da Coronel Brito. 'Às vezes se leva o mesmo tempo que seria usado para realizar toda a volta dentro do bairro e ir até o centro', acrescenta.

Ainda em relação aos desafios, Hamester cita a falta de respeito no trânsito, a falta de paciência de alguns motoristas e atitudes dos pedestres, que algumas vezes atravessam fora da faixa de segurança.

Safra

Atualmente, o maior número de passageiros do transporte coletivo urbano corresponde aos trabalhadores de tabacaleiras. São 204.702 pessoas que se deslocaram, no ano passado, das suas residência até as empresas onde atuam. Por causa disso, durante o período da safra, que varia de ano para ano, mas normalmente corresponde a mais ou menos cinco meses, os horários do transporte coletivo são ampliados.

Assim, os roteiros que tradicionalmente se iniciam às 6h durante o ano todo, nestes meses passa a funcionar na madrugada também, da 1h às 3h, reiniciando às 5h. Além disso, as linhas que normalmente se encerram às 20h, passam a ser finalizadas às 23h30min. 'Durante a safra temos quase 24 horas de ônibus rodando', observa.