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Ele preserva as raízes conectado com o mundo

por: Letícia Wacholz
Data: 12/05/2017 | 10:00
Foto: Letícia Wacholz / Arquivo/FM
Junior e a esposa e sócia, Grasiela durante premiação do Preferência Real

Seu Edimar e Dona Nely Bohn mal podiam imaginar, em meados dos anos 90, que o computador comprado com as economias do único filho homem seria o equipamento que iria inspirar a vida profissional e torná-lo um empresário de sucesso. Hoje, aos 37 anos, Junior Bohn coleciona um currículo com cursos, experiência e realização pessoal no ramo da informática e tecnologia.

É ao lado da esposa Grasiela Tarelli, com quem teve dois filhos - Mathias, de 7 anos e o Thiago, de 4 - que Bohn administra a FB Net, empresa provedora de acesso à internet via rádio e fibra óptica. Na edição de hoje, o empresário que cresceu em Linha Cecília, interior de Venâncio Aires, compartilha com os leitores da Folha do Mate um pouco da sua trajetória pessoal e profissional, marcada por inquietação, estudo e foco: 'Sempre fui muito técnico, gosto muito desta área e estudo diariamente. O empreendedor veio da necessidade de garantir uma estabilidade e enxergar oportunidades.'


Nossa função é conectar as pessoas ao mundo da internet"  - Junior Bohn 

Você se criou no interior. Quando resolveu vir para a cidade?

Sou natural de Linha Cecília onde meus pais sempre moraram comigo e minhas duas irmãs. Trabalhei com eles na lavoura até uns 15, 16 anos e depois consegui um emprego na antiga Umbro. Mais tarde voltei ao interior e trabalhei em torno de um ano e meio em uma marcenaria. Neste período eu fiz um curso de eletrônica e mecânica e, por volta dos 19 anos, me mudei para a cidade.

Onde você estudou?
Estudei na escola 25 de Julho de Linha Cecília, depois terminei o ensino fundamental na Léo João Fröhlich, de 17 de Junho. Já o ensino médio eu fiz na Cônego Albino Juchem.

Como iniciou sua relação profissional com a informática?
Eu sempre gostei de informática e eletrônica, desde muito novo. Nas minhas mãos, um rádio estragado era motivo de alegria, eu sempre queria mexer, abrir e fazer funcionar novamente. Eu comprei meu primeiro computador aos 18 anos e logo depois fui em busca de um emprego na área. Bati de porta em porta nas empresas de Venâncio e consegui uma vaga na Megatel Informática, onde atuei um pouco mais de meio ano no conserto de impressoras e monitores.
Foi buscando uma renda extra fora do horário que acabei parando na Espaço Informática, onde tive a oportunidade de aprender muito sobre assistência técnica. Foi o Seu Leo Bulow que me empregou e investiu muito na minha capacitação, comprando livros e nos incentivando. Foi o melhor chefe que eu já tive.

Você e sua esposa são sócios. Quando resolveram ter a própria empresa?
Conheci a Grasiela aos 19 anos e com 23 fomos morar juntos e abrimos a Perspectiva Informática. Na época, por volta dos anos 2000, fiz uma parceria com a empresa que eu trabalhava e já iniciei o meu negócio com a carteira de clientes que era da empresa Espaço. Nos primeiros anos trabalhamos focados na assistência e também oferecemos cursos de informática e manutenção no Senai. Anos mais tarde, diante da necessidade de oferecer assistência em internet aos meus clientes - na época só tinha o serviço pela OI e Viavale - comecei a comprar equipamentos e testar esse novo investimento, até abrir comercialmente. Foi assim que surgiu, em novembro de 2006, a FB Net. Há quatro anos vendemos a Perspectiva e passamos a focar, apenas no ramo de provedor de acesso à internet.

Quantas pessoas empregam e onde atendem?
São 28 pessoas em Venâncio, seis em Lajeado e mais nove em Porto Alegre. E tem vaga aberta, o problema é encontrar pessoas com qualificação. O povo reclama do salário, mas os estudos acabam ficando em segundo plano para muitos. Nesta área é preciso estudar muito, pois é um ramo que se reinventa o tempo todo.
Atendemos Venâncio, Mato Leitão, Santa Clara do Sul, Bom Retiro do Sul, Passo do Sobrado, um pouco do interior de Santa Cruz do Sul e do interior de Sério. Recentemente começamos a atender em Lajeado, Estrela, Arroio do Meio e Cruzeiro do Sul. Além disso, tenho uma segunda empresa em Porto Alegre, com um sócio, há cerca de um ano e meio, também nesta área, onde atendemos empresas como a Uber e a rodoviária.

Onde você mora atualmente?
Moramos em uma chácara na localidade de Santa Emília. Eu saio de manhã, sem importar o dia e em dez minutos estou no centro da cidade. Já recebi convite para atuar em São Paulo, por exemplo, mas meu lugar é aqui. A qualidade de vida que temos em Venâncio supera qualquer dinheiro que podemos ganhar.

Já é um empreendedor de sucesso. Onde almeja chegar?
Tenho a visão de atender o Vale do Rio Pardo e Taquari. Já tive proposta de atender em São Paulo, onde seria um mercado enorme, mas espero crescer bastante a minha empresa. Para se ter uma ideia, nos últimos três anos, dobramos ela de tamanho e estamos em um ritmo forte de crescimento.

Qual a importância de apoiar o projeto Folheando e o Folha Cidadania?
Como empresários, qualquer projeto que vise a educação, que possa deixar as pessoas mais informadas e inteligentes, que leve mais cultura até as escolas ou bairros, vamos apoiar. Esta é a única maneira de mudar algo no Brasil. Temos que abrir a mente e ver que somos apenas um pinguinho no oceano. Comigo eu quero que trabalhem pessoas com inteligência, que queiram aprender, por isso, aposto e invisto na qualificação de cada um. Se um dia eu perder um profissional porque é inteligente demais e vai ganhar o dobro do salário, eu vou saber que contribui de alguma forma com o aprendizado da comunidade.

Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoJunior e a esposa Grasiela e os filhos Mathias e Thiago
Junior e a esposa Grasiela e os filhos Mathias e Thiago