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Editorial: O 'valor' do esgoto tratado

por: Folha do Mate
Data: 12/08/2017 | 10:13

Venâncio Aires viveu um momento histórico na tarde desta sexta-feira, 11, com a inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto. A obra iniciada em 2011, após diversas prorrogações dos prazos de conclusão, foi entregue à comunidade na presença do governador do Estado, José Ivo Sartori. Uma presença ilustre para o descerramento da placa de um investimento que é realidade de pouquíssimos municípios do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Uma obra que tem um valor muito maior do que os R$ 32 milhões que a Corsan está investindo no projeto de coleta e tratamento de esgoto no município. A partir da operação da ETE, no bairro Morsch, a Capital do Chimarrão começa a escrever uma história de desenvolvimento em saneamento e saúde. O município vai sair da estaca zero em tratamento de esgoto e isso significa que, além de estar na lista de um seleto grupo de cidades que contam com este serviço, oferecerá mais saúde para a população que hoje despeja todos seu esgoto no mesmo arroio que fornece a água que bebemos e tomamos banho. É no Arroio Castelhano que deságua, sem tratamento algum, todos os efluentes que eliminamos.

Logo, logo esta realidade será diferente e, em uma primeira etapa, em torno de mil residências serão beneficiadas com o serviço que permitirá que a nossa água seja ainda mais potável para o consumo. É a nossa saúde que ganha com tudo isso.

A partir de agora, além da continuidade das obras que contemplarão a abertura de novas redes coletoras - para ampliar o número de residências atendidas - um outro importante passo deve ser dado e este não depende do poder público, mas sim, da população. É o momento dos moradores dos imóveis que já estão habilitados a receberem o serviço fazerem a sua parte, ligando a canalização até a caixa coletora instalada em frente aos imóveis. Somente com esta ligação será possível dar efetividade ao trabalho e fazer jus a uma obra que tem peso de saúde pública.

Obviamente, este é um trabalho individual e que terá um custo para os moradores. O valor da instalação inicial e o custo, mensal, pelo serviço. Assim como pagamos pelo abastecimento da água, pagaremos pelo tratamento de esgoto. Inicialmente, a ETE beneficiará 2.880 habitantes, mas a meta é abranger toda a população nos próximos anos. Em pouco tempo já se espera, em uma próxima etapa, atender 23,3 mil habitantes.

É a hora da população ter consciência de que esse é um investimento para a saúde. Não é imposto, não é suborno, é qualidade de vida. A destinação correta acaba com com a poluição de arroios, além de contribuir com uma diminuição significativa de doenças.

Este é um investimento para Venâncio se orgulhar e valorizar, inclusive os gestores das antigas administrações municipal e estadual, como também os atuais. São poucos que apostam em obras tão caras e que, como diz um velho ditado no meio político, não dão voto pois estão 'embaixo da terra'. Não há como negar que este é um dos investimentos estaduais mais importantes que Venâncio já recebeu em sua história. Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), a cada R$ 1 investido em saneamento, se economiza R$ 4 em saúde. A partir de agora, teremos a chance de fazer esta conta valer.
Sim, será uma conta dividida com todos ao longo do tempo, mas será um ganho incalculável para a saúde de cada venâncio-airense.