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Despedida: dupla angústia poderá ser amenizada

por: Beatriz Colombelli
Data: 05/02/2019 | 10:00
Fenachim

Dinny tinha os olhinhos brilhantes e como dizem os tutores 'só faltava falar'. Quando chegou à casa de sua família humana, mal cabia na palma da mão. Cresceu um pouquinho, pois era uma mistura de Fox com raça indefinida (SRD). No entanto, o amor à ela dedicado ficou gigante, relembram os tutores.

Ela era a companheira inseparável da dona Maria da Silva e de sua neta. Nos pés da vovó permanecia, ao lado da cadeira, ou embaixo da cama. Mas um sábado à tardinha, os olhinhos da companheira se fecharam para sempre. Ela que nunca saíra sozinha, naquele dia teve a infelicidade de atravessar a rua, quando sofreu um acidente, que lhe causou traumatismo craniano.

Naquela mesma porta que passava horas, ao lado de suas amigas, desfaleceu. Dinny tinha seis aninhos, quando encerrou esse capítulo de amor, amizade e companheirismo, há dez anos. A família relembra que ficou 'sem chão'. Além de perder a estimada, onde colocar aquele 'corpinho' tão indefeso, tão amado? O sofrimento pela perda e a despedida pareciam intermináveis. Mas era preciso achar um lugar para colocar os restos mortais. Junto à natureza? Porém não poderia ser em qualquer lugar. Pois, além do amor pelo animalzinho havia a preocupação com o meio ambiente, relembram os tutores.

CREMATÓRIO E NICHOS
Com o objetivo de amenizar o sofrimento de tutores e preocupado com o correto e digno destino dos pequenos animais de estimação quando de suas partidas, o empresário venâncio-airense José Kist idealizou o Crematório Pet Regional, junto ao cemitério Parque Jardim Bela Vista. 'A gente não quer a despedida, mas quando acontece não podemos descartar aqueles animaizinhos que nos acompanharam a vida toda, em qualquer lugar', destaca Zé Kist, como é popularmente conhecido.

O empresário, que acrescenta ser um 'admirador de animais' acredita que quando o 'dia chegar', os bichinhos têm direito a um local digno. 'Pra onde vamos levar àqueles que foram nossos companheiros por uma vida toda? Sem contar que precisamos nos preocupar com o meio ambiente', reflete.

NO LOCAL
Por isso, além do crematório, no local haverá uma recepção especial às famílias dos pets para a despedida. Ainda, para manter a memória dos animaizinhos, serão construídos 'nichos', em forma de ilha, onde poderão ser depositadas as cinzas dos estimados, se assim o tutor desejar. Do contrário, as famílias têm a liberdade ao destino final pós-cremação. A idealização deste espaço, segundo o empresário, foi algo bem pensado e levou tempo, por conta da legalização. Porém, ele projeta que em cerca de 90 dias o espaço pet estará em funcionamento.

Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoAnimaizinhos de estimação deixam lembranças, que poderão ser eternizadas em nichos, no município  (((Número box)))
Animaizinhos de estimação deixam lembranças, que poderão ser eternizadas em nichos, no município

PROJETO
1 Cremação, de âmbito regional, poderá ser individual ou coletiva, desde que ocorra a formalização e responsabilidade do tutor.

2 Serão construídos nichos numerados, em forma de ilhas, para colocar as cinzas dos pets se o tutor assim o desejar.

3 Tutor poderá, ainda, além da numeração no "nicho" colocar foto e homenagem.

4 Espaço será destinado para pequenos animais, como cães, gatos, hamesters e porquinhos-da- índia.