fechar

No Dia do Atleta Profissional, ‘Vovô’ narra suas jogadas

por: Beatriz Colombelli
Data: 10/02/2017 | 14:00
Foto: Beatriz Colombelli / Folha do MateAo lado dos filhos, Paulo Junior e Victor; neto Thaylor e da esposa, Liége,
Ao lado dos filhos, Paulo Junior e Victor; neto Thaylor (jogadores de basquete) e da esposa, Liége, Paulo Rogério dos Santos, revive as lembranças que se renovam a cada jogo, desde que começou aos 12 anos, no antigo Herval Mirim, em Venâncio

Medalhas, faixas e troféus, além das inúmeras fotos, decoram a sala na casa de Paulo Rogério dos Santos, 56 anos, "Vovô" como é conhecido no meio futebolístico. Ao lado da esposa, Liége da Silva, casados há 36 anos, o morador do bairro Gressler, "narra" com emoção as suas jogadas nos 21 clubes que atuou, as posições que jogou e as conquistas alcançadas em âmbito municipal, regional e estadual. Os recortes de jornais, especialmente, da Folha do Mate, são documentos que compõem o acervo de registros de sua carreira no futebol, guardados com muito carinho, tarefa que cabe para Liege.

 

xxx

O jogo não acabou

O pai do Juliano, 36 anos; Luciana, 34; Simone, 28; Paulo Junior, 16, e do Victor, 14, e de três netos - se orgulha dos filhos bem encaminhados e do legado esportivo seguido pelos dois menores e o neto Thaylor, porém na modalidade do basquete. Embora, Paulo Rogério tenha parado, profissionalmente, aos 35 anos, o segundo tempo está em andamento e a prorrogação vai ocorrer. Hoje, o atleta veterano que começou aos 12 anos, no antigo Herval Mirim de Venâncio Aires continua a colecionar conquistas. Em 2016, sagrou-se campeão invicto do campeonato municipal Máster de Canoas. Integrante da equipe do Cedrinho, na modalidade Futebol 7, ele está parado, temporariamente, para cuidar de uma lesão, mas não vê a hora de retornar ao campo.

FOLHA DO MATE: Conte-nos como começou a sua história com o futebol
PAULO ROGÉRIO DOS SANTOS: Comecei muito jovem. Aos 12 anos acompanhava meus irmãos que jogavam em um time bem antigo: o Herval Mirim. Em 1979, comecei no Cruzeiro e ficamos campeão regional. Dali em diante foram 21 clubes que joguei. Quase todos os clubes que passei, fiquei campeão. Em 1987, fui convidado para jogar no Guarani, então como profissional.

Como funcionava a questão profissional e os treinamentos?
Quando comecei no Guarani em 87, a gente tinha contrato. Na época trabalhava na CEEE [Companhia Estadual de Energia Elétrica]. Treinava às quartas-feiras e às sextas fazia o coletivo. No começo de temporada, tirava férias em janeiro, para me dedicar ao clube. A patroa até "brigava comigo" (riso) porque era o meu mês de férias. Se no começo ela não gostava, aprendeu a gostar. Ela me acompanhou sempre em todos os clubes que fui e até hoje. Também joguei profissional, em 1991, por uma temporada, no Avenida de Santa Cruz do Sul e também no Pinheiros de Taquari. Ainda, aos 40 anos fiquei campeão com o Boa Vista de Santa Cruz.

Qual a sua posição em campo ao longo destes anos?
No Guarani joguei em quatro posições: meia-direita, meia-esquerda, centro-médio. Quando subimos para a Primeira Divisão jogava de lateral-esquerdo.

Trabalho, profissão, futebol e família. Fale-nos um pouco destas múltiplas atividades
Na CEEE trabalhei de 1985 a 2014, quando me aposentei. Os filhos, especialmente, os três mais velhos, a mãe criou [Liége]. Filhos maravilhosos: enfermeiras, motorista e os dois mais jovens jogadores. [Liége interage] 'Filhos maravilhosos, rédeas curta, respeito e disciplina. A educação que tivemos passamos a eles.'

Em termos de salário, compensava em relação aos dias atuais?
Times que a gente ganhava era no Guarani, no Avenida e no Pinheiros. Antigamente era muito por amor a camiseta. Hoje é muito diferente.

Fale-nos um pouco deste sentimento ligado ao esporte
[...silêncio e lágrimas, apenas uma palavra ele consegue expressar: 'emoção'. [ emocionada a esposa continua]. 'Tenho guardado os recortes desta história.'

Foto: Reprodução / Folha do MateFolha do Mate (1988):
Folha do Mate (1988): "Bola num canto e goleiro no outro, mas Vovô decidiu e emocionado agradece"

Um comparativo de sua trajetória com a atualidade
Hoje os jogadores tem muito preparo físico. Em relação as discórdias, no início tinham também as rixas, mas terminava o jogoa gente saia abraçado. A gente vestia a camiseta.

Um conselho para os jovens que estão começando?
Não podem se achar o "cara". Tem que ser normal que vai longe. Dedicar-se aos treinos e ser humilde, muita disciplina. Valorizar o torcedor porque é ele que ajuda a pagar o salário do jogador. Aprender a valorizar o torcedor, respeitar e gostar muito daquilo que faz.

Moradores há 36 anos no bairro, o que mudou?
Tudo. Antes era mato. Agora aqui tem de tudo. Fica também próximo ao Cidade Nova. Com o asfalto e calçamento está ficando melhor ainda. [Liege reafirma].