fechar

Síndrome de Down: desenvolvimento e inclusão na escola

por: Juliana Bencke
Data: 03/04/2018 | 07:01

Quando Nicolas Felipe Hickmann, 4 anos, nasceu e Luzia Rejane Bittencourt, 43 anos, soube que o filho tinha síndrome de Down, não imaginava que ele poderia fazer o mesmo que outras crianças e que a escola seria um dos espaço preferidos do caçula. "Ele é muito esperto. Adora ir para a escola e para a Apae. Gosta do contato com as pessoas, de fazer novas amizades", conta a mãe, orgulhosa.

Foto: Juliana Bencke / Folha do MateNa estimulação precoce na Apae e na Emei Vó Olga, Nicolas aprende
Na estimulação precoce na Apae e na Emei Vó Olga, Nicolas aprende

Para Luzia, o acompanhamento do filho na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Venâncio Aires, com estimulação precoce e fonoaudióloga, e na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Vó Olga, de Mato Leitão, são fundamentais para o desenvolvimento do filho. 

Nicolas começou a frequentar a escola aos dois anos. De acordo com a mãe, a experiência em sala de aula sempre foi muito positiva, pois permite a socialização e aprendizado do pequeno. "O que os outros fazem, ele também faz. Hoje, ele ainda não fala. No mais, não deixa de fazer nada que uma criança de 4 anos faz."

Enquanto aprende com os colegas e professores, Nicolas também ensina. Atualmente, ele é o único aluno com síndrome de Down da Emei, onde estão matriculados 208 estudantes. Para a supervisora escolar Simone Eliana Ruppenthal Silberschlag, a convivência com crianças com deficiência é aprendizagem para todos.

Quando vamos interagindo, percebemos que uma criança com síndrome de Down é como qualquer outra. Famílias com filhos com síndrome de Down não devem se isolar, devem buscar informações. Eles têm que fazer tudo o que os outros fazem", Luzia Rejane Bittencourt, mãe do Nicolas.

"A criança com deficiência que é acolhida no espaço de convivência coletiva tem um desafio proposto assim como as outras: viver coletivamente", destaca a pedagoga, ao observar que a escola torna-se um espaço institucionalizado, com rotinas, espaços e pessoas diferentes, importante para o desenvolvimento do aluno. "É um mundo muito diferente do que o espaço familiar, que é de onde as crianças pequenas vêm", compara.

Simone explica que, na escola, trabalha-se com a ideia que todos são diferentes - com limitações e potencialidades. Para ela, que, no ano passado, foi professora da turma do Nicolas, cabe ao educador a tarefa de proporcionar vivências e auxiliar na aprendizagem de todos, considerando as particularidades de cada criança.

"É dessa forma que procuramos contribuir com a aprendizagem do Nicolas. Oferecer a ele o apoio necessário e o que é oferecido como desafio aos outros também. Cada um, dentro de suas possibilidades, constrói suas aprendizagens."

Síndrome de Down e Educação

1 A Emei Vó Olga, de Mato Leitão, já atendeu outro aluno com síndrome de Down, que hoje está no ensino fundamental regular.
2 Ao chegar na idade de ingressar no ensino fundamental, as crianças passam por uma avaliação, na qual é analisada a possibilidade de ingressar em uma escola regular ou na escola de educação especial da Apae.
3 Atualmente, a Apae oferece atendimento de estimulação precoce a seis crianças com síndrome de Down, entre dois meses e 4 anos.
4 Entre eles, dois frequentam Emeis. Os demais residem no interior do município, sendo difícil acesso à creche.

Na Apae, estímulo desde os primeiros meses

Enquanto o atendimento e a inclusão em escolas regulares de educação infantil representam um aspecto fundamental na socialização e no desenvolvimento das crianças com síndrome de Down, na maioria das vezes, essa caminhada se inicia pela Apae. Na instituição, são oferecidos estimulação precoce, orientação fonoaudióloga, psicológica e neurológica, desde os primeiros meses de vida.

Segunda as estimuladoras da Apae, Paula Cristina Fernandes e Keula Closs, a estimulação precoce é primordial para o desenvolvimento global da criança. Os estímulos precisam vir da família e com orientação de especialistas para que seja possível adquirir e aprimorar habilidades. 

Foto: Juliana Bencke / Folha do MateEstimulação precoce auxilia desenvolvimento das habilidades
Estimulação precoce auxilia desenvolvimento das habilidades da criança

"Uma boa estimulação realizada nos primeiros anos de vida pode ser determinante para aquisição de capacidades em diversos aspectos, como desenvolvimento motor, comunicação e cognição", destaca Paula. 

Ela afirma que, se não tiver restrições médicas, uma criança com síndrome de Down pode fazer tudo que uma criança típica faz, de acordo com cada fase do desenvolvimento. 'Estimular a área sensorial é motivar e aproveitar cada desejo e cada brincadeira de forma lúdica, para a criança aprender brincando e se desenvolver a cada dia.'

Sobre o exemplo de Nicolas, as profissionais da Apae comentam que o fato dele frequentar a escola de educação infantil desde os 2 anos foi muito importante para o desenvolvimento dele. "Na escolinha, ele aprende a conviver e se socializar, dividir os objetos, observar e tentar imitar os colegas.'

Sobre a síndrome

A síndrome de Down é causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo, o que ocorre na hora da concepção do feto. Pessoas com síndrome de Down têm 47 cromossomos no DNA, em vez de 46, como a maior parte da população. Crianças, jovens e adultos com síndrome de Down podem ter algumas características semelhantes, como olhos amendoados, maior propensão ao desenvolvimento de algumas doenças e deficiência intelectual, mas apresentam personalidades diferentes e únicas.
Fonte: Portal Movimento Down.