fechar

Reforma da Previdência: líderes sindicais têm encontro hoje com Heitor Schuch

por: Débora Kist
Data: 07/03/2019 | 08:00

A proposta de Reforma da Previdência segue dando pano para a manga em todos os cantos do país. Enquanto o Governo Federal defende a necessidade de diminuir o déficit, trabalhadores e sindicatos entendem que a maioria das classes trabalhadoras será prejudicada.

Em Venâncio Aires não é diferente e, na última semana, líderes sindicais anunciaram o desejo de retomar o Comitê Suprassindical, com o objetivo de mobilizar trabalhadores contra a Reforma. Além disso, as reivindicações serão formalizadas em um documento que será entregue ao deputado federal Heitor Schuch (PSB). Ele estará no município hoje, às 14h, no Sindicato do Fumo, Alimentação e Afins.

Os representantes sindicais querem que o deputado leve as demandas a Brasília e que os colegas reprovem o que foi proposto pelo Governo Federal. Além do aumento da idade mínima para aposentadorias, uma das reivindicações é o salário-família, hoje pago a quem ganha até dois salários mínimos e que passará a ser benefício de quem recebe até um salário mínimo, no máximo.

Questionado sobre o assunto, Heitor Schuch confirmou que as reivindicações são gerais, mas, para ele, há dois pontos principais e que irão travar o projeto na Câmara dos Deputados: a aposentadoria da mulher rural e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). 'O Brasil não pode virar as costas para o o idoso e o deficiente físico. E querer mexer no BPC é um equívoco. Quanto à mulher rural, ela tem dupla jornada, tem outros trabalhos em casa, na família, e querer elevar a idade de 55 para 60 anos é um chute contra a própria goleira. Do jeito que está em Brasília hoje, não passa.'

Foto: Débora Kist / Folha do MateHeitor Schuch receberá hoje pauta contrária à Reforma da Previdência
Heitor Schuch receberá hoje pauta contrária à Reforma da Previdência

EMENDAS

Os pontos criticados por Schuch e por muitos líderes sindicais já fizeram com o que o Governo Federal ventilasse uma 'negociação'. Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro admitiu, por exemplo, que pode fazer concessões no Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é pago a idosos e deficientes de baixa renda, que poderia passar de 60% para 70%.

Embora o próprio governo cogite alterações, Schuch disse que toda a proposta é estudada e serão definidas emendas para mudanças do projeto. 'Seremos contra aquilo que prejudicar a aposentadoria dos trabalhadores e a favor do que corta privilégios, como a mudança nas regras para os políticos, que passarão a integrar o Regime Geral da Previdência, obedecendo o teto do INSS.'

A Reforma da Previdência começa a tramitar na Câmara dos Deputados na semana que vem. O trabalhos terão início a partir da instalação da Comissão de Constituição e Justiça, prevista para o dia 12.

Ato nacional contra a Reforma será dia 22

Além da pauta a ser entregue ao deputado Heitor Schuch, representantes sindicais de Venâncio Aires devem participar de um ato nacional de luta contra a Reforma da Previdência. Será no dia 22 de março, quando lideranças locais devem ir para Brasília para manifestar seu descontentamento com o que chamaram de 'morte do trabalhador à míngua'.

Para a reunião de hoje com o parlamentar, já estão confirmados João Émerson Dutra de Campos, presidente do Sindicato do Calçado e Vestuário; Adolfo Celoni da Rosa, do Sindicato dos Metalúrgicos; Rogério Siqueira, presidente do Sindicato do Fumo, Alimentação e Afins; e a vereadora Sandra Wagner (PSB), representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR). 'Será uma pauta geral contra essa Reforma na qual o maior prejudicado é o trabalhador. E no dia 22, estaremos inseridos', comentou Rogério Siqueira.