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Plantio do milheto é alternativa para cobertura do solo

por: Débora Kist
Data: 15/04/2018 | 15:00
Foto: Débora Kist / Folha do MateCleusa Rippel e Márcio Müller destacam melhora no solo com o plantio do milheto
Cleusa Rippel e Márcio Müller destacam melhora no solo com o plantio do milheto

Para quem vive da agricultura, muitas vezes não há garantias de que sua plantação será a mais qualificada e rentável possível. A preocupação e os cuidados durante o plantio, o cultivo e a colheita fazem parte da rotina agrícola, não importando o período do ano e a lavoura. Mas o que também é considerado fundamental e tem merecido atenção é o cuidado com a terra que irá receber a planta.

Cada vez mais, práticas de conservação do solo têm sido adotadas em Venâncio Aires. Um dos motivos é melhorar a qualidade da terra para, por exemplo, o desenvolvimento do tabaco, cultura que ainda é a principal fonte de renda no município.

Nessa realidade, está um jovem casal morador da Linha Hansel. No galpão da propriedade, Márcio Luís Müller e Cleusa Fernanda Rippel ainda terminam o processo de secagem dos 130 mil pés de tabaco cultivados na safra. É a principal renda da família e preocupação o ano todo. Por isso, na lavoura, o próximo passo para a safra seguinte já foi dado: preparar o solo. Essa preparação é feita através da rotação de cultura com o plantio do milheto. Ele é uma planta que se adapta bem a vários tipos de solo, resistente à terra de baixa fertilidade e com falta de água.

Segundo o chefe do escritório local da Emater, Vicente Fin, o milheto melhora a matéria orgânica do solo. 'Ele distribui bem as raízes e a cobertura vai favorecer a infiltração da água. Além disso, tem uma boa concentração de carbono e quebra o ciclo da safra anterior', explica. Ainda conforme Fin, essa prática vem ajudando a melhorar os índices de matéria orgânica do solo em Venâncio Aires e diminuindo a proliferação de pragas nas lavouras de tabaco.

No entanto, antes de qualquer coisa, Fin destaca que é preciso fazer uma análise do solo, corrigi-lo, se necessário, com calcário, e ver o tipo certo de adubação. Foi o que a Cleusa e o Márcio fizeram. Depois da análise, veio a correção, e a sugestão inicial foi o plantio de aveia. Anterior a isso, tentaram feijão e milho para silagem. Mas nas terras do casal, em que há muitos trechos mais duros e compactos, foi com o milheto que conseguiram o melhor resultado. 'Como a raiz se espalha bem, ajuda a soltar, a deixar a terra mais fofa', explica Cleusa. Esse é o segundo ano que plantam o milheto na entressafra e garantem que houve melhora no solo e, consequentemente, na qualidade do tabaco.

'Nosso agricultor tem se conscientizado da importância de cuidar do solo. Temos uma das melhores terras para produzir, então temos de tratar, conservar. E a rotação de cultura é uma prática importante.'

ORNÉLIO SAUSEN
Presidente do Sindicato Rural de Venâncio Aires

Conservação do solo é sinônimo de bons rendimentos

Vista com bons olhos pela indústria de tabaco, a preservação do solo e o uso de práticas conservacionistas têm crescido a cada ano, com a adoção de técnicas como o plantio direto. Dos 150 mil produtores de tabaco da região sul do país, quase 70% já utilizam práticas de conservação nas lavouras. A informação é do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco. Segundo o assessor técnico do SindiTabaco, Darci José da Silva, nos últimos anos práticas conservacionistas mais eficientes estão sendo implementadas. Entre elas, a subsolagem, os cultivos de cobertura, os métodos de preparação do solo e outras práticas conservacionistas complementares (terraceamento e plantio em nível). 'O essencial é manter o solo protegido o maior tempo possível. Solo desnudo estará sempre predisposto aos efeitos da erosão, acelerando sua degradação física, química e biológica', explica. As informações são da Assessoria de Imprensa do SindiTabaco.