fechar

Parto normal ou cesárea? Normas da Saúde incentivam primeira opção

por: Carolina Schmidt e Guilherme Siebeneichler
Data: 10/01/2015 | 08:00

Estimular o parto normal e a diminuição das cesarianas é o objetivo do Ministério da Saúde. Uma resolução que estabelece normas para incentivar o procedimento natural foi divulgada, nesta semana, e elaborada em conjunto com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em Venâncio Aires, a média de partos é de 80 por mês, e destes 70% são por cesárea. Os números são tanto para o sistema público quanto para o privado e foram divulgados pela secretaria municipal da saúde que repassa relatório dos procedimentos mensalmente ao Ministério.

No Brasil, a média é de 84% dos partos feitos na rede privada e 40% dos realizados na rede pública são cesáreas. Ambos os números estão bem acima dos 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a intenção de reverter esse quadro considerado epidêmico foram publicadas as novas regras para estimular o parto normal.

Para a secretária-adjunta de saúde, Rosane da Rosa, a determinação do governo federal ajuda a qualificar os serviços públicos de atenção aos pacientes. 'É um boa medida e que vai ajudar na qualidade dos serviços ofertados. Garante mais segurança, assim como já ocorre com o pré-natal, que acompanha toda a preparação e andamento da gestação. Se a paciente tiver segurança para o parto normal, certamente será mais vantajoso.'

A rede pública mantém estímulos e incentivos para que as mulheres optem pelo pardo normal. Nos postos de saúde, o trabalho de pré-natal conta com palestras e informativos sobre os benefício do nascimento natural. Conforme a coordenadora das unidades básicas de saúde, Solange Sehn, o acompanhamento da gestante na rede municipal busca incentivar o parto normal. 'Há estímulos para isso, e também trabalhamos com os profissionais de saúde. A tendência é pela cesária, especialmente nas mães mais novas, porém depende também dos médicos. As campanhas do governo federal são importantes e precisam ser mais trabalhadas para conscientizar as futuras mães.'

A decisão de parto normal ou por cesariana é do profissional médico que acompanha a gravidez. Para o administrador do Hospital São Sebastião Mártir, Gilberto Gobbi, as novas regras do Ministério da Saúde atingiu de forma mais substancial os planos de saúde. Além disso, ele destaca que a Casa de Saúde não se envolve nas decisões sobre o parte. 'Não interferimos nestes procedimentos, somente garantimos a funcionalidade de todos os nossos serviços. Esta é uma decisão médica e cabe aos profissional avaliar a possibilidade ou não de parte normal.'

As mudanças anunciadas

A regras ampliam o acesso à informação, pois as usuárias poderão solicitar aos planos os percentuais de cesarianas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico obstetra. As informações deverão estar disponíveis no prazo máximo de 15 dias, a partir da data de solicitação. Em caso de descumprimento, será aplicada multa no valor de R$ 25 mil. Outra regra prevê a obrigatoriedade das operadoras de saúde fornecerem o cartão da gestante com o registro de todo o pré-natal. Dessa forma, de posse do documento, qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação.

O cartão deverá conter a carta de informação à gestante, com orientações para que a mulher tenha subsídios para tomar decisões e vivenciar com tranquilidade o parto. Caberá às operadoras a orientação para que os obstetras utilizem o partograma, documento gráfico em que são feitos registros de tudo o que acontece durante o trabalho de parto. Segundo a Agência Brasil, as operadoras terão 180 dias para se adaptar às mudanças.

Ponto de Vista

O que pensam as mamães sobre o assunto?

Jaqueline Caríssimi

Márjori Schwengber é a mãe do André. Embora diga ser a favor do parto normal, quando grávida do primeiro filho, que hoje tem 5 anos de idade, conta que até os últimos dias esperou o bebê nascer de parto normal. Por não ter dilatação, nem contrações, e já estava com as 40 semanas de gestação, estava no prazo limite. Orientada pela obstetra que a acompanhou durante a gestação, Márjori diz que por considerar mais seguro para ela e para o bebê decidiu pelo parto cesáreo. 'Mas na gestação inteira a ideia era parto normal', diz.

Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoMárjori Schwengber é mãe de André
Márjori Schwengber é mãe de André

Medo de sentir dor é uma das causas que a professora de educação infantil Raquel Duarte diz que pretende fazer parto cesáreo. Grávida de 15 semanas, à espera de Maria Eloísa, diz que além do medo das dores do parto normal, quer evitar possíveis fraturas no bebê conforme muitos casos que conhece, que tem acontecido com recém-nascidos. Outro motivo desta opção é em função da garantia de que na data prevista para a cesárea, pré-agendada, a médica obstetra estará disponível no dia do parto.

Raquel ressalta que a cesárea dá a liberdade para escolher a data do nascimento, sendo assim, o parto de Raquel já está agendado para 5 de julho, cinco dias depois do aniversário da avó materna do bebê.

 

Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoRaquel está grávida há 15 semanas
Raquel está grávida há 15 semanas

 

 

 

Grávida de 19 semanas, a Isabelle está vindo aí na barriga da mamãe Cris Voigt. A tranquilidade a recomendação de amigas está fazendo que Cris opte pelo parto cesáreo. 'Assim, podemos marcar o dia do nascimento e se preparar. Hoje em dia, a recuperação está muito mais fácil'.


Maiara Margot da Rosa Sesta tem um filho de 6 anos e está na segunda gestação, com 32 semanas O primeiro filho teve em forma de parto cesariana. A escolha, segundo Maiara, foi quando estava próximo do nascimento. 'O parto ocorreu conforme o esperado, de forma muito tranquila. Posso referir como o maior beneficio o fato de que não há surpresa quanto ao momento do nascimento. Tudo ocorre com hora marcada, sem sustos nem preocupações. È bem verdade que se trata de uma intervenção cirúrgica de grande porte; no entanto, minha recuperação foi muito rápida, sem complicações e sem dor. Para o parto do segundo filho, a opção será pela cesariana, mais uma vez', ressalta.

 

Procedimentos
Para médica ginecologista, é
importante incentivo do Governo

Carolina Schmidt 

Na opinião da médica ginecologista Daniela Bruxel, é importante o incentivo ao parto normal. No entanto, na opinião da profissional, a maneira como o Ministério está fazendo isso acaba tirando o direito de escolha das pacientes. No consultório de Daniela, a maioria dá preferência a esse procedimento no início do pré-natal. 'Mas, muitas mudam de ideia no decorrer da gestação porque não tem a paciência de esperar e devido aos desconfortos do final da gestação, mesmo sendo bem orientadas.'

Daniela explica os benefícios do parto normal: a natureza decide o momento de nascimento do bebê, a recuperação é mais rápida não necessita de intervenção cirúrgica, a mãe participa de todo o processo de nascimento e o leite desce mais rápido. Porém, conforme ela, muitas vezes as dores do trabalho de parto beiram o insuportável o que causa ansiedade para a parturiente e seus familiares.

Já em relação à cesárea, segundo a médica, as que optam desde o início tem motivos diferentes como o medo da dor, de complicações no parto e o fato de poder se programarem. A profissional ainda destaca que a cesariana tem o conveniente da paciente não passar pelas dores do parto, mas é um procedimento cirúrgico e deve ser encarado como tal prevendo possíveis riscos e complicações. 'Sempre escuto o que a paciente quer em relação ao seu parto. Nós discutimos as vantagens e desvantagens de um e outro e os medos. No final ela escolhe o que quer. Se eu achar necessário por alguma intercorrência mudar os planos de parto eu faço com a concordância da paciente e exponho minha justificativa.'