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Infância é tempo de ter liberdade para brincar

por: Taís Fortes
Data: 12/10/2017 | 12:00
Foto: Rosilene Müller Fotografia / Divulgação Miguel usa o espaço da chácara para diversas brincadeiras
Miguel usa o espaço da chácara para diversas brincadeiras

Banho de arroio, pescaria, mexer na terra, nas minhocas, na horta, andar e correr de pés descalços, brincar com os animais, colher frutas e tantas outras atividades relacionadas à natureza fazem parte dos primeiros anos de vida do pequeno Miguel Dornelles Borba, de 2 anos e 11 meses, filho do autônomo Mauro Borba e da cabeleireira Carla Dornelles. Uma infância que, segundo os pais, busca ensinar o menino a valorizar a natureza e tudo que ela oferece.

No dia de hoje, que além de ser feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, comemoramos o Dia da Criança. E, nesta data, é importante lembrar o quanto a infância é um período marcado por descobertas, afinal, é nessa fase que os indivíduos aprendem boa parte de tudo aquilo que vão desenvolver e aprimorar ao longo da vida. É neste período que se aprende a falar, a caminhar, a conhecer os objetos e se descobre o gosto dos alimentos. Por isso, a infância é conhecida como um tempo de descobrimento.

É justamente esse espírito de descoberta e liberdade para brincar que Mauro e a Carla buscam oferecer ao Miguel. Para oferecer essa formação e um espaço de vivências, eles adquiririam uma chácara antes do nascimento do pequeno, para onde vão nos fins de semana e, quando possível, durante a semana. 'Já era um sonho nosso de ter um lugar no interior com ar puro e coincidiu com a vinda do Miguel. Então, a aquisição foi ainda melhor para ele, que tem um lugar onde pode brincar e correr', conta Borba. 'Tentamos virar meio crianças com ele. Aquela coisa de ir para terra, sentar junto e fazer comidinha, pescar, procurar minhocas e ensinar a proteger a natureza e ter cuidado com as plantas. Ele também colhe as verduras que a vó planta. Então, acho que essa valorização, esse resgate faz muita diferença', destaca Carla. 

Foto: Taís Fortes / Folha do Mate Carla e Mauro querem que o pequeno Miguel possa ter momentos semelhantes aos que eles tiveram na infância
Carla e Mauro querem que o pequeno Miguel possa ter momentos semelhantes aos que eles tiveram na infância

Para Carla e Mauro proporcionar esses momentos ao Miguel é importante por uma questão de regate da história, uma vez que eles também tiveram uma infância marcada pelo convívio com o interior e tudo que ele pode oferecer. Além disso, acham essencial que ele aprenda a valorizar a natureza e os animais. 'O que a gente tem para contar para ele, ele também terá para contar para os filhos dele', observa a mãe. Na casa da família também há um pátio para que o pequeno possa brincar. 

De acordo com os pais, o pequeno fica muito feliz quando vai para a chácara e gosta de todas as atividades. E foi com um sorriso no rosto que o garoto confirmou que adora, principalmente, os banhos de arroio. Para eles, é fundamental manter esses momentos. 'Isso se torna uma filosofia da família', acrescenta Carla.
Carla e Mauro acreditam que ter uma infância com todas essas vivências faz muito bem para o Miguel, mas, também comentam que sempre usam do bom senso e do cuidado na hora das brincadeiras. Além disso, os pais também buscam ensinar os cuidados com a limpeza e descarte correto do lixo.

Foto: Rosilene Müller Fotografia / Divulgação Miguel encontra na chácara da família um local para brincar e ter contato com a natureza
Miguel encontra na chácara da família um local para brincar e ter contato com a natureza

Tentamos virar meio crianças com ele. Aquela coisa de ir para terra, sentar junto e fazer comidinha, pescar, procurar minhocas e ensinar a proteger a natureza e ter cuidado com as plantas.'

CARLA DORNELLES
MÃE DO MIGUEL



Criança precisa ter contato com tudo e se sujar

A realidade do Miguel também é a de outras crianças que aproveitam a infância para brincar, se sujar e descobrir novidades a todo momento. De acordo com a pediatra Fernanda Sousa de Almeida, a orientação é justamente deixar a criança livre para brincar na areia, com barro e grama, pois essa é a maneira de ela conhecer os objetos e os elementos da natureza e isso colabora para o desenvolvimento neurológico, motor e da imunidade. 'A criança conhece através das mãos e da boca. Então é assim que ela vai conhecer tudo', observa.

A profissional também explica que deve haver um cuidado maior no primeiro ano de vida das crianças, período que são ainda mais frágeis e sensíveis. Desta forma, nessa fase, orienta-se que haja mais cuidados de higiene, principalmente, por parte de quem irá ter contato com os pequenos. 'No caso dos bebês, os cuidadores precisam tomar esse cuidado. Mas, a partir do momento que a criança começa a ir para o chão - engatinhar com cerca de dez meses e caminhar perto de um ano - estimulamos para que cada vez menos se tenham as preocupações excessivas relacionadas à sujeira', acrescenta a profissional.

ANTICORPOS

Fernanda ainda comenta que, se a criança for criada num espaço onde não tem contato com sujeira, terá grande chance de adoecer, porque ela precisa entrar contato com os vírus e as bactérias para criar anticorpos. 'O que é o anticorpo? Ele é a defesa do teu organismo entrando em contato com alguma coisa. E só se vai criar defesa entrando em contato com aquela doença', ressalta.
Para a pediatra, uma criança que tem a imunidade normal precisa entrar em contato com tudo e se sujar. Ela ainda frisa que colocar a criança numa 'bolha' é muito mais perigoso, porque ela não cria imunidade para nada e pode desenvolver mais facilmente doenças de níveis mais graves.

Assim, Fernanda destaca a importância de se estimular brincadeiras ao ar livre e que possibilitem o contato com o sol, pois hoje muitas pessoas são carentes de vitamina D. 'A interação com os animais também é muito saudável', acrescenta.

* Colaborou Juliana Bencke

A criança conhece através das mãos e da boca. Então é assim que ela vai conhecer tudo'

FERNANDA SOUSA DE ALMEIDA
MÉDICA PEDIATRA