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Fetag lança campanha de valorização do leite

por: Edemar Etges
Data: 24/02/2018 | 11:00
Foto: Edemar Etges / Folha do MateVilson e Iloini Weber vivem a expectativa da situação melhorar com o programa
Vilson e Iloini Weber vivem a expectativa da situação melhorar com o programa

´Leite Gaúcho de Qualidade, Beba com Tranquilidade`. É o tema da campanha que a Federação dos Trabalhadores na Agricultura ( Fetag/RS) e os seus 316 Sindicatos dos Trabalhadores Rurais estão lançando em todo o Estado para atender uma demanda da Comissão Estadual do Leite e dos 23 coordenadores da Regionais Sindicais, que sentiram a necessidade de fazer uma ampla campanha de divulgação do leite - produto do agricultor - e tranquilizar o consumidor quando o adquire no comércio. O lançamento ocorreu na quarta-feira, 21, durante reunião da diretoria efetiva, Conselho Fiscal, coordenadores e assessores regionais da federação.

O presidente da Fetag/RS, Carlos Joel da Silva, lembra que diante de todas as manchetes negativas do leite ao longo do ano passado, a federação e o conjunto do Movimento Sindical entenderam a necessidade de promover uma campanha de valorização. 'Todos os problemas que houve com o leite nunca estiveram relacionados de forma direta ao produtor. A fiscalização existente garante que o produto gaúcho é fiscalizado, inclusive mais do que em outros estados, fato que por si só comprova sua qualidade', justifica.

A campanha, explica o dirigente, é para mostrar que os agricultores buscam sempre uma maior qualificação para a produção amparados na nova legislação vigente no Rio Grande do Sul. 'As famílias estão preocupadas com qualidade, investem e querem permanecer na atividade', destaca.

Produtor

'O programa é um novo alento para continuarmos na atividade, porque hoje, estamos pagando para produzir leite', salienta o casal Vilson e Iloini Weber, morador de Linha Grão Pará. O casal conta com um plantel de 12 vacas, das quais, dez estão em lactação e produzem em média, 200 litros diários. Além de melhorar o preço, Weber defende que é preciso mudar muitas coisas, como por exemplo, melhorar a qualidade do leite, pois segundo ele, têm muitos produtores que produzem poucos litros diários e com baixa qualidade e parar com a importação do leite em pó.

Investimentos

No mês passado, Weber recebeu R$ 0,98 pelo litro e o custo de produção ficou praticamente igual, o que torna a atividade quase inviável. O custo de produção somente não é maior porque o casal produz alguns alimentos próprios, como o milho, onde faz silagem de seis hectares na safra e mais oito hectares na safrinha. E ainda, tem ganhos na produção pois há alguns anos, adotou o sistema de dieta para as vacas, com orientação do engenheiro agrícola do escritório municipal da Emater/RS-Ascar Diego Barden do Santos. 'Porém, para ter resultados satisfatórios, tem que seguir à risca esta dieta', frisa.
E, apesar de todos os percalços, Weber acredita num futuro melhor para o setor leiteiro e por isso, está construindo uma sala de ordenha que deverá estar concluída até o final de março. 'Com a sala de ordenha, vou conseguir produzir um leite com uma qualidade melhor do que estamos produzindo hoje', afirma. Weber alimenta a esperança que a situação do setor leiteiro vai melhorar e acredita que quem não tem produção em grande quantidade, vai parar e, havendo redução na oferta e aumento no consumo, o preço pago ao produtor também vai melhorar.

'Queremos que o consumidor tenha a segurança de comprar um produto fiscalizado e dentro de todos os parâmetros de qualidade'.
Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag/RS.

'Já pensamos diversas vezes em desistir da atividade, mas não o fizemos porque temos todo uma infraestrutura de produção instalada e que ficaria ociosa. São investimentos que precisam ser pagos',
Vilson Weber, produtor de leite.