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Entre vantagens e desafios, a importância de amamentar

por: Juliana Bencke
Data: 01/08/2018 | 07:00

Isaque Kretzmann da Silveira completa um mês, hoje. Na data em que se celebra o Dia Mundial da Amamentação, ele e a mãe Viviane Isabel Kretzmann da Silveira, 25 anos, comemoram 31 dias de alegria, desenvolvimento e vínculo que se fortalece a cada mamada. 'Durante a gravidez, li que o leite materno é como 'amor líquido', e acredito que é isso mesmo. É o melhor que posso fazer pelo meu filho', diz Viviane.

Foto: Juliana Bencke / Folha do MatePara Viviane, além dos benefícios para a saúde, amamentação reforça o afeto entre ela e o filho Isaque
Para Viviane, além dos benefícios para a saúde, amamentação reforça o afeto entre ela e o filho Isaque

Para ela, a amamentação em livre demanda - sempre que o bebê pede - tem garantido momentos especiais, apesar do cansaço das noites mal dormidas. 'Vale a pena, pois é para o bem dele. Trocar a fralda ou dar banho qualquer pessoa pode fazer, mas amamentar só a mãe pode', enfatiza ela, que quer garantir a amamentação exclusiva até os seis meses de Isaque. 'Se é uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é porque é o melhor para a saúde da criança', considera.

O pediatra Roberto Mário Issler confirma. 'A criança que é amamentada inicia a vida com mais oportunidades de se tornar um adulto saudável', ressalta o professor do curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

De acordo com ele, que integra o Comitê Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, a amamentação exclusiva é indicada até o sexto mês do bebê porque proporciona todos os nutrientes, líquidos e vitaminas adequadas para o desenvolvimento da criança. 'Ela não precisa de outros líquidos ou alimentos nesse período. Vários estudos mostram que, com a oferta exclusiva do leite materno nos seis primeiros meses de vida, a criança cresce e se desenvolve adequadamente.'

Segundo Issler, os benefícios da amamentação vão desde prevenção de doenças no bebê até vantagens afetivas, macrossociais e econômicas. 'O leite materno é um produto totalmente adequado a seu consumidor, pois o leite de cada mãe é específico para seu bebê. Além disso, não há desperdício, embalagens ou geração de lixo. É ecologicamente correto.'
Viviane também destaca as vantagens da amamentação. 'É de graça, está à disposição a qualquer momento e não preciso carregar nada junto para amamentar, quando saio. Além disso, não é só alimento, também acalma.'

>> Hoje, começa a Semana Mundial do Aleitamento Materno. Neste ano, o movimento tem como tema 'Amamentar é a base da vida'.

Vantagens da amamentação

1 Reduz chances de infecções respiratórias, alergias, otite e diarreia.
2 Diminui a chance de obesidade da criança.
3 Contribui para fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê.
4 Auxilia a mãe na perda de peso adquirido durante a gestação.
5 Colabora na prevenção de câncer de mama e ovário e diabetes tipo 2 na mãe.

Para garantir a amamentação prolongada

Apesar da lista de vantagens do aleitamento materno ser extensa, garantir a amamentação exclusiva até os seis meses do bebê - e aliada a outros alimentos, até os dois anos - ainda é um desafio no Brasil.

Para o pediatra e professor Roberto Mário Issler, consultor internacional em Aleitamento Materno, entre os aspectos que impedem que as mães continuem amamentando durante o tempo indicado estão desde a falta de orientação sobre a postura correta para amamentar e o fim da licença-maternidade até rotinas hospitalares, no pós-parto.

'Precisamos repensar as práticas hospitalares, para que se proporcione o contato pele a pele, entre a mãe e o bebê logo após o parto, dando início à amamentação. É a chamada 'hora de ouro', após o nascimento', explica.

Outro aspecto destacado por ele é a necessidade do apoio familiar e da sociedade, criando um ambiente confortável para a mãe amamentar. 'É importante que ela tenha auxílio da família e do companheiro e um momento tranquilo para amamentar', salienta.

Para a mãe do pequeno Isaque, Viviane Isabel Kretzmann da Silveira, o apoio e o respeito da família têm sido fundamentais. 'Eles respeitam minha decisão de amamentar exclusivamente no peito, e isso é muito importante', afirma ela, que também buscou se cercar de informações, ao se preparar para o cuidado do filho. 'Li muito sobre o assunto, qual a posição correta para a mamada e como fazer para produzir leite. Quando estamos munidos de informação, tudo é mais fácil e natural.'

Na opinião de Issler, além desses fatores, o retorno ao trabalho, depois da licença-maternidade, leva ao término do aleitamento materno, em muitos casos. 'Por falta de condições ligadas ao trabalho, muitas mães acabam interrompendo a amamentação', enfatiza.

Entre as medidas para alterar essa situação ele destaca a ampliação de salas de amamentação nas empresas - locais onde as mulheres podem coletar o leite e armazená-lo para dar ao bebê, posteriormente. 'Há um papel social e, inclusive, econômico nisso. Ao oferecerem essa possibilidade, as empresas possibilitam que a mãe continue amamentando, o bebê seja mais saudável e, consequentemente, ela tenha menos falta no emprego', analisa.