fechar

Artigo de opinião: Um pai que tinha o dom de me fazer feliz

por: Kethlin Meurer
Data: 13/08/2017 | 05:00
viabol
Foto: Divulgação.

Sempre achei o Dia dos Pais uma data maravilhosa, assim como o Dia das Mães e outras datas bonitas que existem. Ao acordar, uma das primeiras coisas que fazia era abraçar o meu pai bem apertado, algo que eu, na verdade, fazia sempre, independente se era Dia dos Pais ou não. Nessa data, o abraço parecia ter um significado diferente, porque o dia era todo dele. Ele ficava feliz com o 'upa' e um 'Feliz Dia dos Pais' dito por mim, porque o meu pai era aquele tipo de homem que se contentava com o simples e que sempre me mostrou o verdadeiro valor de um ser humano e da vida.

Desde o ano passado - quando perdi o meu pai aos 20 anos em função da criminalidade - o Dia dos Pais faz crescer uma série de emoções dentro de mim. Não vou negar que não fico um pouco triste, mas não é porque não tenho mais o meu pai comigo, que o Dia dos Pais não vai mais existir, porque eu preciso ter maturidade para reconhecer que existem milhões e milhões de pessoas no mundo que ainda têm um pai e que podem estar com ele.

Mesmo que talvez eu sinta muito por não poder comemorar a data como fiz em quase 20 anos da minha vida, quando eu vejo as pessoas falando sobre o Dia dos Pais, preocupadas com o almoço especial de domingo e com o presente especial, eu paro e penso: 'Poxa, como eu fui feliz com o pai que eu tive e que pai gente, que pai!'

Quando perdemos uma pessoa que tanto amamos, por mais que seja super difícil, aprendemos na marra o que é ter força e seguir em frente. Mas sabe, não é apenas isso que aprendemos. Parece que fica muito mais intenso aquele sentimento de que precisamos de fato amar as pessoas enquanto estão conosco. Precisamos amar em vida, abraçar em vida, valorizar em vida, porque tudo isso é saber viver de verdade.

O que penso em meio a tudo isso é que o essencial torna-se a intensidade com que marcamos a vida das pessoas. Meu pai marcou a minha. Não no tempo que eu gostaria, mas no tempo suficiente para eu aprender a ser mais humana, a abraçar mais, a manter um sorriso no rosto mesmo em meio às dificuldades. Meu pai me mostrou o que é ser do bem, me ensinou o que é honestidade e humildade com o próximo.

O tempo vai passar e eu - assim como muitas outras pessoas que passam pela mesma situação que a minha - terei que aprender a conviver com um Dia dos Pais sem a presença física de um pai. Pode ser uma data de saudades, mas se as pessoas deixam saudades é porque foram intensas o suficiente para marcarem nossas vidas.

Para você, que tem a oportunidade de comemorar esse dia ao lado de uma pessoa que considera como um pai, aproveite! Beije muito, sorria muito, abrace muito! Como já diz a letra da cantora e compositora Ana Vilela: 'Segura teu filho no colo, sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui. Que a vida é trem-bala, parceiro e a gente é só passageiro prestes a partir'.

Neste domingo, junto à saudade, com toda a certeza vou ter motivos para dizer: 'Obrigada Papai do Céu, muito obrigada! Obrigada por eu ter tido um pai que simplesmente tinha o dom de me fazer feliz!'