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Pra contar histórias: Joice defende que as crianças devem brincar

por: Folha do Mate
Data: 18/08/2017 | 18:30
Foto: Divulgação / Arquivo PessoalJoice é, além de outras funções, responsável por atividades recreativas do Sesc
Joice é, além de outras funções, responsável por atividades recreativas do Sesc

Quem conta a história de vida de hoje é a parceira das ações sociais e recreativas organizadas por meio dos projetos da Folha do Mate, a educadora física Joice Tatiane Fortes. Ela tem 29 anos e nasceu no bairro Aviação, onde passou a infância ao lado dos pais Nelci Seleri e Erni Fortes, e do irmão Rogério.

Atualmente, é moradora do bairro Bela Vista, onde mora há três anos com o marido Daniel da Rosa Moura e com o xodó da casa, a cachorrinha Shakira.

FOLHA DO MATE - Morou e estudou também no bairro Aviação?

Joice Tatiane Fortes - Sim. Estudei na escola Dois Irmãos, no bairro e, depois da oitava série fui para o CAJ [Cônego Albino Juchem], onde fiz o ensino médio. Fiz Educação Física, sou bacharel, na Unisc [Universidade de Santa Cruz do Sul]. Me formei em 2015.

O que te levou a cursar Educação Física?

A minha primeira opção foi a fisioterapia. Não me adaptei muito, queria algo mais dinâmico e mudei para o curso de Educação Física. Segui até o final do curso. Demorei sete anos para terminar, pois trabalhava e estudava ao mesmo tempo.

Falando em trabalho, como foi o teu começo de vida profissional?

Comecei trabalhando no supermercado Marquetto. Eu tinha 14 anos. Estudava à tarde e trabalhava de manhã. Depois trabalhei na CTA, no laboratório de análises, no Frey Supermercados e depois [risos] dei início à minha carreira de estagiária em escolas de Educação Infantil e Secretaria da Saúde. Daí já era um pouco na minha área como educadora física. Isso até 2012, quando ingressei no Sesc, também na forma de estágio e, há cinco anos mais ou menos, atuo como colaboradora da unidade.

Quais são as tuas atividades no Sesc?

Coordeno o grupo da Maturidade Ativa, com pessoas acima de 60 anos, e que tem encontros fixos todas as terças-feiras. Também, durante a semana o grupo participa de oficinas. Hoje temos oficina de tecnologia celular, de canto, terapêutica, de teatro, alongamento e ginástica. Também sou responsável pela parte de recreação do Sesc como a Rua do Lazer; Dia do Desafio; coordeno as ações do Mês do idoso, que é em outubro, enfim são várias as atividades.

Hoje moras no bairro Bela Vista, mas antes, como foi a tua infância no bairro Aviação?

Bá! Muito diferente das crianças de hoje.A gente podia brincar na rua, no campinho que tinha perto de casa. Uma das minhas maiores dores na infância e de toda a turminha, uns 15, que se reuniam ali, foi quando perdemos o campinho para a Fumossul. Eles cercaram o local onde a gente jogava bola, andava de bicicleta, jogava volei na rua.

Por que diferente das crianças de hoje?

Como eu trabalho com recreação percebo que a criança, hoje em dia, não tem mais estes interesses como nós tínhamos. Elas não sabem brincar de "ovo choco". Perderam o interesse pelas brincadeiras.

O que leva as crianças a perderem este interesse?

Eu penso que a preferência pela tecnologia. Com isso perde o contato com as outras crianças, este contato da brincadeira mesmo e, por outro lado, vejo que é mais cômodo para a família deixar o filho no computador ou celular do que sentar no chão, brincar ou ensinar uma brincadeira nova.

O que pode vir a prejudicar a criança esta falta de maior contato com as atividades físicas e brincadeiras?

Nossa! Influencia um monte na parte cognitiva, no desenvolvimento. Quando a criança joga em grupo ela desenvolve várias habilidades e o próprio pensamento que a tecnologia não vai fazer.

Te consideras realizada profissionalmente? E, quais são teus projetos?

Sim. Meu objetivo era me formar na área. Estou formada e continuo estudando para concursos seguindo carreira e buscando estabilidade. Pretendo ter filhos daqui algum tempo.

Voltando um pouco para o bairro, a tua opinião sobre o bela Vista?

Sempre gostei do Aviação, pois tu acaba criando vínculos. Mas, o bairro Bela Vista é bem habitado, é bom de morar, tem asfalto e a tendência é o crescimento. Já em Venâncio, eu como trabalho com a Maturidade Ativa, percebo que ainda carece de mais espaços de lazer para os idosos, como as academias de ginástica ao ar livre e ações que contemplem uma maior atenção na área da prevenção na questão da saúde.