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Pra Contar Histórias: Gerson se diz apaixonado pela arte de tocar e cantar

por: Jaqueline Caríssimi
Data: 14/07/2017 | 19:00
Fenachim
Foto: Jaqueline Caríssimi / Folha do MateGerson diz que em todas as atividades, desde a infância a música esteve envolvida e faz parte de sua trajetória
Gerson diz que em todas as atividades, desde a infância a música esteve envolvida e faz parte de sua trajetória

'O som da viola bateu no meu peito doeu, meu irmão. Assim eu me fiz cantador. Sem nenhum professor aprendi a lição...Com minha viola no peito Meus versos são feitos pro mundo cantar. É a luta de um velho talento. Menino por dentro sem nunca cansar...'. É com parte da letra da música deste ícone de Tião Carreiro e Pardinho, regravada pelo cantor sertanejo Daniel, que se resume o dom, a viola e a paixão de Gerson Antônio Eckert pela música. Hoje, aos 45 anos, ele se volta para seus maiores prazeres: tocar, cantar e praticar esportes.

Natural de Linha Picada Nova, interior de Venâncio Aires, e morador de Estância Nova, Eckert conta sua trajetória entre a "cidade grande" e o interior, os desafios de buscar na música o sonho de infância e de aprender, depois dos 45, a tocar sanfona/gaita.

O filho da professora aposentada Lélia Teresinha Eckert e do agricultor e instrutor de fumo aposentado Celson Eckert, irmão de Daniela, 36, é pai do Eduardo, de 14 anos e da Maria Eduarda, de 7. Os dois puxaram ao pai e seguem na música como ensinamento na arte de cantar.

Atualmente atua na área da segurança, mas pretende, no futuro, voltar a morar em Porto Alegre, onde viveu por mais de 20 anos. Gosta da prática de esportes e integrou, no passado, a Federação Gaúcha de Boxe. ' Ainda faço, de vez em quando, alguns free de aulas de boxe', comenta Gerson. Além do boxe e musculação, faz corridas diárias prática que carrega desde os 15 anos de idade. Na área da música, Eckert não descarta a possibilidade de montar uma banda e traz na bagagem a experiência de ter sido avaliador de intérprete vocal, declamação e violão do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).

FOLHA DO MATE - Uma infância do lado da escola, com a mãe diretora e professora, como foi?

GERSON ANTÔNIO ECKERT - Até os meus 16 anos morei na Picada Nova. Morava praticamente na escola [Arthur Emílio Myllius] onde a minha mãe era professora e diretora. Eu vivia no colégio. Passava os dias jogando bola, andando de bicicleta. E, no verão, era no Castelhano o nosso lugar de tomar banho. Praticamente, eu conhecia todos os alunos das turmas da escola.

Recordo que, todos os dias, a bicicleta era meu transporte para ir até a casa do meu avô Valdemar Dornelles, na localidade. Na volta, a parada era no amigo Airton dos Santos para jogar bola, no campinho de futebol. Lá pelos 11 anos, era o caroneiro do meu pai quando saía pela colônia como instrutor de fumo. E, foi aí que aprendi a dirigir, só de observar os movimentos que o pai fazia com o carro. Depois, estudei no colégio Aparecida e no Oliveira, onde terminei o ensino médio. Aí, já morava na Estância Nova, na época Estância Mariante. Cheguei a começar a fazer Comércio Exterior na Ulbra e depois na La Salle, mas não concluí.

Saistes cedo do interior, isso foi logo depois do quartel?

Sim. Aos 18 anos saí de casa e fui voltar depois de quase vinte anos vivendo fora. No quartel em São Gabriel fiquei quase três anos. Foi em 1992 que me tornei 3º sargento temporário e atuei no QG do exército de Porto Alegre. Mas é aí que a música entra de vez na minha história.

De que forma, quartel e música?

Eu venho de uma base familiar católica, a mãe tocava e cantava na igreja e cresci vendo e participando disso. Os primeiros acordes foram aprendidos com o primo, que também é músico, Elton Schuch. Uma de minhas maiores referência é meu tio Arnildo Bento da Silva, que já é falecido, mas trago comigo a lembrança de ter sido um grande músico e minha inspiração também. Quando fui pro quartel aprimorei meus conhecimentos com o violão e participei de uma banda de pagode, em São Gabriel, formada pelos caras do quartel, tocando cavaquinho.

Em Porto Alegre, continuou como músico?

Depois, quando fui para Porto Alegre, ainda toquei em alguns bares, foi quando um amigo do quartel me convidou para fazer parte do grupo de avaliação do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), nas competições artísticas. Isso foi em 1994, quando conheci minha ex-esposa, que era a terceira prenda do Estado e também avaliadora do MTG. Foram 13 anos como avaliadores da 12ª região tradicionalista.

Quando saí do quartel em 1995, atuei por 14 anos como fiscal de transporte, em uma empresa de ônibus da Capital. Pois lá a música também se fez presente. Nos encontros e eventos motivacionais organizados pela empresa, era eu o responsável pelo violão e animação musical.

Como foi este teu retorno pra Venâncio?

Foi no ano de 2011, quando meu avô João Arlindo Eckert adoeceu. Saí da empresa de transporte e vim auxiliar a minha família na colheita do tabaco. Mas, logo que vim, seis meses depois meu avô faleceu. Já estou há seis anos aqui, mas sinto muita falta dos meus filhos que moram em Porto Alegre. Eu morando lá, consigo estar mais perto deles, hoje, esta seria a minha dificuldade, a saudades de não tê-los por perto.

Em relação ao trabalho, aqui em Venâncio, auxiliou teus pais na lavoura e hoje atua em que?

Durante quatro anos atuei como recepcionista no Hospital São Sebastião Mártir, atualmente atuo em uma empresa de seguraça e também estou intensificando a minha atuação como músico. Ainda não formei banda, mas costumo tocar em bares e eventos.

Os teus sonhos, quais são? Seja na música ou na vida pessoal:

Conviver de forma mais direta com meus filhos

Teus desafios e metas?

Vencer a mim mesmo a cada dia. Por exemplo, estou aprendendo a tocar sanfona. Desenvolver mais a minha parte musical, que é o que gosto de fazer, o que me atrai.

Nestes anos em que esteve fora, o que te chama atenção em Venâncio, em relação ao desenvolvimento da cidade?

Percebo que Venâncio cresceu muito na parte tradicionalista. Quando eu saí daqui, não era assim, quase não tinha CTG e, hoje, se percebe incentivo cultural para os grupos, para os eventos. Moro há 500 metros do Presídio (Peva). O regime fechado foi a melhor opção. A gente não convive mais com a falta de segurança que tínhamos quando era semi-aberto. Eu espero que, com o anúncio da vinda e concretização do Dsitrito Industrial aqui na Estância, que a localidade se desenvolva mais e que possa gerar mais empregos. Mas, vejo Venâncio ainda como uma cidade fechada, onde faltam opções de lazer e de cultura.