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Pra contar histórias: Diretora Márcia fala das ações da escola Odila

por: Jaqueline Caríssimi
Data: 23/06/2017 | 21:00
Foto: Jaqueline Carísimi / Folha do MateProfessora Márcia: Mais da metade de sua vida na sala de aula
Professora Márcia: Mais da metade de sua vida na sala de aula

A diretora Márcia Hinterholz Hickmann, 42 anos, escolheu o bairro Morsch, que faz a divisa com o bairro União, como lugar de morada. A opção pelo Morsch foi por ser um bairro calmo, na qual os moradores são proprietários e tem um zelo pelas moradias, tornando um espaço harmonioso e bem familiar. Mãe da Bruna, 15, e do Murilo Hickmann, 7, é casada com Blásio Hickmann. Escolheu o magistério como profissão e, atualmente é diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Odila Rosa Scherer, no bairro União.

FOLHA DO MATE - És professora e agora diretora de escola, tens uma trajetória neste ramo, como foi o seu começo na carreira do magistério?

Márcia Hinterholz Hickmann - Uma paixão desde criança, pois morava em frente a escola e ficavva admirando o trabalho das professoras, o envolvimento das crianças com aquele espaço. Depois que me tornei aluna, não conseguia sair da escola enquanto havia alguém, ajudava as professoras na organização, limpeza.

Quais as escolas que já lecionou? 

Escolas de ensino fundamental e municipais Reynaldo Hugo Döring, de Linha Grão-Pará, onde iniciei meus estudos. Na escola Otto Gustavo Daniel Brands. Recordo que estava na inauguração no ano 2000 e fui a primeira professora da primeira série naquela escola. Na José Duarte de Macedo atuei como professora de Línguas Portuguesa e Inglesa para as 6ª a 8ª séries. Também atuei na Dom Pedro II, de Linha Hansel, Benno Breunig e na Odila Rosa Scherer , onde hoje estou na direção. Como professora do Estado atuei na escola estadual de educação básica Mariante. Durante oito anos trabalhei 60 horas semanais em escolas, sendo parte deste tempo, professora unidocente. Ficava em uma escola, sendo professora, diretora, merendeira, secretária, faxineira entre outros afazeres.

Hoje coordenas uma das maiores escolas municipais em número de alunos do Município. Como é a experiência de ser diretora em uma escola tão grande, com tantos alunos?

Uma experiência maravilhosa, desafiadora e muito gratificante. Sempre gostei de grandes desafios, tinha como propósito isto, assegurei-me com experiências e acreditei no grupo e, principalmente, estou ao lado de pessoas fantásticas que me impulsionam e assim, nos complementamos. Quero e reforço sempre isto, que queremos, afinal somos um grupo, não faço sozinha, fazer o melhor para que esta escola seja cada vez maior e com um trabalho pedagógico invejável, com desempenho ímpar dos alunos, para construirmos junto um mundo mais consciente, justo e de paz. Vivo na escola e para a escola, pois acredito na educação e não faço da educação um gancho de emprego. Ser professor é uma vocação, este desejo precisa vir do coração, uma profissão que requer muita doação.

O que te chama atenção nesta tarefa de estar à frente de um grupo de professores?

Administrar as diferentes opiniões, culturas e conciliar o legal com o mais adequado.

Os benefícios de ser diretora de escola?

Experiências adquiridas, conhecer muitas pessoas e perceber que existe uma diversidade inimaginável, ampliar o conhecimentos na diferentes áreas como: política, economia, legislação, interação dos órgãos que coordenam todo o sistema, enfim muitos benefícios para a realização pessoal e profissional. Lamento por não poder citar maiores benefícios financeiros. Infelizmente, no Brasil, vivemos numa época de pouco investimento na educação, não valorizando os que se dedicam em fazê-la acontecer.

Tens papeis em diretorias de entidades no bairro onde mora ou onde leciona? Quais já integrou? Quais ainda integra e qual cargo?

Sim. Tenho na veia o instinto de ajudar. Desde meus 12 anos, dedico-me a catequese, a liturgia, já fui ministra, integro diretorias, sendo atualmente, tesoureira da Associação de Damas na comunidade onde nasci, e até hoje não me desprendi. Acredito que devemos colocar nossos dons a disposição.

O que tem de bom no bairro e que precisa ser valorizado?

Um lugar tranquilo, familiar, onde todos se conhecem e se preocupam com o bem-estar dos moradores.

O que precisa mudar no bairro, ou que deveria ser diferente?

Maiores investimentos em relação a limpeza, ao assoreamento do Arroio Castelhano e da Sanga do Cambará, que inunda o bairro, causando prejuízos, iluminação pública bastante precária, dispor de agentes de saúde para o trabalho preventivo e ampliação do espaço físico e pátio, bem como melhorias no fornecimento de energia elétrica, própria para a escola.

Conte um pouco sobre a Márcia no dia a dia - quem é, o que faz?

Sou professora há 19 anos. Formada no Curso Magistério, o qual fiz com muito esforço e o período que muito aprendi. Sai da casa de meus pais aos 14 anos, pois queria muito estudar e me tornar professora. Morava na colônia, não havia transporte para a cidade em horário de aula. A continuidade de estudar não era obrigatório. Uma menina humilde, com poucos recursos, mas com muita vontade de estudar encontrei pessoas maravilhosas que me acolheram e me auxiliaram na realização deste sonho. Mais tarde, já casada, fui estudar Letras/Inglês na Unisc, período difícil, pois a faculdade era muito cara, mais transporte e investimentos em material didático, salário era pouco, tinha só 20h semanais, procurava aumentar meus ganhos com aulas particulares, assessoria nos estudos. Sou uma pessoa feliz, dedicada ao que assumo, muito otimista e confiante que é possível sempre melhorar.

Alguma história que tenha te marcado no bairro?

Fazer parte da história e poder contribuir no desenvolvimento me realiza. Fatos muito marcantes são eventos da escola que a cada vez aumentam mais a participação dos pais e perceber a satisfação e orgulho das famílias em pertencer a esta comunidade escolar. Fatos que me causaram muito sofrimento foi quando, no temporal arrancou todo o telhado da escola, causando pânico do tamanho dos estragos e a enchente surpresa que, num sábado à noite, inundou todo o bairro em menos de duas horas.

Algo que tenha ficado de bom durante estes anos que integras o bairro?

O calçamento no bairro, principalmente em frente a escola, a canalização, diminuindo as inundações, as parcerias com as demais entidades, o apoio da comunidade e o zelo que moradores tem pela escola.