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Pra contar histórias: Base familiar alavancou trajetória de Itor da Rosa

por: Taiane Kussler
Data: 11/08/2017 | 18:00

De garçom do Café Central a Secretário de Turismo da Indústria e Comércio. Foi através do carisma, das referências familiares e dos valores das antigas gerações que Itor da Rosa, 76 anos, realizou gradativamente os seus objetivos. De família humilde do interior, ele soube usufruir das oportunidades para crescer como pessoa e profissional. Depois de ter contribuído com a comunidade venâncio-airense e ser reconhecido por este trabalho, hoje ele conta que colhe os frutos de tudo o que plantou.

Uma casa de chão batido, com paredes de barro e taquara e camas montadas de imbira e estacas, no interior de Venâncio Aires, esta era a propriedade da família Rosa. Mas a simplicidade não impediu que Itor da Rosa atingisse os seus objetivos, pelo contrário, a formação familiar foi a base para as futuras realizações. Desde jovem, ele já sabia conviver com as dificuldades da vida. Com apenas 10 anos, teve que começar a trabalhar assim que o pai faleceu, para ajudar a mãe e os dois irmãos menores.

Em meio às dificuldades, ele sempre buscou realizar o seu trabalho com esforço e dignidade, essência que trazia de berço. Itor da Rosa trabalhou no departamento comercial do Jornal Folha do Mate, entregador de correspondências, varredor e garçom. Enquanto atendia os clientes no Café Central, seu primeiro emprego formal, foi convidado a trabalhar como comunicador, na rádio AM de Venâncio Aires. A facilidade de comunicação fez com que o antigo morador do interior, ganhasse voz e vez na emissora de rádio da cidade, onde começou a atuar como freelancer para transmitir bailes do interior, partidas de futebol e demais programas da rádio.

Assim que foi convocado para servir no exército, obteve muitas outras experiências na carreira militar e, depois que concluiu o tempo de serviço obrigatório, teve mais uma oportunidade, bem diferente da área em que atuava. Em 1961, Itor trabalhou na então agência do SulBrasileiro, no caixa e, aos poucos foi se aperfeiçoando no cargo, sendo reconhecido profissionalmente até conquistar o cargo de gerência.

Logo que concluiu os 30 anos de profissão, Itor teve mais tempo para desfrutar da tranquilidade advinda da aposentadoria, ao lado da esposa Sara da Rosa e dos filhos Ana Paula e Itor Júnior, na companhia dos netos Pedro e Leonardo, mas o sossego durou pouco tempo. Em 87, Itor foi convidado a assumir o cargo de Secretário Municipal de Turismo da Indústria e Comércio com o compromisso de atuar na organização da 2ª Fenachim. Também fez parte da 3ª e da 9ª Festa Nacional do Chimarrão. Depois de muitas experiências em diferentes áreas, ele aceitou o desafio e ingressou na área política. As realizações surgiram a partir do esforço do seu trabalho, aliado aos valores da família.

Foto: Taiane Kussler / Folha do Mateaposentado, itor aproveita o tempo ao lado da família, no bairro Aviação
aposentado, itor aproveita o tempo ao lado da família, no bairro Aviação

FOLHA DO MATE - O que a família representa na sua formação? 

Itor da Rosa - A família tem um significado muito forte para mim, temos muita afinidade e devo tudo isso a minha formação familiar. Sempre aprendi a tratar bem as pessoas e não tomar posse de coisas alheias, respeito muito as diferenças, trato todos com a mesma igualdade. Independente das gerações, mantenho estes valores e transmito este aprendizado aos meus filhos e netos.

Quais são as recordações da sua atuação nos veículos de comunicação? 

Assim que tive a minha primeira oportunidade na rádio AM de Venâncio Aires, me identifiquei como comunicador e passei a atuar como freelancer. Em decorrência do meu trabalho na agência bancária, tive que passar três anos residindo em Osório, onde trabalhei como locutor na Rádio Osório AM. Durante esta época tive a oportunidade de transmitir campeonatos a nível estadual ocorridos em Porto Alegre.

Como eram os programas de rádio da época?

Nos anos 70, atuei como comunicador do programa de auditório "Nossa gente que brilha". A atração acontecia todos os domingos no colégio Aparecida (atualmente escola Bom Jesus) e reunia a comunidade venâncio-airense para conferir as atrações. Também fiz a transmissão do "Gente Nossa", um programa que valorizava os músicos da comunidade.

Quais as experiências que a política proporcionou a sua vida?

Assim que assumi a Secretaria de Turismo Indústria e Comércio, um horizonte de oportunidades se abriu. Tive o privilégio de contatar com todas as entidades do município, dos Ministérios e fui recebido no gabinete dos presidentes Collor, Sarney e Lula ao realizar a divulgação nacional da Fenachim em Brasília.

Quais foram os desafios ao estar à frente de três Fenachins?

Já na segunda Festa Nacional do Chimarrão, recebi o convite para assumir esta função. Na época, haviam muitos desafios já que, o parque não era fechado nas laterais e precisávamos adquirir um número considerável de pagantes para que a festa não tivesse prejuízos.

Além da Fenachim, quais foram as contribuições trazidas para a cidade?

Quando eu atuava no banco, fui convidado a fazer parte do Círculo de Pais e Mestres (CPM) do Colégio Aparecida. Assim que assumi, idealizei a meta de construir um ginásio de esportes no município, sendo que, na época só existia o ginásio da Sociedade 7 de Setembro, restrito a uma minoria de usuários. No primeiro momento, o principal objetivo era para atender a demanda dos 1500 alunos matriculados na escola e posteriormente, proporcionar o incentivo ao esporte de toda a comunidade em geral.