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Nos calçados, a independência do negócio próprio

Há seis anos, Heitor Lopes mudou-se para Venâncio Aires, onde empreendeu com uma loja e uma marca própria de calçados

por: Ana Flávia Hantt
Data: 04/02/2017 | 11:00

Para Heitor Carlos Lopes Filho, 30 anos, o empreendedorismo veio acompanhado de mais desafios além daqueles relacionados a produto, investimento ou gestão: compreendeu também uma mudança de cidade, e um voo solo nos negócios.

Natural de Sobradinho, o empresário cresceu em meio ao comércio de sapatos, já que sua família possuía um empreendimento nessa área, com oito lojas em municípios de sua região natal. A vontade de assumir para si um negócio, no entanto, fez com que o jovem, aos 24 anos, se mudasse para Venâncio Aires, onde passou a trabalhar em um novo empreendimento. Após três meses de planejamento e organização, inaugurou a Casa Lopes.

Foto: Ana Flávia Hantt / Folha do MateAos clientes, a Casa Lopes oferece sapatos de marcas reconhecidas nacionalmente, além da marca própria
Aos clientes, a Casa Lopes oferece sapatos de marcas reconhecidas nacionalmente, além da marca própria

Começou a loja em uma sala de 80 metros quadrados, na parte mais central do município. Entre os desafios, a busca por fornecedores de mercadoria, e o conhecimento do mercado.

A partir dali, eu não tinha para quem perguntar as coisas. Precisava decidir por conta própria', lembra.

Com a experiência, o empresário foi conquistando mais clientes, e trabalhando o conceito de calçados de qualidade com preço mais baixo.

Até pouco tempo, tínhamos um monopólio de grandes marcas, e as pessoas pagavam um alto valor por isso. Hoje, é possível adquirir calçados com os mesmos materiais, mesma forma de produção, por preços mais acessíveis', comenta.

Foi justamente essa visão de negócio que impulsionou Heitor a ir em busca de uma marca própria para revender em sua loja. Em parceria com uma empresa localizada em Igrejinha, passou a desenvolver e produzir calçados com a marca Di Anna, os quais podem ser encontrados para venda na Casa Lopes.

A cada temporada, elege um modelo por tipo de calçado (rasteirinhas ou coturnos, por exemplo), para ser o carro-chefe das vendas. Mais do que modelos que sejam tendência no universo da moda, a marca própria se preocupa também em atender a um nicho de mercado.

Identificamos uma demanda por calçados mais anatômicos, para pés mais largos, com numeração até o 43', comenta o empresário.

Com boa aceitação junto ao público local, a marca Di Anna - que em breve deve passar por uma mudança de nome e se tornar Casa Lopes - também passará a ser comercializada em outras lojas do estado, venda que será feita por atacado, via fábrica. 'A marca preservará as mesmas características dos calçados que já são produzidos', explica o empresário.

Foto: Ana Flávia Hantt / Folha do MateRasteirinhas da marca Di Anna são comercializadas na Casa Lopes
Rasteirinhas da marca Di Anna são comercializadas na Casa Lopes

GESTÃO
Para obter sucesso no segmento de moda, conhecido pela constante reinvenção, Heitor Lopes busca participar de feiras do segmento, conversar com representantes das fábricas, e também acompanhar revistas e outros meios de mídia. 'A moda muda muita', confirma. Um exemplo, segundo o empresário, é a oferta de calçados mais confortáveis.

Até pouco tempo, a única opção de salto alto para as mulheres era o scarpim, um sapato bonito, mas desconfortável. Hoje, praticamente não vemos mais scarpim para venda. Apenas modelos mais confortáveis, e com muitas cores diferentes, como os metalizados'.

Hoje, com seis funcionários e um espaço de 400 metros quadrados, Heitor se dedica em tempo integral ao seu negócio. É o primeiro a chegar, por volta das 7h da manhã, e último a sair, no fim do expediente. Satisfeito com o crescimento do negócio, que completará seis anos em março, o empreendedor comenta sobre a responsabilidade de manter uma empresa, especialmente em relação as cargas tributárias, que muitas vezes desafiam o conceito de oferecer bons produtos e bons preços.

Os desafios, no entanto, parecem ser superados com o andamento da loja e a satisfação dos clientes. 'Muitas pessoas me dizem 'agora eu só compro calçado aqui'', conta Heitor, feliz com o espaço que conquistou junto a Venâncio Aires, e com o crescimento pessoal e profissional que construiu com seu próprio empenho e vontade empreendedora.