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Desestrutura familiar, uma causa para unir a sociedade

Morte do menino Bernardo, em Três Passos, levanta a discussão em torno da estrutura familiar, principal demanda dos Conselhos Tutelares

por: Letícia Wacholz | Edição: Fernando Uhlmann
Data: 17/04/2014 | 08:18
Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateImagem ilustrativa
Imagem ilustrativa

Indiferença e desamor. Dois sentimentos que preocuparam o pequeno Bernardo Boldrini, de 11 anos, encontrado morto em Frederico Wesphalen . O caso, que envolve uma família de Três Passos, no Noroeste Gaúcho, chocou os gaúchos e entra para a história como um dos crimes mais frios e bárbaros e levanta uma questão séria: a desestrutura familiar, motivo de maior demanda de atendimento dos Conselhos Tutelares.

Cada um pode conhecer algum caso, mas nem todos chegam ao conhecimento das autoridades competentes e órgãos de ajuda. Em Venâncio Aires, não há registros recentes, específicos de maus-tratos contra crianças, a exemplo do que aconteceu com Bernardo. O que existem, observa o delegado Felipe Staub Cano, são casos de estupro e abandono de menores de idade relacionados à denúncias de Lei Maria da Penha. Na visão do titular da Delegacia de Polícia, o fato registrado em Três Passos demonstra um total desequilíbrio dos envolvidos. 'E isso acontece em todas as classes sociais', alerta. Cano menciona que há diversos casos onde o casal se separa e depois forma uma nova família.

E alguns deles esquecem do passado e recomeçam um nova vida, como se não tivessem filhos

Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, formam um retrato detalhado da nova família brasileira. Tratam-se de famílias reconstituídas, ou seja, núcleos constituídos depois da separação ou morte de um dos cônjuges. Esses grupos representam 16,3% do total de casais que vivem com filhos, sendo eles de apenas um dos companheiros ou de ambos.

Mas esse é apenas um dos fatores. Conforme a Conselheira Tutelar, Maria Izonete Bertram, as causas são várias, mas no município, os principais casos envolvem o álcool. Além disso, a desestrutura familiar não ocorre apenas nas famílias mais carentes. 'Pobreza não é sinônimo de negligência', afirma. O Conselho Tutelar busca identificar atitudes e ações que comprovem problemas dentro de casa. 'A criança pede socorro pelas atitudes', assegura.

No caso de Bernardo, o Conselho Tutelar buscava mais detalhes sobre denúncias de maus-tratos desde novembro do ano passado, no entanto, a criança nunca admitia maus-tratos físicos, mas um certo descaso por parte do pai. O que aumenta, ainda mais, a responsabilidade e a sensibilidade destes profissionais. 'Geralmente essa carência é manifestada na escola', explica a conselheira.

Nos casos mais graves, é feito um encaminhamento para o Minitério Público, mas antes disso, o trabalho é realizado em rede e envolve diversos profissionais da área de saúde, psicológica para assistir, não apenas ao menor, mas toda a família, que recebe visitas domiciliares e tem todo o monitoramento necessário. 'Quando é um caso de separação, por exemplo, sempre orientamos que o filho é do casal e precisa estar de bem com os dois. Se os pais não souberem adminsitrar, a criança é quem acaba sofrendo mais', explica Maria Izonete.

* Colaboração: Alvaro Pegoraro


Confira a reportagem completa no flip ou edição impressa de 17/04/2014