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Contar histórias deve dar prazer a quem conta e a quem ouve

por: Folha do Mate
Data: 20/03/2013 | 11:07

Desde 1991 é comemorado na Suíça o ‘Dia do contador de história’. Há poucos anos, 25 países aderiram a data, inclusive o Brasil. Hoje, dia 20 de março, o ‘Dia internacional do contador de história’ é dedicado especialmente àqueles que utilizam o tempo para levar à arte às demais pessoas em forma de palavras.


Uma dessas pessoas, é a servidora da Biblioteca Pública de Venâncio Aires, Rosária Garcia da Costa. A bibliotecária acredita que o encantamento estabelecido pelo ‘Era uma vez’ cria o clima da história para que cada um possa construir o seu cenário, visualizar o seu próprio lobo mau, vestir a princesa e assim construir o seu próprio castelo. E com isto, descobrir as dificuldades e também os conflitos do mundo e a partir disso, buscar soluções através dos problemas, que vão sendo enfrentados, solucionados ou não, pelos personagens das histórias.


Rosária acredita que adultos e crianças sentem-se mais atraídos por um  texto, e ao que ele transmite, quando ouvem do que quando leem. Mas diz que, para isto, é preciso que seja apresentado de uma forma envolvente, que prenda o ouvinte ao texto. “Um narrador com habilidade estabelece uma cumplicidade entre o ouvinte e a história de tal forma que ele entra no enredo”, relata.


Conforme Rosária, sempre foi uma criança tímida, que se escondia das pessoas atrás dos livros, mas em sua graduação de biblioteconomia, realizada na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), descobriu a hora do conto, onde era feita em uma biblioteca escolar e gostou do que viu. E, então, decidiu fazer isso também: levar crianças a viajar através de um livro. Seu primeiro curso foi um minicurso de ‘Hora do conto’ na Semana Acadêmica de Biblioteconomia, da Furg. A disciplina de Literatura lhe proporcionou um encontro maior com a Literatura infantil, sua história e formas de apresenta-la às crianças. Depois participou de oficinas de formação de contadores de histórias e mediadores de leitura realizadas pelo Proler em Porto Alegre, nos anos de 94 a 97. E também foi em busca de livros sobre o assunto. E a Feira do Livro que a Furg organiza no período de férias proporcionou a prática da contação de histórias e da relação de encantamento e prazer com a leitura.


Rosária diz que seu público-alvo são pessoas de zero a cem anos. E que ao escolher uma história busca ver qual o tema do evento, seja Hallowen, Dia do amigo, Semana da Consciência Negra, Dia da Criança, Dia da Mulher, Páscoa, Natal, etc. “A idade do público-alvo também é levado em conta e o local onde vai ser realizada a contação de histórias. Mas o fator determinante na escolha é a própria história, a história tem que me conquistar para ser contada por mim, é ela que me escolhe”, destaca.


Segundo a bibliotecária, a narrativa e a voz são o fio condutor forte, mas os gestos auxiliam na construção e também o cenário criado pela voz, sempre partindo de um texto escrito. “Comecei usando vestimenta neutra (preta ou branca), mas atualmente utilizo um vestido idealizado por mim. Quando vou ao encontro de crianças para contar histórias (em escola, biblioteca, feira de livro) levo os materiais que precisarei em uma sacola de pano colorida cheia de personagens pendurados. Algumas vezes utilizo objetos que remetem à história contada, que são retirados da sacola de histórias e são colocados ao meu lado; também às vezes utilizo uma capa e chapéu de bruxa. Em apresentações de palco utilizo música para minha entrada e no intervalo entre uma história e outra.


Por acreditar que para contar bem uma história é preciso conhecimento, pois os valores artísticos, linguísticos e emocionais da história dependem da forma como o narrador libera as palavras, Rosária está sempre em busca de histórias que lhe conquistem para depois fazer sua preparação para contar. “Esta preparação consiste em ler e reler o texto, buscar qual a entonação colocar em cada palavra, algumas vezes retirar só a essência da história que é mais longa, buscar gestos que ajudem a construir a história no imaginário do ouvinte e contar a história para ouvir como as palavras ficam ao serem liberadas no ar pela sua voz”, frisa.


Contar histórias é uma arte que deve dar prazer a quem conta e a quem ouve. Uma história deve ser contada emocionalmente e não simplesmente apresentada. “O contador tem que fazer o ouvinte identificar-se com os personagens, sentir-se dentro da história, viver os problemas dos personagens, viajar para o espaço temporal da história e fazer parte dela, transformar uma praça no Sítio do Pica-Pau Amarelo, o pátio de uma igreja nas margens do rio Jordão, o salão de uma  livraria na torre do castelo, uma sala de aula na Terra do Nunca, etc”, diz.


A servidora diz que hoje reinicia o grupo de terapia, realizado há um tempo, no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). “Vou uma vez por semana e cada vez conto de uma forma diferente”, diz Rosária.
Rosária conta que já viveu da contação de histórias mas como hoje sua função é servir à Biblioteca tem isso com ‘hobby’.