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Assunção: realização profissional há 13 anos

por: Taiane Kussler
Data: 04/08/2017 | 18:00
Foto: Taiane Kussler / Folha do MateMoisés bica Assunção desde 2005, é o responsável pelo Proerd em Venâncio Aires
Moisés Bica Assunção desde 2005, é o responsável pelo Proerd em Venâncio Aires

Depois de ingressar na carreira militar, Moisés Bica de Assunção, descobriu o quão apaixonante era estar inserido nesta profissão.

Antes de realizar o concurso público da Brigada Militar, Moisés não se imaginava dentro da corporação, mas na medida em que ele passou a estar vestindo a farda da Brigada Militar, sua visão mudou. Atuante da 3ª Companhia da Brigada Militar de Venâncio Aires, ele acredita que foi o destino que o trouxe para esta missão, que no decorrer do tempo, se torna cada vez mais prazerosa e apaixonante.

O resultado final do concurso público da Companhia Estadual de Energia Elétrica (Ceee) mudou completamente o destino do concurseiro que estava a ponto de ingressar na carreira pública. Porém, algo de melhor estava guardado para o cachoeirense realizar por completo a sua realização profissional. Assunção não foi classificado no primeiro concurso porque em breve, seria aprovado na Brigada Militar, profissão que realiza há 15 anos, com orgulho e admiração. 

Em Cachoeira do Sul, sua terra natal, ele adquiriu o primeiro vínculo pessoal com a equipe da Segurança Pública. 'Minha casa ficava próximo da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, por isso criei familiaridade com o grupo, porém nunca me imaginei nesta área de atuação', afirma. 'Ingressei na Brigada Militar como bombeiro e seria lotado em Porto Alegre ou Caxias do Sul, mas como minha esposa estava esperando o nosso segundo filho, troquei para a Polícia Militar e escolhi o Vale do Rio Pardo para morar', considera. O militar conta que foi muito bem acolhido em Venâncio Aires, sendo que, em 2008, recebeu o título de Cidadão Venâncio-Airense, pelo reconhecimento do trabalho que passou a realizar no município. 'Me considero um cidadão naturalizado', salienta.

Formado em Gestão de Segurança, ele construiu a sua história ao lado da esposa, Elisa Castelo Branco de Assunção, 37 anos, e dos filhos, Amanda, 14 anos, Filipe,10, e a Isabela de 1 ano, 'que não foi planejada e chegou para iluminar a vida da família', diz o pai.

Atualmente, Assunção assume uma posição de destaque na corporação da BM de Venâncio Aires. O militar realiza a logística do patrimônio da companhia e compõe a equipe de mentores do Programa de Resistência às Drogas e Violência (Proerd), aonde forma instrutores para todo o Estado e realiza um trabalho de conscientização nas escolas, com estudantes e professores.

FOLHA DO MATE- Você chegou a atuar em outra área antes de ser concursado público estadual? Quais as lembranças que tem desta época?

MOISÉS BICA DE ASSUNÇÃO  - Trabalhei na empresa jornalística "O Correio", um jornal impresso de Cachoeira do Sul. Assim que fui contratado, o jornal passou a ter uma tiragem diária e tenho boas recordações deste período, onde desempenhei a função de chefe de entrega, qualidade gráfica e revisão. Esta época foi muito produtiva, pois cresci profissionalmente e pessoalmente dentro da empresa. Tive a experiência de trabalhar com diferentes pessoas e entender as diferenças de cada uma delas. Desta maneira, mudei o sistema de gestão com o objetivo de valorizar o trabalho dos colaboradores ao realizar pequenas mudanças que trouxeram resultados positivos dentro do ambiente de trabalho.

Assim que foi aprovado no concurso da Brigada Militar, qual foi o fato que marcou a sua carreira?

Desde que ingressei na segurança pública, só tenho colhido resultados positivos, me redescobrindo dentro da função. Além de ter atuado em Operações Golfinho, Proerd Praia, Salva-Vidas Mirim e policiamento em geral, também fui indicado pelo comandante Major Rafael a realizar o curso do Proerd e escalado para compor o Pelotão de Idiomas da Copa do Mundo em 2014.

Qual a sua função dentro do Pelotão de Idiomas da Copa do Mundo? Quais foram as suas experiências durante este período?

Ficamos instalados em Porto Alegre, de maio a julho de 2014, para fazer a facilitação dos turistas, na tradução e interpretação da língua para orientá-los durante a estadia. O batalhão atuou em dez pontos estratégicos da cidade para facilitar a comunicação com os turistas de todos os lugares do mundo, que falavam o espanhol, francês, alemão e inglês. Já que eu havia realizado um curso intensivo de dois anos para atuar no Proerd, fui escalado para traduzir o espanhol. Foi uma experiência muito boa, tive contato com turistas de todos os países da América do Sul e Europa, só não tive ligação com os visitantes das Guianas e Venezuela.

Cite uma curiosidade que tenha despertado a atenção durante o contato com os visitantes de diferentes lugares do mundo? 

Aprendi muito com as outras pessoas, as características da língua dos outros países são bem diferentes. Os argentinos falam mais rápido quando comparados aos uruguaios. Também tive contato com os bolivianos e colombianos que me impressionaram por falar de um jeito cantado. Já os peruanos, tem um sotaque diferente, característica forte da língua mãe.

O que esta experiência representou na sua carreira profissional e na vida pessoal?

Foi uma grande oportunidade. Dialoguei com pessoas de 15 países diferentes, conheci colegas da Brigada Militar que atuam em vários lugares e realizamos um trabalho em equipe que foi muito gratificante para todos nós.

Quais as mudanças que ocorreram assim que você assumiu o Batalhão da Brigada Militar?

Mesmo com todas as questões sociais do Brasil e a inversão de valores, eu sou muito feliz e realizado profissionalmente fazendo o que eu faço. As mudanças foram todas para melhor, amadureci como pessoa e profissional, só tenho reconhecimentos bons da comunidade e estou colhendo resultados positivos deste trabalho.

O que o Proerd significa na sua vida? 

A questão profissional é o combustível renovável de cada dia, lá aprendemos coisas novas a cada aula. O contato com as crianças nos renova, seja através de um abraço, um olhar, uma dedicatória ou qualquer outra atitude espontânea vinda por parte dos alunos.

Qual é a mensagem que você pretende transmitir aos alunos do Proerd? 

É preciso sonhar e usar aquilo o que elas aprendem em sala de aula como algo positivo para a vida. Para ser feliz basta acreditar em si mesmo e principalmente atuar naquilo que se gosta.

Quando que você percebe que a sua missão foi cumprida com sucesso?

Quando eu vejo que as crianças estão se tornando cidadãos melhores, posso dormir tranquilo por ter feito a minha melhor contribuição quanto policial em recompensa ao reconhecimento como princípio do meu trabalho.