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Tais Ruver é uma das seis árbitras assistentes da Federação Gaúcha

por: Rosana Wessling
Data: 12/01/2019 | 07:00

Desde pequena, Taís Regina Ruver, 23 anos, está envolvida com o futebol. A jovem já esteve nas quadras e gramados jogando, mas hoje, está do outro lado, nas linhas, 'bandeirando'. Taís é árbitra assistente credenciada na Federação Gaúcha de Futebol (FGF) na categoria C, pela Delegacia de Porto Alegre. Mas com menos de 4 anos na profissão, como ela mesmo comenta, 'tem muito chão e muitos sonhos para alcançar.'

Taís conta que tudo começou com o apoio do primo Daniel Soder, árbitro no quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 'Foi através de uma conversa, ele me perguntou se tinha interesse em fazer o curso na federação, o edital estava disponível, e topei. Nunca trabalhei na área, nem tinha pegado uma bandeira na mão, mas pensei 'vou arriscar'. Pois se eu não continuasse na área, poderia usar como horas complementares na faculdade.'

A jovem cursa Educação Física - Bacharelado, na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e trabalha como encarregada em um restaurante na comunidade na qual reside, Linha Travessa. Taís cita que o apoio que recebe dos pais Sérgio e Liane Ruver, da irmã mais nova, Tainara, e também dos colegas de trabalho é fundamental para seguir com o desafio. Além disso, o pai, era árbitro amador na região, e serviu de inspiração.

Foto: Rosana Wessling / Folha do MateTais atua como bandeirinha desde 2016 em campeonatos oficiais e amadores
Taís atua como bandeirinha desde 2016 em campeonatos oficiais e amadores


O início de Taís nos gramados como árbitra assistente começou em 2015, enquanto ela ainda cursava a FGF. 'No início era engraçado, o Daniel se parava do meu lado e me ensinava o que era impedimento e todas as regras. A partir disso, a paixão foi crescendo. Comecei no amador, meu primeiro jogo foi em 2015, 'bandeirei' em Anta Gorda, o Cruzeiro e Esperança.'

Em 2016, Taís já estava apta a bandeirar jogos pela Federação Gaúcha. O primeiro foi em Igrejinha onde o time mandante jogou contra o Ivoti e a partida terminou em 0 x 0.

Dedicação

A profissão exige treinos e, todos os anos, são realizados novos testes físicos e teóricos para garantir o credenciamento. Vizinhos, ela e o primo Soder praticam na beira do asfalto, na ERS-453, corridas e testes de resistência. Além disso, juntos, treinam na pista atlética de Mato Leitão. Ansiosa, Taís se prepara, pois no próximo dia 17 terá um novo teste para garantir a credencial para 2019.

Com vários jogos na bagagem, nas categorias amador, base, infantil, juniores, além dos amadores de várzea, Taís lembra um dos mais desafiadores. 'A semifinal do infantil entre São José de Porto Alegre e Pinheiros de Taquari, em 2017, foi uma das que mais me marcou. Aconteceu um lance, um pênalti do meu lado, a gente acertou o lance, mas deu uma polêmica. Nessas horas, não podemos nos precipitar. Na hora do lance tu ficas naquela 'é ou não é?'. Daí tem aqueles dois, três segundos e tu precisas marcar, e ajudar o árbitro. Era um lance que seria decisivo na vaga, e acertamos.' A final do Gre-Nal feminino em 2018 também foi um grande desafio para Taís. 'É difícil um árbitro da letra C pegar um jogo decisivo desses.'

Muito além de parte física, Taís precisa de concentração e estudos, pois, no momento do lance, as regras precisam elucidar-se na memória. A função exige cuidados antes do apito inicial da partida com revisão de redes, súmula, campo e funções extracampo.


Desafios sempre tem, ainda mais com jogos masculinos. O jogador te encara, os torcedores te olham. É diferente, a gente sabe que é, eles olham porque é mulher. Mas tem muita coisa boa, torcedor que apoia, que vira teu amigo fora do campo, e sempre tento levar as coisas boas. As coisas negativas eu supero.'
TAíS REGINA RUVER
Árbitra assistente

Uma profissão desafiadora

Taís sonha atingir a categoria A da Federação e bandeirar jogos importantes a nível estadual. Ao ser questionada, garante, que pretende continuar nessa área. Além de almejar a categoria A na FGF, o objetivo é fazer parte da equipe de árbitros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 'E por que logo mais não fazer parte da Federação Internacional de Futebol (Fifa)? Basta correr atrás do sonho. Eu já dei o primeiro passo e vou chegar lá.'

Em relação ao 'clubismo', a bandeirinha garante: 'Você entra no campo e as preferências não mudam nada no andamento da partida. Naquele momento, vem o lado profissional.'

Na profissão, seja árbitro ou bandeirinha poucas mulheres atuam. Atualmente, apenas cinco mulheres, além de Taís. integram a equipe de árbitros assistentes da FGF. 'É algo que está entrando mais forte agora a presença da mulher no meio da arbitragem. E para quem gosta é muito interessante porque é um espaço onde a pessoa conhece vários lugares e faz amizades diferentes. Para saber a emoção que se tem durante um jogo é preciso entrar neste espaço, sem medo, pois, quem não arrisca não chega a lugar nenhum', incentiva Taís.

Foto: Rosana Wessling / Folha do MateMetas da árbitra assistente são desafiadoras
Metas da árbitra assistente são desafiadoras


Mulheres na arbitragem

- Federação Gaúcha de Futebol tem apenas seis mulheres na lista de árbitros, todas elas como árbitras assistentes.

- Entre os 36 convocados para a arbitragem da Copa do Mundo de 2018, não teve nenhum nome feminino.

- Mulheres representam menos de 30% na arbitragem da Fifa.

- Em 2017, o quadro feminino da CBF era de 14 árbitras e 49 assistentes.