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Censo Escolar aponta ampliação do ensino integral em Venâncio Aires

por: Juliana Bencke
Data: 28/12/2017 | 06:30

Nicolly Sabrine Ribeiro da Silva, 10 anos, e Carine Inês Rodrigues da Rocha, 12 anos, estão no 4º ano da Escola Estadual de Ensino Médio Crescer. De segunda a sexta-feira, além de frequentarem a aula normal, elas ficam no colégio, também, no turno oposto, para atividades do programa Escola em Tempo Integral. 'É divertido', dizem as amigas, que apresentam, orgulhosas, um trabalho sobre o sistema digestório feito com massinha de modelar.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateNicolly e Carine estão entre os cerca de 140 alunos da Crescer que participam do programa Escola em Tempo Integral
Nicolly e Carine estão entre os cerca de 140 alunos da Crescer que participam do programa Escola em Tempo Integral

Para Nicolly, que sabe na ponta da língua a função de cada órgão do aparelho digestivo, adora as atividades de ginástica e tem o dom de desenhar, o aspecto positivo de ficar de manhã e à tarde na escola é a variedade de opções para se divertir e aprender. 'Aqui na escola tem mais coisas para brincar do que em casa.'

Nos últimos cinco anos, o número de estudantes de ensino fundamental atendidos de forma integral na rede municipal e estadual de ensino de Venâncio Aires deu um salto: de 619, em 2013, para 828, neste ano, em um aumento de quase 34%.

Os dados são da primeira etapa do Censo Escolar de 2017 - resultado preliminar divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), na terça-feira, 26. A maior cobertura de ensino integral no ensino fundamental está nas escolas estaduais: são 570 crianças (13%) que têm atividades no colégio nos dois turnos, de acordo com o Censo Escolar.

Além das instituições que oferecem oficinas aos estudantes, no turno oposto ao da aula, desde o ano passado, as escolas Wolfram Metzler, do bairro Bela Vista, e Crescer, do Coronel Brito, contam com o programa Tempo Integral. Mais do que atendimento recreativo, o projeto prevê atividades pedagógicas, divididas em seis áreas de conhecimento: Educação Física, Ciências, Língua Portuguesa, Matemática, Arte e Língua Espanhola.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateNo turno oposto ao da aula, alunos do Tempo Integral têm atividades pedagógicas de seis áreas do conhecimento
No turno oposto ao da aula, alunos do Tempo Integral têm atividades pedagógicas de seis áreas do conhecimento

Coordenadora do tempo integral na escola Crescer, a professora Elis Hammerschmitt explica que os docentes de cada área de conhecimento atuam em sintonia com os professores da turma, aprofundando assuntos já trabalhados com os alunos, auxiliando nos temas de casa e promovendo ações práticas e manuais, como o sistema digestório de massinha de modelar confeccionado por Nicolly e Carine.

'Trabalhamos com projetos e com temas relacionados à realidade deles, buscamos integrar as famílias, além de promover reforço de Português e Matemática, para melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da escola', explica Elis.

Coordenador regional de Educação, Luiz Ricardo Pinho de Moura, afirma que o atendimento integral aos alunos deve ser mantido e ampliado, ao longo dos próximos anos. Atualmente, cinco escolas da área de abrangência da 6ª Coordenadoria Regional de Educação (6ª CRE) oferecem o programa, incluindo as duas venâncio-airenses.

O maior tempo do aluno no estabelecimento de ensino com atividades pedagógicas promove um melhor aprendizado. Temos uma escola, em Santa Cruz do Sul, que, por meio do Tempo Integral, conseguiu alcançar um índice de 100% de aprovação dos alunos", Luiz Ricardo Pinho de Moura, coordenador regional de Educação.

De acordo com Moura, a prioridade são estabelecimentos de ensino com estudantes em vulnerabilidade social e que tenham espaço físico e recursos humanos disponíveis para atender as crianças de manhã e à tarde. 'Tanto na Wolfram quanto na Crescer percebemos que já há uma mudança na postura dos alunos que frequentam o Tempo Integral. Ele contribui para melhorar a aprendizagem e o convívio escolar.'

Além do acompanhamento de profissionais da educação, estudantes que participam de atividades na escola em turno oposto ao da aula recebem almoço e lanche. Crianças que frequentam o 1º e 2º ano também têm momento de descanso depois do meio-dia.

>> 6.424 matrículas foram registradas em turmas de ensino fundamental em escolas municipais e estaduais em 2017. O número é 13% menor do que o de cinco anos atrás, quando havia 7.420 estudantes nessas séries. A redução também é observada no ensino médio, onde passou-se de 1.715 estudantes na rede pública para 1,5 mil, entre 2013 e 2017.

>> 45% dos alunos de pré-escola são atendidos em tempo integral, conforme o Censo Escolar. As demais frequentam a escola em apenas um turno.

Ampliar a educação integral é meta municipal

Na rede municipal de ensino, as escolas Professora Odila Rosa Scherer, São Judas Tadeu e Otto Gustavo Daniel Brands oferecem turno integral. Além disso, as Emefs Coronel Thomaz Pereira e Cidade Nova, assim como outras instituições da rede estadual, contam com as atividades e oficinas em turno oposto ao da escola, por meio do programa Novo Mais Educação, do Governo Federal.

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateAlém do reforço na aprendizagem, tempo maior na escola garante alimentação e segurança para as crianças, enquanto estão na escola
Além do reforço na aprendizagem, alunos têm garantia de alimentação e segurança, enquanto estão na escola

'Nesse caso, o recurso vem direto para a escola. No entanto, não temos certeza se continuará, pois, para o próximo ano, o Governo Federal não abriu adesão para nenhuma escola do Rio Grande do Sul', comenta a secretária municipal de Educação, Joice Battisti Gassen.

Nas Emefs Odila, São Judas e Otto Brands, entretanto, o turno integral mantido pelo Município está garantido, para o próximo ano. 'Quando o aluno está na escola no turno oposto ao da aula, tem todo o suporte educativo e não está em situação de risco', considera Joice. Ela lembra que ampliar o atendimento integral em 50% das escolas e para 25% dos alunos está no Plano Municipal, Estadual e Nacional de Educação, com validade até 2025. 'A grande dificuldade para efetivar isso é o financiamento', afirma, ao citar os custos com alimentação, profissionais e estrutura física para atender as crianças de manhã e à tarde.

Sobre o Censo

O Censo Escolar é o principal instrumento de coleta de informações da educação básica e o mais importante levantamento estatístico educacional brasileiro nessa área. A coleta de dados das escolas tem caráter declaratório e é dividida em duas etapas. Na primeira etapa, ocorre a coleta de informações sobre os estabelecimentos de ensino, turmas, alunos e profissionais escolares em sala de aula.

A segunda etapa ocorre com o preenchimento de informações sobre a situação do aluno, e considera os dados sobre o movimento e rendimento escolar dos alunos, ao final do ano letivo. Os dados divulgados pelo Inep, nesta semana, referem-se à primeira etapa do Censo Escolar, sendo que o resultado completo deve ser divulgado, apenas, no segundo semestre de 2018.