fechar

Venâncio-airense realiza desafio literário 'Um conto por mês durante um ano'

por: Juliana Bencke
Data: 19/01/2019 | 16:00

Depois de escrever 50 crônicas em 50 dias, no ano passado, o publicitário Gean Paulo Naue, 25 anos, lançou um novo desafio para 2019, o 'Eu conto: Um conto por mês durante um ano'. Até dezembro, o venâncio-airense vai enviar gratuitamente um conto mensal de sua autoria, por e-mail, para leitores cadastrados para participar do projeto.

Até ontem, a lista de leitores de Gean já contava com 110 pessoas. 'Ela vai estar aberta até dezembro, então ainda pode aumentar. O conto não tem dia específico para ser enviado, gosto de pensar que ele é uma surpresa. Chega a qualquer dia', explica. Clique aqui para se cadastrar

O primeiro, chegou na quinta-feira, 17. Intitulado 'Josué' - nome de um dos melhores amigos de Gean -, a obra fala sobre uma separação que tiveram e de um reencontro depois de 6 anos. O escritor adianta que o próximo conto será um texto de realismo fantástico. 'Vai falar sobre como era Venâncio antes de ser Faxinal dos Fagundes. Não está explícito no conto, mas quem mora aqui vai se identificar.'

Foto: Alan Barboza / DivulgaçãoLeitor desde a infância, Gean busca incentivar novos leitores com os textos de sua autoria
Leitor desde a infância, Gean busca incentivar novos leitores com os textos de sua autoria

A opção por enviar os contos, por e-mail, em vez de apenas publicá-los em um site ou nas redes sociais, tem o propósito de buscar uma divulgação mais eficaz e promover um contato mais próximo com os leitores. Para Gean, além de não precisar investir financeiramente na divulgação, o método facilita para os leitores.

'A pessoa só vai se cadastrar se tiver interesse em ler, isso já é algo muito bom. Todos que se cadastraram vão receber o texto e ele pode ficar guardado lá para ser lido na hora que quiser, ninguém vai precisar estar correndo atrás de links ou digitando no Google. Além disso, o e-mail permite que o leitor se comunique comigo, o que torna a relação bem próxima e interessante', considera.

Além disso, todo mês, será possível ler o conto de forma impressa, na Biblioteca Pública Municipal Caá Yari. 'Não é para retirar e levar para casa feito um livro, mas pode ser lido por quem estiver por lá e quiser ler algo rápido ou não tiver acesso à internet', explica Gean. Outro plano é que os contos sejam gravados em áudio para chegar àquelas pessoas que não sabem, não gostam de ler ou são impossibilitadas de ler.

Confira o primeiro conto de Gean, intitulado Josué.

h

Como surgiu a ideia desse desafio literário? 

Gean Naue: Surgiu da necessidade de escrever de uma forma mais fiel. Eu escrevo desde sempre, e isso me faz bem, me deixa feliz, mas nunca fui muito regrado. Escrevia quando dava tempo, quando despertava a vontade, quando tinha uma ideia. Porém, não é assim que funciona. Escrever exige algumas regras e uma das mais importantes delas é a disciplina: escolher um tempo de começo e término do processo criativo de escrita.

Qual o objetivo do 'Eu conto'?

Gean Naue: O objetivo, por incrível que pareça, é voltado muito mais pra mim do que para os leitores. Claro que eu quero contar boas histórias e despertar as pessoas, mas, inicialmente, a finalidade do desafio era fazer com que eu escrevesse de forma regrada.

Em 2018, inventei o desafio '50 crônicas em 50' o que me obrigou a, todo santo dia, escrever. Para minha surpresa, foi algo muito tranquilo e prazeroso, nem doeu. Em 2019, eu tive que dar um jeito de continuar essa rotina de escrita, então nasceu o 'Eu conto: um conto por mês durante um ano'. Agora, a experiência é mais longa, mais trabalhosa e com mais tempo, também, o que me dá a chance de pensar mais, escrever mais, divulgar melhor os textos e despertar o interesse nas pessoas para ler o que eu escrevo.

O que você aprendeu escrevendo 50 crônicas em 50 dias, no ano passado?

Gean Naue: Escrever, por ser algo tão grandioso, não é simples, ao meu ver. Na minha mente autores e obras literárias são vistas como entidades acima do senso comum. Me posiciono diferente ao lado de um autor, como se ele fosse um Deus. E isso me travava muito quando eu ia, na minha simplicidade, escrever. Então, as '50 crônicas em 50 dias' me fizeram perder esse medo, ver que eu posso escrever o que vem na minha mente da forma que julgar melhor.

Antes, eu achava que só poderia escrever quem fosse muito bem na gramática, isso é uma besteira! Tem gente que conhece gramática como ninguém e não escreve nada e tem gente, como eu, que conhece alguma coisa das regras de português e usa isso pra se expressar. Eu respeito muito a arte de escrever e ler e é isso que me guia e me pressiona a dar o melhor que eu tenho enquanto escrevo.