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Sob duas rodas, a forma de ver a cidade diferente

No Dia Internacional de ir de Bike ao Trabalho, destacamos a importância dela para saúde e meio ambiente

por: Ana Carolina Becker
Data: 12/05/2017 | 09:30

Todos os dias, quando o relógio marca 6h20min, é hora de 'preparar' a bicicleta para seguir para mais um dia de trabalho. Companheira de Adriana Teresinha Hilgert há oito anos, a 'magrela' é quem a leva, em dias sem chuva, ao trabalho logo cedo.

Foto: Ana Carolina Becker / Folha do MateAdriana é adepta da bicicleta e a utiliza para ir ao trabalho
Adriana é adepta da bicicleta e a utiliza para ir ao trabalho

A moradora do bairro Bela Vista conta que utiliza a bike apenas em dias sem chuva. 'Quando o tempo está para chuva ou está chovendo utilizo o ônibus', completa. Dividida entre dois trabalhos, um no turno da manhã e outro à tarde, a auxiliar de limpeza relata que costuma levar 20 minutos até o local onde trabalha na área central de segunda a sexta-feira pela manhã.

Uma pesquisa realizada de julho a agosto de 2015, a partir do projeto Parceria Nacional Pela Mobilidade em Bicicleta, desenvolvida pela Transporte Ativo, criou o perfil do ciclista brasileiro. O estudo mostra que pelo menos 37,3% dos 5012 ciclistas entrevistados utilizam a bicicleta há mais de cinco anos. Além disso, 72,7% não combinam o meio de transporte com outro meio e apenas 26,4% faz isso, o que ocorre com Adriana, que em dias de chuva opta pelo transporte público.

Hoje, quando celebra-se o Dia Internacional de ir ao Trabalho de Bike, Adriana é um exemplo entre muitos dos moradores de Venâncio Aires que utilizam a 'magrela' para se deslocar de um local ao outro.

Rápido e prático
Pelo menos 42,9% dos entrevistados na pesquisa realizada pela Transporte Ativo acreditam que a bicicleta seja um meio mais rápido e prático para se locomover. No entanto, Adriana lembra que ainda é preciso ter muito cuidado na hora de sair na rua, 'pois o número de carros e motos aumenta a cada dia', alerta. Cerca de 34,6% acreditam que o maior problema ao utilizar a bike é a falta de respeito dos condutores motorizados. Não somente no inverno, quando ainda está escuro quando sai de casa, mas também em outras estações, ela opta por roteiros alternativos, justamente pela segurança.


A bicicleta me proporciona a prática de atividade física e economia

Adriana Teresinha Hilgert, 36 anos

 


Perfil do ciclista
-De 25 a 34 anos - Faixa etária que representa 34,3% no uso da bicicleta;
-Pelo menos 42,5% tem apenas o ensino médio concluído e 23,4% ensino superior;
-A renda de 30% é de uma a dois salários mínimos;
-De 10 a 30 minutos é o tempo percorrido por 56,% dos entrevistados;
-88,1% utiliza a bicicleta para ir ao trabalho.


FALA PROFISSIONAL!

Investir em mobilidade é 30 vezes mais barato

A cada dia que passa o número de carros aumenta e a demanda pela qualidade de circulação também. 'Quando colocamos mais dinheiro na via, a gente estimula a demanda', a frase do professor de Arquitetura e Urbanismo da Univates, Alexandre Pereira Santos, é um esboço do que se vive nos dias de hoje. Afinal, as pessoas compram carro porque o espaço é adequado para ele, mas um dia pode não ser mais, justamente pelo número excessivo.

Alguns países da Europa já perceberam que as cidades não suportam mais automotores e investiram em mobilidade, criando, principalmente, espaço para as bicicletas. Você deve estar se perguntando se as cidades do Vale do Rio Pardo e Taquari tem 'capacidade' para desenvolver esse costume. 'Um grande número de pessoas já utiliza a bicicleta e sofre com a falta de estrutura', destaca Santos.

De acordo com professor, na hora de se pensar uma ciclovia é preciso pensar ela formando uma conexão entre os principais pontos da cidades, como área residencial, de empregos e compras. Além disso, investir em faixas de ciclovias e questões de mobilidade urbana, é 30 vezes mais barato do que na infraestrutura utilizada por carros que vai desde asfalto, estacionamento, viadutos e outros.

Além de ter um custo menor tanto para a cidade quando para quem utiliza a bicicleta, ela traz vantagens para a saúde. 'As pessoas são mais felizes, vivem melhor e mais tempo com mais prazer no dia a dia quando não usam carro como meio de transporte', explica.

Práticas sustentáveis
A Univates realiza no dia 21 a 6ª edição do Dia Sem Carro em frente ao Centro Cultural. A programação inicia às 15h e irá contar com oficinas de gastronomia, atividades de pilates, funcional e alongamento. Além disso, a comunidade também poderá fazer uso da Bicivates e realizar exame de tipagem sanguínea, prestigiar apresentações culturais e passear pelo campus.