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Paixão musical levada aos bailes do interior

por: Kethlin Meurer
Data: 29/08/2015 | 14:58
Foto: Kethlin Meurer / Folha do MateAo tocar no pátio da antiga casa onde foram criados, os irmãos Bauermann relembram a juventude e a época em que formaram o grupo musical
Ao tocar no pátio da antiga casa onde foram criados, os irmãos Bauermann relembram a juventude e a época em que formaram o grupo musical

Uma história de vida transformada em lembranças que hoje ficaram eternizadas não apenas na memória, mas também no coração. Três irmãos com talentos musicais descobertos por acaso. Três homens que em meio às dificuldades da época, levavam alegria às festas e bailes do interior no fim da década de 50. Esses são os 'Bauermanns', ainda lembrados por aqueles que em uma época não tão distante, se divertiam e aplaudiam de pé o sucesso dos três irmãos.

O distrito de Monte Alverne começou a ser visto de uma forma um pouco diferente, quando os irmãos, comunicativos e cheios de carisma, se reuniram e resolveram formar um grupo musical: Os irmãos Bauermann.

A história de Darci Eno Bauermann, 69 anos, Lotário René Bauermann, 73 anos e Nelson José Bauermann, 65 anos, é longa, mas eles fazem questão de relembrar cada momento vivenciado.

Quem iniciou no ramo da música, em 1955, foi Lotário, com 13 anos na época. Conta que tudo começou com a iniciativa do vizinho Adolfo Hirsch. Adolfo já trabalhava no ramo e tinha o costume de fazer caminhadas nos domingos pela manhã. Em uma delas, encontrou Lotário assobiando. 'Então começou a história. Ele conversou comigo e como precisava de pessoas para tocar na banda dele, disse que eu seria um bom músico e me convidou para tocar com ele', conta Lotário. Não demorou muito, o convite foi aceito. No início da carreira, com o grupo Jazz Guarany, começou a tocar clarinete.

Embora fosse sucesso na época, o repertório musical era composto apenas por dez músicas. Em meio a gargalhadas, Lotário relembra: 'Eu não sabia tocar mais músicas. Quando terminava as dez, começava tudo de novo, e quando as pessoas batiam palmas, era sinal que tinham gostado. Por isso, a gente tocava mais uma vez a música recém tocada.'

Foto: Kethlin Meurer / Folha do MateLotário, ao segurar a foto de quando era novo, lembra com carinho de como iniciou a carreira no ramo da música, quando tinha 13 anos
Lotário, ao segurar a foto de quando era novo, lembra com carinho de como iniciou a carreira no ramo da música, quando tinha 13 anos

SURGIMENTO

Lotário 'pegou gosto pela coisa', e fazia questão de ensinar também aos irmãos Nelson e Darci. Todos interessados e admirados com os instrumentos de sopro, resolveram compor o próprio grupo musical em 1958. Nelson tinha 9 anos e Darci, 13. A função de cada um foi dividida: O pistão ficava por conta de Lotário; Nelson tocava bateria e, Darci, trombone. Mas os três irmãos não estavam sozinhos. O grupo também era composto por João Soder, Zeno Becker e Nelson Assmann. Logo também começaram a fazer sucesso. Com média de 60 shows por ano compostos por músicas alemãs apenas tocadas, o grupo sempre estava presente nas festas do interior.

As dificuldades também fizeram parte da vida deles. Sem poder desfrutar das mesmas tecnologias e facilidades da atualidade, os instrumentos de sopro eram levados de carroça de um lugar até outro, esta que era puxada por cavalos. E quando chovia? A chuva não os impedia de tocar. Para que os instrumentos não molhassem, uma grande lona era colocada em cima. 'Nós não tínhamos caixas de som, então cabia tudo na carroça. Depois que começamos a tocar em mais lugares do Rio Grande do Sul, tivemos que comprar um ônibus', comenta Nelson. O grupo ganhou tanta fama, que e em todas as quartas-feiras havia um espaço garantido de uma hora na rádio para eles, momento de ir ao ar as músicas dos 'Bauermanns'.

Confira a matéria completa na edição deste sábado, 29, ou no flip.