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Desfile de Moda Inclusiva apresentou sonhos em forma de roupas

Evento foi realizado pela Univates em parceria com a Mercur

por: AI Univates
Data: 23/08/2016 | 09:16

Sonho. Essa foi a palavra que norteou o Desfile de Moda Inclusiva realizada pelo curso de Design de Moda da Univates em parceria com a empresa Mercur, realizado nesta segunda-feira, 22, no Teatro Univates. No palco transformando em passarela, dezesseis pessoas com deficiência desfilaram a materialização de seus sonhos em peças de roupas desenhadas pelas estudantes da Instituição na disciplina Ergonomia Aplicada ao Design de Moda. O momento foi alusivo à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, que ocorre de 21 a 28 de agosto.

Foto: Nicole Morás / AI Univatesl

Entre os looks, pedidos de fantasias de superherois, princesas e peças que facilitem o dia a dia de quem enfrenta as dificuldades da própria deficiência, e mais ainda preconceito e falta de opções de vestuários projetados especialmente para cegos, cadeirantes e amputados, entre outras deficiências. Para colocar no tecido tantos desejos, as 'madrinhas' - ou estudantes de Design de Moda, realizaram entrevistas com seus afilhados e colocaram em prática a teoria vista em sala de aula.

A proposta envolveu o desfile de pessoas com idades e características diferentes em que os alunos do curso devem pensar e colocar em prática roupas que auxiliem e minimizem dificuldades. 'Quando propusemos a ideia aos alunos, eles se sentiram desafiados. Até então era só teoria, e nesse momento eles tiveram também contato prático. Fizeram entrevista com os modelos e conheceram as limitações de cada um e é aí que a ergonomia entra, pois ajuda a sentir a dificuldade do outro e adaptá-la à moda', conta Claudia Foletto, professora da disciplina.

Na plateia, os familiares dos modelos se emocionavam a cada entrada, ao mesmo tempo em que aplaudiam e incentivavam. Sueli Campiol estava tão ansiosa quanto a filha Fernanda Bozzetto. 'Ela é sempre bastante ansiosa, mas desde ontem estava mais ainda, tanto que nem quis ir para o colégio hoje. Depois da maquiagem, ela voltou muito feliz, porque é vaidosa e adora estar em público, então tenho certeza que desfilar é um sonho dela', afirmou a mãe, que estava orgulhosa pela filhar participar do desfile. Fernanda é surda, tem atraso mental e é hiperativa.

Debate apresenta a visão de pessoas com deficiência e a relação com a moda

Antes do desfile, uma roda de conversa abordou como a deficiência é vista por quem convive com ela: Vitória Cuervo, estilista, dona da marca que leva seu nome, pioneira a trabalhar com moda inclusiva no Rio Grande do Sul e dona do blog 'Ou Tudo Ou Moda'; Bruna Rocha Silveira, autora do blog 'Esclerose Múltipla e eu', ativista e pesquisadora do movimento das pessoas com deficiência e doutora em Educação; Carlena Weber, Assistente Social, pós-graduada em Educação Especial e autora do livro 'A minha versão da história'; Suzana das Graças Amaro, modelo que fez parte do desfile; e Ereneide Khahl da Cunha, aluna responsável pela criação do look da modelo Emanuele Rodrigue Castro. O momento foi mediado pela jornalista Gabriela Quevedo.

As participantes contaram sua história com a deficiência, a exemplo de Carlene, que adquiriu tetraplegia aos 21 anos, após sofrer um acidente. 'Existe um lado muito difícil da deficiência no Brasil, mas a maior dificuldade é de as pessoas verem que temos possibilidades', afirmou ela. Para ela, foi ao fazer reabilitação na rede Sarah Kubitschek, em Brasília, e conhecer outras pessoas com deficiência, que Carlene percebeu que ela não era a única e poderia contar sua história em um livro. 'Não quero ser herói para ninguém, quero viver a minha vida. E se eu puder inspirar alguém, que seja para as pessoas pensarem diferente', disse.

Sobre moda, Vitória afirmou que sempre houve roupas adaptadas, mas há pouco tempo se fala em moda inclusiva. 'Me interessei pelo assunto quando fiz meu trabalho de conclusão de curso e estudei a moda para mulheres cadeirantes. Depois disso, participei de desfiles inclusivos e sempre faço peças especiais nas minhas coleções, mais adaptadas a pessoas com deficiência, mas que podem ser usadas por todos', exemplificou.

Foto: Nicole Morás / AI Univatesk

Além do debate, o evento contou ainda com apresentação de dança da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Lajeado, Teutônia e Estrela.

Desfile desperta um outro olhar

As estudantes de design, Giulia Andreola, Ana Laura Costa, Lisiane Eckhardt e Carolina Werlang, e de design de moda, Ketlyin Aimi foram surpreendidas pelo bate-papo antes do desfile. 'Não sabíamos que ia acontecer, mas foi importante para ajudar na percepção que tivemos do desfile, abriu a nossa mente', concordaram elas. 'As pessoas com deficiência, muitas vezes, são vistas como inferiores, mas no desfile elas estavam em uma condição de igualdade, mostrando que é possível ser feliz tanto quanto, ou às vezes mais, do que uma pessoa sem deficiência', avaliaram elas. Para as acadêmicas, o desfile foi uma lição de que é preciso se colocar no lugar do outro e que uma pedra pode ser um degrau, 'mas melhor ainda se for uma rampa'. 'Com certeza, nos inspirou e deu um ânimo novo para este início de semana', finalizaram elas.

Os modelos

Os modelos do desfile representaram várias associações e instituições de pessoas com deficiência: Apae dos municípios de Lajeado, de Estrela e de Cruzeiro do Sul; Secretaria Municipal de Educação de Lajeado; Secretaria Municipal de Educação de Estrela; Associação dos Deficientes Físicos de Lajeado (ADEFIL); Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (APADEV); Associação dos deficientes auditivos de Lajeado (ASLA); e Clínica Escola de Fisioterapia da Univates.