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Bailarina por profissão

por: Rosana Wessling
Data: 01/02/2019 | 14:00

Após 4 anos de experiência em uma das maiores escolas especializadas em dança oriental (dança do ventre), o Centro Cultural Shangrila em São Paulo, a venâncio-airense Fernanda Fürst, 32 anos, retorna à Capital do Chimarrão.
A paixão pela dança sempre fez parte da vida de Fernanda, que reside no centro da cidade e é bailarina há 8 anos. Depois de muito estudo por vídeos e livros, ela foi a São Paulo, em 2013, para conhecer a bailarina Lulu Sabongi, que anos depois fundou a escola onde Fernanda estudou.
De volta a Venâncio Aires há duas semanas, ela pretende mostrar a dança para a cidade natal. 'Todos precisam conhecer essa cultura de verdade, mudar a visão e abrir espaço para a dança.' Com diversos conhecimentos obtidos em 4 anos de um estudo aprofundado, ela destaca a experiência gratificante e quer dividir o conhecimento, buscando a valorização da dança. 'Quero trabalhar com a dança oriental, fazer com que as pessoas a conheçam de verdade. Pretendo também voltar a São Paulo esporadicamente para manter o acompanhamento com as professoras', comenta.

Foto: Arquivo pessoal / DivulgaçãoPara Fernanda o trabalho da dança é traduzir a música através do corpo
Para Fernanda o trabalho da dança é traduzir a música através do corpo


Um dos maiores desafios, segundo a bailarina, será mostrar a cultura com as aulas, shows e convidar as pessoas para participarem e conhecerem a dança oriental árabe. 'Acredito que hoje falta pensamento de base. Dançar não é só relaxar, não é um hobby, é profissão. O que mantém o artista é o amor, muitos não vivem só da arte por causa disso. É difícil, mas vale a pena.'
Hoje, a bailarina começa na profissão como professora de dança do ventre. Pretende realizar aulas particulares e também em grupo. 'A dança é para a pessoa se descobrir. A dança oriental árabe é determinação e paciência, pois são movimentos difíceis, que exigem muito estudo e os primeiros resultados demoram meses para serem observados. Além disso, você precisa de conhecimento em anatomia e fisiologia. São bases agregadas para um resultado único, dançar.'

PERCURSO
A ida da bailarina para outro estado ocorreu devido à vontade de conhecer a dança e estudar ela na sua essência, aprofundando os conhecimentos já obtidos durante a graduação em Educação Física - Licenciatura, e anos de aulas em escolas de Venâncio Aires.

Foto: Rosana Wessling / Folha do MateVenâncio-airense retorna para disseminar a cultura árabe
Venâncio-airense retorna ao município para disseminar a cultura árabe

'Com essa vontade de aprender mais, aprimorar o tão pouco que sabia, decidi que precisava de acompanhamento, o que eu sabia não era o suficiente. Antes, já lia muito sobre o assunto, pesquisava na internet, assistia aos vídeos da campeã brasileira de dança do ventre Mahaila El Helwa, que depois se tornou a minha professora, e buscava referências em outros tantos bailarinos renomados com vasto conhecimento', conta a bailarina.
Fernanda destaca as diversas vertentes da dança árabe. Hoje, ela é especializada em dança do ventre e folclore, trabalhando-os em conjunto. 'Não é só a dança, é cultura', enfatiza, ao observar que a dança do ventre proporciona um trabalho corporal, estético e psicológico.
Quando Fernanda chegou a São Paulo, nos primeiros meses, trabalhava, paralelamente às aulas, em uma academia. Com o tempo, conseguiu se dedicar exclusivamente para a dança, incluindo treinos e apresentações. 'São horas exaustivas de treinos, precisamos correr atrás de muita coisa. Traduções das músicas, os músicos ajudam a fazer essa leitura do movimento. A rotina de treinos é sem muitas pausas.'
A profissional explica que o trabalho da dança é traduzir a música através do corpo e lembra que a dança é feita para todos, sem restrição de idade, cor, raça e etnia. Apesar disso, Fernanda comenta que, infelizmente, muitas pessoas ainda olham para a dança do ventre como algo sensual. No entanto, ela afirma que ' a sensualidade está nos olhos de quem enxerga.'

Sobre reconhecimento
'Acredito que hoje falta pensamento de base. Dançar não é só relaxar, não é um hobby, é profissão.'

Sobre a dança
'A dança do ventre é rica em movimentos, atitudes, sons. Ela faz você enxergar quem você é. Você encara a vida de outra forma.'

Sobre conhecimento
'O que eu sabia da dança antes da ida a São Paulo, passei a ter certeza: dançar é vida, ela te traz de volta para a vida, te transforma. Me enxergo como bailarina e, com essa bagagem conquistada lá, hoje penso a dança de outra forma.'


Filho no palco
Fernanda participou de diversas apresentações em palcos de São Paulo. O teatro onde ela se apresentou diversas vezes foi o Santo Agostinho. Também já participou do Congresso Internacional de Dança, Arte e Cultura Árabe - o Mercado Persa, um dos maiores festivais sobre o tema no Brasil. Segundo a bailarina, as preparações para esses espetáculos são ensaios de mais de seis meses e o artista tem menos de cinco minutos no palco para se apresentar, com trocas de roupas feitas em até 30 segundos.

Foto: Arquivo pessoal / DivulgaçãoFernanda com o filho João, em pé ao centro, em apresentação no Teatro Santo Agostinho
Fernanda com o filho João, em pé ao centro, em apresentação no Teatro Santo Agostinho

Um dos últimos espetáculos em São Paulo ocorreu em dezembro do ano passado, no Santo Agostinho. Fernanda e o grupo apresentaram 'A tenda vermelha', quando ela dançou com seu filho João, de apenas 3 anos. 'Foi uma experiência maravilhosa, foi a primeira participação dele no palco. Adaptei o sling para ele, pois era grande. Foi sensacional. E ele adora participar, é como se fosse uma brincadeira.' João sempre acompanha a mãe quando a rotina permite.