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Abre a gaita, Matheus

por: Juliana Bencke
Data: 19/08/2018 | 12:00

A relação de Matheus Alberto de Moraes com a música tem som de acordeon, brilho nos olhos e um sentimento que extravasa na agilidade dos dedos. Aos 13 anos, o estudante da Escola Estadual de Ensino Médio Alexandrino de Alencar, de Passo do Sobrado, esbanja satisfação, quando fala da paixão pela gaita. 'Sempre gostei do som e a vontade de tocar veio desde pequeno', conta ele, em meio aos sorrisos.

Foto: Juliana Bencke / Folha do MateEstudante da escola Alexandrino de Alencar, Matheus toca acordeon desde os 8 anos
Estudante da escola Alexandrino de Alencar, Matheus toca acordeon desde os 8 anos

Os pais, Janice Andréia Dörr de Moraes e Vanderlei de Moraes até acharam que era 'fogo de palha', mas, desde que Matheus começou as aulas de acordeon, aos 8 anos, a vontade de tocar só aumento. 'Toda família gosta de música, mas só ele que tem o dom. Quando ele demonstrou interesse pela gaita, fizemos de tudo para incentivar, buscando um professor e levando para as aulas. Para nós, é um orgulho', define a mãe.

Com o sonho de cursar faculdade de Música e compartilhar a sua paixão, ensinando outras pessoas a tocar, Matheus se empenha no estudo do acordeon. As aulas ocorrem em Santa Cruz do Sul, com o acordeonista Lídio Frantz. Além disso, diariamente, dedica-se de uma a duas horas, em casa, ao estudo da música e já ensina as primeiras notas para o irmão caçula Mathias Roberto de Moraes, 8 anos. 'É meu primeiro aluno', brinca.

Quando toco, sinto alegria, pois estudou fazendo um bem para as pessoas."

Para Matheus, que coleciona troféus de festivais de música, como o primeiro lugar na categoria Infantojuvenil, no 17º Festicanto em Mato, de Mato Leitão, e 2º lugar no Festival Mais Bela Voz, de Venâncio Aires, é difícil explicar a emoção, quando está no palco.

Emoção

Para ele, um dos momentos mais inesquecíveis da carreira foi a participação no Festival de Gaita Instrumental, em Venâncio Aires, quando abriu o show de Renato Borghetti, no Pavilhão São Sebastião Mártir. 'Foi no dia 23 de dezembro de 2015. Tinha 2,6 mil pessoas e eu subi no palco tremendo. Foi mágico', lembra o garoto, que também garantiu um autógrafo do ídolo, no acordeon.

Foto: Juliana Bencke / Folha do MateMatheus com os pais, Vanderlei e Janice, e o irmão Mathias
Matheus com o irmão Mathias e os pais Vanderlei e Janice

Além de Borghetti, Luiz Carlos Borges e Abílio Manique são gaiteiros que inspiram Matheus. Ele também faz questão de destacar a importância de músicos da região, como os primeiros professores Paulo Schonarth e Décio Portaluppi, Renato e Andy Ruwer, Libório Wilges e Saul Zart, que o incentivam e auxiliam a concretizar o sonho de viver da música.

Matheus também faz questão de fazer a sua parte, em apresentações voluntárias. Já participou de eventos na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), hemodiálise e Lar Novo Horizonte. 'Fico feliz de tocar para as pessoas nesses lugares, porque muitos não saem de lá e posso levar alegria para eles.' 

Foto: Juliana Bencke / Folha do MateCom sonho de cursar faculdade de Música e dar aulas, Matheus têm no irmão caçula o primeiro aluno
Com sonho de cursar faculdade de Música e dar aulas, Matheus têm no irmão caçula Mathias, o primeiro aluno