fechar

O recado da COP para o produtor é diversificar

por: Letícia Wacholz - Enviada Especial
Data: 12/11/2016 | 05:50

Chegou o dia de conhecer quais serão os verdadeiros impactos e avanços na implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco.

A 7ª Conferência das Partes encerra neste sábado, 12, após cinco dias de debates entre os delegados e observadores de 181 países. Foram, no total, 37 documentos analisados buscando ampliar as ações de combate ao tabagismo no mundo.

Os temas que foram liderados pela delegação brasileira e têm interesse direto da região produtora de tabaco estão nos artigos 17 e 18, que tratam especificamente sobre alternativas viáveis à produção e a saúde do produtor e meio ambiente. Os textos finais foram aprovados por consenso de todos países e trazem "boas notícias" para os produtores de tabaco que terão apoio, inclusive financeiro, no processo de diversificação, por meio de cooperação internacional com a criação de fundos para projetos-pilotos. Isso representa um avanço significativo para o produtor que, até a COP de 2014, ainda era ameaçado com o termo 'restrição' ao invés de busca por alternativas viáveis como ficou decidido naquela ocasião.

 

'Brasil sai satisfeito'

Para o chefe da delegação brasileira na COP e Embaixador do Brasil na Índia, Tovar da Silva, os brasileiros foram e serão referência ao longo dos próximos anos em assistência, cooperação e garantiu que vários países estarão ao lado dos brasileiros para levantar essa bandeira. Inclusive, os delegados do Brasil atuaram fortemente no diálogo e até convencimento dos países não produtores.

Segundo ele, a delegação brasileira manteve o discurso e o reconhecimento de que "existe uma fragilidade neste processo, que é o produtor, e este deve ser o ponto principal da política de diversificação.' Além do olhar social, o Brasil defendeu ações ambientais e até já mostrou que vem fazendo esse trabalho, apresentando uma case de alternativas mais saudáveis e ambientalmente amigáveis para o cultivo do tabaco.

Pronaf

Delegado brasileiro e secretário substituto da Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Savio Pereira, que ao longo desta semana relatou em entrevista à Folha do Mate as dificuldades do governo brasileiro em financiar a diversificação, voltou a comentar a necessidade de repensar os programa e criar linhas de financiamento específicos para o produtor de tabaco, inclusive defendeu uma linha através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). 

 


 Fale, chefe

 A chefe do Secretariado-Geral da Convenção, Vera Luiza Costa e Silva, disse por meio de comunicado à imprensa que, devido ao volume de itens discutidos, o maior nas sete COPs, as últimas reuniões foram estendidas à noite e se disse impressionada com ' o alto nível de compromisso e inteligência dirigido no processo de elaboração. 

No sábado as partes terão feito enormes avanços em nome da Convenção', adiantou. Após a sessão de encerramento da COP7, jornalistas credenciados terão coletiva de imprensa.