29/07/2010 03:17:56
Importantes para manter a paisagem bonita e o equilíbrio, tanto da umidade quanto da sonoridade, do ambiente, as árvores também geram debates. No caso da espécie tipuana, a polêmica é ainda maior. No centro, esse tipo de arborização tem causado descontentamento entre os moradores e comerciantes. Por outro lado, a administração municipal busca formas de solucionar o problema.
Jorge André de Azeredo passa momentos de lazer no Calçadão e reconhece a beleza das tipuanas. Entretanto, ele observa o perigo de queda em caso de temporal.
Segundo Azeredo, uma maneira de amenizar o risco seria, ao menos, podar os galhos. Já no caso das raízes, que ele percebe estarem destruindo o calçamento, a sugestão é utilizar um cano de cimento para guiá-las em direção ao fundo da terra.
Comerciante do local, Salete Kist cogita a possibilidade de substituir as tipuanas por palmeiras. Ela afirma que a troca não traria prejuízos à paisagem do Calçadão e poderia ser implementada aos poucos. Conforme Salete, as árvores que atualmente formam o chamado ‘túnel verde’ possuem galhos perigosos. Em contato com veículos e fios, eles se transformam em risco de acidente.
“Tem que tirar o mais rápido possível. Se acontecer um temporal ou o estrago nas estruturas dos prédios, quem vai arcar com os prejuízos?”, questiona o morador Khaled Hamid. Há mais de 15 anos, ele e a esposa Ribhia Saleh residem na principal rua da cidade. São eles os principais atingidos com o problema atribuído às tipuanas.
Os motivos para defender a substituição das árvores são muitos. O casal cita as folhas caídas que sujam e deixam a calçada escorregadia, além de obstruírem a calha, os galhos que se aproximam dos fios de luz e batem nos veículos e, principalmente, as raízes que, em busca de água para a planta, atingem o encanamento.
Filha dos Hamid, Ibtesam também possui residência no Calçadão.Ela, na companhia de outros moradores, procurou a administração para solucionar o problema. “Nossa intenção é buscar o caminho viável, procurar esclarecimentos. Não queremos acabar com a arborização”, salienta.
Em sua casa, as raízes da tipuana entupiram o encanamento, que precisou ser todo reformado. Na opinião da família Hamid, uma alternativa seria plantar espécies de erva-mate no Calçadão, já que Venâncio é a Capital Nacional do Chimarrão e a árvore é nativa do município.
SOLUÇÃO DIFÍCIL
Para o secretário de Planejamento e vice-prefeito Giovane Wickert, a solução para o problema é complicada. Ele reconhece que, se de um lado há moradores e comerciantes convivendo com o impasse, de outro, há os demais venâncio-airenses, que apreciam a paisagem do Calçadão.
Wickert afirma que a beleza das tipuanas já é tradicional no centro e a retirada das árvores iria descaracterizar o Largo do Chimarrão. Se comparado com a população total de Venâncio, é minoria o número de pessoas que pedem a substituição, compara o vice-prefeito.
Já o secretário do Meio Ambiente, Fernando Heissler explica que os moradores se comprometeram em apresentar uma solicitação por escrito no próximo encontro, que deve reunir representantes da imprensa, do Ministério Público, do Poder Executivo e do Legislativo. A intenção é proceder da mesma maneira que há cerca de cinco anos, quando as tipuanas em frente ao Colégio Nossa Senhora Aparecida, atual Bom Jesus, foram retiradas.
A partir de um estudo técnico, é possível, segundo Heissler, elaborar um projeto para substituir, gradativamente, a arborização. Assim ocorreu com a direção da escola, que apresentou um laudo para defender a proposta.
Atualmente, outras espécies estão plantadas no local. No caso do Calçadão, o secretário indica, inclusive, as mudas que se adaptariam melhor ao solo argiloso do centro. Primavera e manacá, que possuem um porte médio, seriam as opções caso as tipuanas sejam derrubadas.
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