Relembre as Copas

A Copa de 54 pelas ondas do rádio, mas dias depois

08/07/2010 03:01:32    Zoom_mais Fonte_normal Zoom_menos   Print   Mail    

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Bininhi
Baninha recorda que a Copa ficou marcada pela violência, com muitas brigas e surpresas

A Copa do Mundo de 1954 foi a quinta edição do Mundial Fifa, que ocorreu de 16 de junho até 4 de julho, na Suiça, a primeira em solo europeu depois da Segunda Guerra Mundial. Dezesseis seleções participaram da competição, que teve a maior média de gols de todas as copas, com 140 gols em 26 partidas - 5,38 gols por jogo. O confronto entre Áustria 7 x 5 Suíça é a partida com o maior número de gols em todas as copas. A campeã foi a Alemanha Ocidental, que derrotou a favorita Hungria por 3 x 2. Ferenc Puskas, da Hungria, foi considerado o melhor jogador da competição e um dos melhores da história do futebol mundial. Kocsis, também da Hungria, foi o goleador, com 11 gols.

A Copa de 1954 teve como finalistas a Hungria, que havia vencido o então campeão mundial Uruguai na semifinal e até ali era invicta - ao final do campeonato, marcara 27 gols em cinco jogos, média de 5,4 gols por partida -, e a Alemanha Ocidental, que havia goleado a Áustria na semifinal e, ao final da copa, marcara 25 gols em cinco jogos, média de cinco gols por partida. A final foi disputada dia 4 de julho, às 17h, no Wankdorf Stadium, com um público de 60 mil pessoas. A Hungria marcou dois gols e levou uma virada histórica da Alemanha, fechando o placar de 3 x 2. Era o primeiro título que a Alemanha conseguia e a Hungria não disputou mais finais de mundiais.

O CAMPO DA TIRADENTES

Quem lembra bem desta época é Albano Irineu Becker. Baninha, como é conhecido, tinha 8 anos e além dos jogos da Copa, recorda de outros fatos marcantes. Sua família morava na rua General Osório, onde por anos foi a residência de Plínio Heinen, o Canhoto, ao lado do prédio do médico Cláudio Pimentel, quase em frente a Folha do Mate. Na esquina, onde hoje existe a Lancheria Skina e a loja de Astor Mahl, e ao lado do Hotel Becker - este na rua Tiradentes -, existia um campinho de futebol.

Baninha conta que as 'peladas' eram jogadas sobre o cascalho, onde se reuniam atletas como Valmor Klamt, Elói Schmitz, Lotário Grunevald, Geada, Dudu, Elenor Schmidt, Irineu do Sulfa, Tourinho, Hugo Haas e os irmãos Heinen. "Alfredo Scherer era o prefeito, Érico Krombauer o garçom do hotel, onde o Hércules Peruzzo tinha uma alfaiataria, e o padre Albino 'dominava' a cidade", relembra.

Na época, as notícias chegavam através dos jornais Folha da Tarde, Jornal do Dia, Correio do Povo e pelas edições da maior revista que o Brasil já teve, O Cruzeiro. O rádio, diz Baninha, era o maior negócio da época. "A rádio Farroupilha dominava com o Repórter Esso e através dele ficávamos sabendo do futebol e os resultados da Copa do Mundo", observa. Ele ressalta que isso ocorria alguns dias após os jogos, pois a primeira transmissão direta de uma Copa pelo rádio aconteceu em 1958, pela Rádio Guaíba, com Mendes Ribeiro.

Sobre a Copa do Mundo, recorda que a Hungria era a favorita e que havia goleado a Alemanha na última partida da fase classificatória por 8 x 2. "Mas a Alemanha, já classificada, jogou com os reservas", conta. O Brasil chegou às quartas de final vencendo México e Iugolsávia e teve a Hungria como adversário. "Foi um jogo conturbado, com brigas, agressões em campo, fora do campo e nos vestiários", diz. Puskas, que não jogou essa partida, deu uma garrafada no zagueiro Pinheiro, que sofreu oito pontos na cabeça.

A Hungria venceu por 4 x 2 e eliminou o Brasil, que pela primeira vez usou o atual fardamento - camisa amarela e calção azul. Até então, o Brasil usava camisetas brancas.

Baninha recorda que a partir da Copa de 54 houve um avanço dos meios de comunicação e o futebol começou a tomar mais espaço. "As rádios do Rio e São Paulo tinham mais potência e escutávamos, à noite, jogos entre Flamengo, Vasco, Fluminense, São Paulo, Santos etc e até sabíamos algumas escalações de cor", menciona.

Finalizando, Baninha conta que sua paixão pelo Grêmio surgiu pouco antes desta Copa, a partir de uma das primeiras fotos coloridas que viu, do então goleiro Sérgio Moacir Torres. "Estava com aquela inconfundível camisa preta, com o distintivo que sacramentou efetivamente a minha escolha pelo clube", revela.

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